Mistura obrigatória sobe para 32%, com expectativa de redução de R$ 0,03 no litro, exigindo atenção em veículos importados e movidos apenas a gasolina
Alteração na porcentagem do combustível renovável visa diminuir emissões e incentivar a indústria nacional (Foto: Nilton Ricardo/A CRÍTICA)
Desde de sábado (1º) entrou em vigor em todo o país a nova composição da gasolina comum. A mistura obrigatória de etanol anidro passa de 30% para 32%, mudança que deve reduzir o preço do litro em cerca de R$ 0,03 e ampliar a participação dos combustíveis renováveis na matriz energética brasileira.
Para a maioria dos veículos, a alteração não deve provocar impactos no funcionamento. No entanto, especialistas alertam que carros movidos exclusivamente a gasolina — especialmente alguns modelos importados — podem exigir atenção redobrada, já que foram projetados para operar com uma composição diferente da comercializada no Brasil.
Atualmente, o país possui cerca de 124 milhões de veículos movidos a combustíveis fósseis. No Amazonas, a frota supera 1,3 milhão de veículos.
Segundo o mecânico e proprietário da Box Express, Nelson Corrêa, a maior preocupação envolve veículos movidos apenas a gasolina e alguns modelos importados. Isso porque muitos desses automóveis foram projetados para funcionar com gasolina de baixa ou nenhuma mistura de etanol.
O superaquecimento pode provocar derretimento de válvulas, velas, danos ao catalisador e até mesmo ao motor.
Mecânico Nelson Corrêa orienta condutores sobre revisões e riscos de superaquecimento do motor (Foto: Nilton Ricardo/A CRÍTICA)
Os motoristas também devem ficar atentos aos sinais de funcionamento irregular, como dificuldade na partida, perda de potência, aumento do tempo de ignição e falhas durante o funcionamento do motor.
"Às vezes, o painel do veículo não acende nenhuma luz de avaria porque o problema ainda está na fase inicial, mas, se o veículo não funcionar de forma perfeita, o aumento do etanol vai trazer danos", afirmou Corrêa.
Uma das alternativas para minimizar os impactos é abastecer com gasolina premium, que possui menor percentual de etanol na composição. No entanto, o combustível tem custo mais elevado.
Para quem prefere manter a gasolina comum, o especialista reforça que a manutenção preventiva continua sendo a melhor forma de evitar prejuízos.
"É importante sempre ter um carro revisado porque, na maioria das vezes, quando um problema fica grande, o prejuízo também aumenta", comentou Nelson.
Cada veículo possui especificações próprias e, para recomendações mais precisas, o ideal é consultar o manual do fabricante. As condições de uso e o clima também influenciam o intervalo das revisões.
Alteração na porcentagem do combustível renovável visa diminuir emissões e incentivar a indústria nacional (Foto: Nilton Ricardo/A CRÍTICA)
De forma geral, uma revisão básica — com troca de óleo e filtro, verificação dos fluidos, inspeção de freios, pneus, suspensão, correias, bateria e sistemas elétricos — deve ser realizada a cada 10 mil quilômetros ou 12 meses.
A alteração na composição da gasolina foi autorizada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A medida busca reduzir a dependência da importação de combustíveis, fortalecer a produção nacional de etanol e ampliar o uso de fontes renováveis.
"Essa medida deve favorecer a produção de etanol no Brasil e, em termos ambientais, reduzir a emissão de gás carbônico na atmosfera porque não ocorre a queima de um combustível 100% fóssil, mas de uma mistura com esse álcool de origem vegetal", disse Everaldo Lima.