Excesso de velocidade, imprudência e desrespeito às leis estão entre os principais fatores dos acidentes
No dia 27 de agosto de 2026, o barbeiro Joelesson Gomes de Souza, de 31 anos, morreu em um acidente de trânsito (Divulgação)
O trânsito de Manaus apresenta estatísticas alarmantes que transformaram as vias da capital amazonense em cenários de constantes tragédias. Entre 2017 a julho de 2026, 2.314 vidas foram perdidas em acidentes de trânsito, de acordo com dados oficiais do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e do Instituto Médico Legal (IML).
Conforme o especialista em engenharia, gestão e direito de trânsito, educação e cidadania e professor Wendell Menezes, estudos nacionais e internacionais apontam que o fator humano está presente em cerca de 90% dos sinistros de trânsito. Segundo ele, essa alta incidência decorre diretamente da imprudência, da negligência ou da imperícia dos condutores.
Entre as principais causas que alimentam essa estatística trágica estão o excesso de velocidade, o desrespeito à sinalização viária, a perigosa combinação entre álcool e direção e a falta de distância de segurança entre os veículos. Para o professor, o comportamento no trânsito exige uma atuação consciente.
Para o agente de trânsito Rafael Cordeiro, a imprudência e o excesso de velocidade são, sem dúvida, responsáveis por cerca de metade dessas ocorrências.
No dia 27 de agosto de 2026, o barbeiro Joelesson Gomes de Souza, de 31 anos, morreu em um acidente de trânsito
Ao analisar a série histórica dos acidentes fatais de trânsito, observa-se que Manaus mantém índices elevados de mortes nas vias. Em 2017, foram registradas 224 vítimas fatais. O pico da década ocorreu em 2024, quando o número de mortes chegou a 309. Em 2025, houve uma redução para 246 vítimas. Já os dados consolidados do primeiro semestre de 2026 (janeiro a julho) somam 147 vidas perdidas, mantendo um ritmo preocupante.
Até junho deste ano, segundo informações do IMMU e do IML, morreram 65 motociclistas, seis motoristas, 35 pedestres, 13 passageiros de veículos leves, dois ciclistas e, em cinco casos, o tipo de vítima não foi informado. As ocorrências envolveram atropelamentos (35), capotamento (1), colisões (45), choques (17) e quedas (21).
O homicídio de trânsito ocorre quando uma pessoa provoca a morte de outra enquanto conduz um veículo automotor. Previsto no artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o crime é classificado, em regra, como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas a morte acontece em decorrência de imprudência, negligência ou imperícia do motorista.
A legislação estabelece pena de detenção de dois a quatro anos, além da suspensão ou proibição de obter a habilitação para dirigir. Nos casos em que o condutor está sob influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência, a pena é mais grave, com reclusão de cinco a oito anos.
Entre as condutas que podem contribuir para acidentes fatais estão o excesso de velocidade, a falta de atenção e o desrespeito às regras de circulação. Para a caracterização do crime, é necessário que exista relação entre a conduta do motorista e a morte da vítima.
A legislação busca responsabilizar condutores que adotam comportamentos inadequados no trânsito e, com isso, provocam consequências fatais.
No dia 27 de agosto de 2026, o barbeiro Joelesson Gomes de Souza, de 31 anos, morreu após se envolver em um acidente de trânsito no cruzamento das avenidas Mário Ypiranga e Teresina, no bairro Adrianópolis, zona Centro-Sul de Manaus. Segundo as informações de testemunhas, uma viatura modelo S10 teria atravessado o semáforo vermelho e atingido a motocicleta Honda CB Twister 300 conduzida pela vítima. Joelesson não resistiu aos ferimentos provocados pela colisão.
No dia 22 de agosto, o assessor parlamentar Fábio Margarido Moraes, de 45 anos, morreu em um acidente de trânsito na avenida Jornalista Umberto Calderaro Filho, no bairro Adrianópolis, zona Centro-Sul de Manaus. Testemunhas relataram a policiais militares da 16ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom) que Fábio perdeu o controle de uma motocicleta Harley-Davidson, de cor laranja, de placa não divulgada, na rua Belo Horizonte. Ainda segundo as testemunhas, ele atravessou o canteiro central da avenida Jornalista Umberto Calderaro Filho e colidiu com o muro de uma escola estadual. Agentes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados, mas, ao chegarem ao local, constataram o óbito do motociclista, que foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).
No dia 6 de agosto, um grave acidente de trânsito deixou uma pessoa morta e outras cinco feridas, entre elas três crianças em estado grave, na avenida do Turismo, zona oeste de Manaus. A colisão ocorreu no sentido Ponta Negra, e envolveu um carro de aplicativo e uma van que transportava trabalhadores. O motorista do veículo de passeio morreu no local.
No dia 19 de julho deste ano, Lucas Eduardo Cunha Trindade, de 29 anos, morreu em um acidente de trânsito no bairro Flores, na zona Centro-Sul de Manaus. Na última semana, um suspeito prestou depoimento sobre o caso na Delegacia Especializada em Acidentes de Trânsito (Deat), na zona Leste da capital, que investiga o caso.Também em julho, na avenida Autaz Mirim, no bairro Jorge Teixeira, zona Leste, Jonatas pilotava uma motocicleta quando, segundo a Polícia Militar, desrespeitou a preferência de uma pedestre que atravessava a faixa e atingiu Jelicilda Souza Pinheiro, de 52 anos. Após a colisão, ele perdeu o controle da motocicleta e bateu contra um poste. O motociclista, que estava sem capacete, morreu no local. A pedestre foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada ao Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo.
No dia 18 de julho, Glendeson Ruiz de Oliveira, de 28 anos morreu após sofrer um acidente enquanto conduzia uma motocicleta na avenida Max Teixeira, no bairro Cidade Nova, zona Norte de Manaus.
Em junho, o motociclista Valtencir Paes Mendes, de 47 anos, morreu após perder o controle da motocicleta que conduzia e colidir contra um poste de iluminação pública na avenida União, no bairro Lago Azul.