Prefeito de Parintins afirma que está mudando a cultura de preparar o município apenas para o Festival dos Bumbás apostando no turismo como oportunidade de geração de emprego e renda.
Em entrevista exclusiva ao A CRÍTICA, o prefeito Mateus Assayag falou sobre os preparativos para o Festival de Parintins, turismo, eleições de 2026 e os desafios da gestão municipal (Fotos: Pedro Coelho)
Ex-secretário de Infraestrutura de Parintins, ex-presidente da Câmara Municipal de Parintins e vereador por quatro mandatos, Mateus Assayag (PSD) vive, aos 45 anos, um momento importante em sua trajetória política no Baixo Amazonas.
A pouco menos de dois meses de seu segundo Festival Folclórico de Parintins como chefe do Executivo Municipal, ele também terá em 2026 um ano estratégico do ponto de vista político, com eleições gerais que podem ser decisivas para os planos que ele traça para um dos principais municípios de nosso Estado.
Aliado do senador Omar Aziz, pré-candidato ao governo do Amazonas, Mateus também é aliado estratégico de nomes que vão disputar vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.
Em meio às agendas e desafios de preparar a cidade para o Festival, Mateus enfatiza que a forma que sua gestão acredita ser a mais eficiente de deixar Parintins pronta para receber mais de 120 mil turistas a cada ano é deixá-la nas melhores condições possíveis para o parintinense. Confira mais detalhes na entrevista.
Faltando pouco menos de dois meses para o festival, como o turista que vem para Parintins vai encontrar a cidade nesse período?
Parintins está pronta, está preparada. Temos trabalhado para que a cidade esteja pronta para receber os visitantes da mesma forma como está pronta para os moradores, todos os dias. Ao longo desses meses, estamos mudando aquela cultura de preparar a cidade apenas para o festival. A cidade de Parintins está pronta o ano inteiro. Claro que, quando chega o festival, a estrutura aumenta, a quantidade de servidores cresce e a logística se intensifica por causa do público.
Quem vier para Parintins vai encontrar a cidade mais preparada do que nunca — e quem vier hoje também encontra a cidade preparada da mesma forma.
Parintins é uma cidade voltada para o turismo. De que forma é possível ampliar ainda mais este alcance para a população e o grande público?
“Temos olhadoo turismo comooportunidade degeração de empregoe renda. Estamospreparando nãosó a cidade, mastambém as pessoas.O comércio, aspousadas, a hotelariae o transporte”
“Temos olhado o turismo como oportunidade de geração de emprego e renda. Estamos preparando não só a cidade, mas também as pessoas. O comércio, as pousadas, a hotelaria e o transporte” ()
Essa preparação inclui capacitação?
Também. Além do diálogo constante por parte da Secretaria de Turismo, com o trade turístico, e da Secretaria de Cultura, com os atores culturais, nós estamos, ao longo desses meses todos, capacitando a população e capacitando aquelas pessoas que fazem diretamente o turismo acontecer.
Através dos cursos proporcionados diretamente pela Prefeitura, e agora nós estamos com o planejamento de criar — e nós vamos criar — o centro de capacitação profissional do município.
Mas a gente tem feito isso bastante através diretamente dos cursos promovidos pela Prefeitura, mas também em parceria com instituições como o SEBRAE e como o SENAC, para que a gente possa ir cada vez mais preparando as pessoas para isso.
Qual é hoje o maior desafio de preparar a cidade para um festival do porte que o Festival de Parintins tem hoje?
A cidade em si, Dante, não é tão complicada. A gente esbarra sempre, claro, na disponibilidade de recursos financeiros.
Nós temos tido o apoio necessário dos entes. Ano passado houve o apoio do governo federal, nós tivemos o apoio do governo do Estado e esse ano existe já a sinalização para que a gente tenha também.
E o serviço de casa, o parintinense sabe fazer muito bem. O desafio é realmente a disponibilidade financeira para se preparar tudo o que se precisa para essa grande festa e para a população que dobra em Parintins.
Ano passado o senhor assumiu uma postura firme em relação às questões envolvendo os jurados do Festival. Como estão as discussões sobre regulamento e organização para este ano?
O festival é a galinha dos ovos de ouro de Parintins e nós precisamos preservar sua credibilidade. Já houve momentos em que o festival perdeu credibilidade, e isso afetou público e investimentos. Hoje ele cresce a cada ano, e precisamos cuidar disso.
Eu sou Caprichoso, minha família é caprichosa, mas isso não interfere nas decisões. Como prefeito, preciso pensar na cidade. E todas as decisões são tomadas para garantir a credibilidade do resultado.
As conversas com os bois têm avançado positivamente. Existe maturidade das duas partes, e buscamos sempre o diálogo e o consenso.
Já há mudanças definidas no regulamento ou na escolha dos jurados?
A comissão está tratando disso com os bois. Há conversas da comissão para que isso possa acontecer para o bem do festival. As reuniões são constantes e o objetivo é garantir decisões em consenso que assegurem a segurança necessária para que os investidores, os patrocinadores e principalmente as duas galeras, as duas torcidas de azul e de vermelho, de Caprichoso e Garantido, todos possam ter a certeza de que o resultado é condizente com o que cada boi apresenta na arena.
O senhor teve ano passado seu primeiro festival enquanto prefeito e esse ano terá sua primeira eleição geral no posto. Como será a sua participação nesse processo?
É um processo importantíssimo e que interfere diretamente nos municípios. Se você tem uma gestão ruim no Estado, ou na União, as consequências são muito ruins para os municípios, porque o interior depende muito dos entes estaduais e federal.
Eu estou atento, é claro, eu não sou candidato a nada nessa eleição, mas estou atento, estou vigilante, tenho conversado, vou participar ativamente do processo eleitoral.
E você é do partido do senador Omar, que é pré-candidato ao governo do Estado.
Eu sou do partido, sou do grupo, sou amigo do senador Omar Aziz. Ele é o meu candidato a governo do estado do Amazonas, tenho a confiança de que o Omar pode e vai fazer um governo maravilhoso para o nosso Estado e também para os municípios. Ele tem sido um parceiro incansável de Parintins ao longo desses anos todos e de forma muito especial falando nesse meu um ano e quatro meses de prefeitura.
Ele tem sido uma pessoa que tem disponibilizado muita energia para trazer investimentos para os municípios e principalmente para Parintins.
“Eu não posso serinjusto com quemajuda Parintins,e o parintinensetambém tem muitoisso de ajudar quemajuda a cidade”
E como fazer isso sem interferir no trabalho diário da prefeitura?
Com cautela. Parintins não pode ficar de fora desse processo eleitoral. Nós vamos ter muita cautela, sem deixar isso interferir no dia a dia do governo, no dia a dia da prefeitura.
Aqui a gente ajuda, a gente trabalha muito nas campanhas, mas a gente não permite também que isso atrapalhe o dia a dia do andamento dos serviços da prefeitura de Parintins, porque a população tem que estar assistida constantemente. Então, uma coisa não interfere na outra.
No momento certo, nós vamos entrar ativamente para que a gente possa ter realmente os parceiros de Parintins eleitos e reeleitos e a gente possa ter aí um tempo cada vez melhor para o nosso município.
No Baixo Amazonas há vários ex-prefeitos e nomes fortes da política disputando vagas na Assembleia Legislativa. Como líder político na região, o senhor acha que isso fortalece ou fragmenta a representação?
É legítimo que todos queiram ser candidatos. Eu não desestimulo nem incentivo — mostro os cenários e cada um decide.
Claro que isso pode dividir votos e enfraquecer a região, mas faz parte do processo democrático.
Mas as minhas decisões são muito bem resolvidas. Eu costumo dizer que sou muito pesado para ficar em cima do muro. Então eu visto a camisa. Assim é na minha vida pessoal. Assim sempre foi na minha vida profissional. Assim sempre foi na minha vida política. Já ganhei, já perdi por causa disso.
Então, é legítimo todos quererem ser candidatos, mas eu tenho minha candidata estadual, por exemplo. Minha candidata é a Mayra (Dias, candidata à reeleição), não escondo de ninguém. Eu tenho as minhas preferências, eu tenho meus candidatos e assim a gente veste a camisa mesmo para ir para cima.