Espécies exóticas e silvestres ganham espaço, exigindo cuidados específicos e legalização junto a órgãos como o Ibama
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O número de animais de estimação não convencionais, como espécies exóticas e silvestres, tem crescido significativamente no Brasil. Dados de um censo do Instituto Brasil Pet indicam que, dos 150 milhões de pets em todo o país, 39% são classificados como exóticos ou silvestres.
Entre os tutores que optam por esses animais está Gabriel, médico veterinário de animais silvestres, que possui uma jiboia ball python há quase quatro anos. Ele explica que a escolha por um pet como a cobra se deu pela sua rotina de viagens e pela independência do animal, que se alimenta a cada 20 dias, não emite ruídos e demanda menos atenção diária do que um cão. A maior parte do tempo, a cobra permanece em um terrário, mas ocasionalmente interage com o tutor, que destaca o vínculo de respeito mútuo baseado no reconhecimento do cheiro e calor.
A bióloga Ana Lobo, do Museu da Amazônia (Musa), esclarece que nem todo animal exótico ou silvestre pode ser mantido como pet. Ela ressalta que é um crime ambiental remover qualquer animal diretamente da natureza para criá-lo em casa, mesmo com as melhores intenções. Animais exóticos são nativos de outros países, enquanto os silvestres pertencem à fauna brasileira, mas não passaram por processo de domesticação.
A aquisição legalizada desses animais deve ocorrer apenas em criadouros autorizados e reconhecidos por órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O animal precisa ser microchipado e possuir um certificado de origem para garantir sua procedência legal.
Nos últimos anos, as cobras têm ganhado a preferência de muitos tutores. No entanto, a responsabilidade não termina com a aquisição. É fundamental que os animais recebam cuidados específicos, o que inclui a criação de ambientes como terrários ou paludários, preparados com atenção para garantir bem-estar e evitar estresse, que pode levar ao adoecimento ou óbito do animal.
A especialista explica que o enriquecimento ambiental é crucial para suprir as necessidades que esses animais teriam na natureza, oferecendo um espaço que simule ao máximo seu habitat natural. Cobras, por exemplo, podem viver até 25 anos, exigindo décadas de alimentação, espaço e acompanhamento de médicos veterinários especializados.
O crescente interesse por pets não convencionais também gera um fenômeno de conscientização. Quanto mais se conhece sobre esses animais, menor a ocorrência de acidentes e mortes causadas pelo medo e pela falta de informação. A Amazônia, com sua rica biodiversidade (15% da biodiversidade global), convive diariamente com animais silvestres. Espaços como a Casa das Serpentes do Musa, aberta todos os dias (exceto quartas-feiras), oferecem oportunidades para aprender sobre a fauna e esclarecer dúvidas, inclusive para quem pensa em adquirir uma serpente futuramente.