Presidente diz que Brasil inaugurou, em setembro do ano passado, em Manaus, Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia para combater criminosos
(Foto: TIMOTHY A. CLARY/AFP)
Durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira (21), o presidente Lula (PT) citou a inauguração do Centro de Cooperação Policial Internacional, em Manaus, como uma de suas políticas para combater as facções criminosas. A segurança pública tem sido um dos pontos de pressão da sua campanha à reeleição, com os Estados Unidos, que apoiam Flávio Bolsonaro (PL), acusando o Brasil de ter falhado na pauta.
“Criamos em Manaus o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, reunindo autoridades de segurança pública dos nove países amazônicos. Em 2025, realizamos a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil. Batemos recorde de apreensão de drogas e de bens e recursos ilícitos. Estamos enfrentando todos os escalões da criminalidade, inclusive os magnatas do crime”, afirmou o presidente.
O CCPI-Amazônia é coordenado pela Polícia Federal e reune oficiais dos países amazônicos e dos nove estados da Amazônia Legal, além da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Força Nacional. A estrutura inclui serviço de inteligência, logística, videomonitoramento, gabinete de crise, entre outros espaços.
Inaugurado em setembro do ano passado após mais de um ano de atraso, o Centro já nasceu sob um contexto de pressão dos EUA sobre países da América Latina em relação ao combate a facções.
O presidente Donald Trump tem usado a tese para ampliar a presença política e militar dos norte-americanos sobre a região, que inclusive culminou com o sequestro do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
No Brasil, que irá às urnas no dia 4 de outubro, o receio do governo é que a pauta esteja sendo usada para interferir no pleito em favor do candidato apoiado pela Casa Branca, Flávio Bolsonaro.
“As pessoas estão cansadas da violência. Mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime”, disse o presidente Lula no discurso desta terça-feira.