Alerta

Nova mistura da gasolina com 32% de etanol entra em vigor no país

Mistura obrigatória sobe para 32%, com expectativa de redução de R$ 0,03 no litro, exigindo atenção em veículos importados e movidos apenas a gasolina

Lucas Motta
online@acritica.com
02/08/2026 às 12:34.
Atualizado em 02/08/2026 às 12:35

Alteração na porcentagem do combustível renovável visa diminuir emissões e incentivar a indústria nacional (Foto: Nilton Ricardo/A CRÍTICA)

Desde de sábado (1º) entrou em vigor em todo o país a nova composição da gasolina comum. A mistura obrigatória de etanol anidro passa de 30% para 32%, mudança que deve reduzir o preço do litro em cerca de R$ 0,03 e ampliar a participação dos combustíveis renováveis na matriz energética brasileira.

Para a maioria dos veículos, a alteração não deve provocar impactos no funcionamento. No entanto, especialistas alertam que carros movidos exclusivamente a gasolina — especialmente alguns modelos importados — podem exigir atenção redobrada, já que foram projetados para operar com uma composição diferente da comercializada no Brasil.

Atualmente, o país possui cerca de 124 milhões de veículos movidos a combustíveis fósseis. No Amazonas, a frota supera 1,3 milhão de veículos.

"O etanol anidro tem, na sua composição, até 99,9% de pureza. Já o hidratado, 92,5%, e o restante é água. O anidro forma uma mistura homogênea com a gasolina, diferente do hidratado que, por ter água, forma fases, camadas que não se misturam", explicou o químico Everaldo Lima.

Quais veículos exigem mais atenção?

Segundo o mecânico e proprietário da Box Express, Nelson Corrêa, a maior preocupação envolve veículos movidos apenas a gasolina e alguns modelos importados. Isso porque muitos desses automóveis foram projetados para funcionar com gasolina de baixa ou nenhuma mistura de etanol.

"A gasolina tem uma capacidade calorífica maior, isso quer dizer que ela precisa ser injetada em menor quantidade para ter a mesma potência no motor, e o etanol é o contrário. Os veículos que são apenas para gasolina não esperam o etanol; o combustível vai entrar em menor quantidade e isso vai provocar um aumento da temperatura dos cilindros", disse.

O superaquecimento pode provocar derretimento de válvulas, velas, danos ao catalisador e até mesmo ao motor.

Mecânico Nelson Corrêa orienta condutores sobre revisões e riscos de superaquecimento do motor (Foto: Nilton Ricardo/A CRÍTICA)

 Os motoristas também devem ficar atentos aos sinais de funcionamento irregular, como dificuldade na partida, perda de potência, aumento do tempo de ignição e falhas durante o funcionamento do motor.

"Às vezes, o painel do veículo não acende nenhuma luz de avaria porque o problema ainda está na fase inicial, mas, se o veículo não funcionar de forma perfeita, o aumento do etanol vai trazer danos", afirmou Corrêa.

Como reduzir os riscos

Uma das alternativas para minimizar os impactos é abastecer com gasolina premium, que possui menor percentual de etanol na composição. No entanto, o combustível tem custo mais elevado.

Para quem prefere manter a gasolina comum, o especialista reforça que a manutenção preventiva continua sendo a melhor forma de evitar prejuízos.

"É importante sempre ter um carro revisado porque, na maioria das vezes, quando um problema fica grande, o prejuízo também aumenta", comentou Nelson.

Cada veículo possui especificações próprias e, para recomendações mais precisas, o ideal é consultar o manual do fabricante. As condições de uso e o clima também influenciam o intervalo das revisões.

Alteração na porcentagem do combustível renovável visa diminuir emissões e incentivar a indústria nacional (Foto: Nilton Ricardo/A CRÍTICA)

 De forma geral, uma revisão básica — com troca de óleo e filtro, verificação dos fluidos, inspeção de freios, pneus, suspensão, correias, bateria e sistemas elétricos — deve ser realizada a cada 10 mil quilômetros ou 12 meses.

​Mudança também busca reduzir emissões

A alteração na composição da gasolina foi autorizada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A medida busca reduzir a dependência da importação de combustíveis, fortalecer a produção nacional de etanol e ampliar o uso de fontes renováveis.

"Essa medida deve favorecer a produção de etanol no Brasil e, em termos ambientais, reduzir a emissão de gás carbônico na atmosfera porque não ocorre a queima de um combustível 100% fóssil, mas de uma mistura com esse álcool de origem vegetal", disse Everaldo Lima.

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