Edilson Takahara utilizou inteligência artificial e livros de Direito após advogado abandonar processo contra construtora
(Foto: Reprodução)
O pedreiro Edilson Takahara surpreendeu magistrados ao realizar pessoalmente a sustentação oral de seu processo no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), em Manaus. A atuação garantiu que o tribunal mantivesse uma decisão favorável aos seus direitos trabalhistas em uma disputa contra uma construtora.
A decisão de assumir a própria defesa ocorreu após o advogado contratado inicialmente abandonar o processo. Sem representação e diante do risco de perder a causa, Takahara recorreu ao jus postulandi, dispositivo da legislação que autoriza o cidadão a defender os próprios interesses na Justiça do Trabalho sem a intermediação de um advogado.
Para estruturar as peças processuais e a sustentação oral perante os desembargadores, o trabalhador estudou por conta própria. Além de consultar um livro de Direito que encontrou na rua e produzir anotações manuais em cadernos, ele utilizou ferramentas de inteligência artificial, como o ChatGPT, para formular os argumentos jurídicos.
Durante a sessão, Takahara sustentou que o recurso da empresa constituía inovação recursal, já que a construtora não havia apresentado provas de vínculo autônomo nas etapas anteriores do processo. A precisão técnica e a clareza da exposição renderam elogios dos magistrados durante o julgamento, com menções a personalidades históricas que atuaram na defesa de causas sem formação jurídica, a exemplo de Luiz Gama e Alexander Hamilton.
Natural do Paraná, Edilson vive em Manaus desde 2023 e tem trajetória profissional que inclui experiências no campo, como repositor e carteiro antes de migrar para a construção civil. Após a vitória judicial, o trabalhador informou que pretende seguir na profissão de pedreiro e na consultoria de obras.