De janeiro a agosto, faturamento da ZFM cresceu 10,4%, enquanto a produção industrial, no oitavo mês, caiu 7,4%
Pesquisa do IBGE mostra que a fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos e de fabricação de máquinas e equipamentos tiveram queda de -26,6% e 19,9% em agosto (Foto: Divulgação)
O cruzamento de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com os da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) mostra que, nos oito primeiros meses do ano, o Polo Industrial de Manaus (PIM) aumentou em 10,4% o seu faturamento, enquanto em agosto houve queda de 7,4% na produção em relação ao mês anterior.
De janeiro a agosto, o PIM faturou R$ 147,69 bilhões, contra R$ 133,73 bilhões do mesmo período de 2024. Também apresentou elevada média mensal de empregos, com 131.569 trabalhadores, o que representa 8,58% em relação ao mesmo intervalo de tempo do ano passado. E registrou elevação na produção de motos (15,81%); no de tela de LCD (16,3%); no de condicionador de ar split (10,9%); e no de relógios (34,4%).
Contudo, em agosto, segundo o IBGE, o resultado do PIM foi o pior em 18 meses e o de todas as unidades da federação pesquisadas, ficando à frente de Pernambuco e Rio de Janeiro, que registraram queda de 3,5% e 1,9%, respectivamente. Em comparação com agosto de 2024, a produção foi ainda menor, com variação negativa de 9,3%, não sendo pior apenas que fevereiro, que registrou queda de 9,4% em relação ao período de 2024.
O único número positivo está na produção acumulada dos últimos 12 meses, com registro positivo de 1,2%, o mesmo resultado de abril, mas ainda assim o segundo pior do ano, estando à frente apenas de fevereiro (0,4%). O resultado ainda positivo se dá graças à produção ocorrida em novembro (2,8%) e dezembro (3,6%) de 2024, de acordo com o IBGE.
Derivados de Petróleo
Dentre os segmentos industriais, o pior resultado ocorreu na fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com queda de 42,5%, praticamente anulando a variação positiva de 43,9% registrada em julho deste ano. Na sequência vem a fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, com uma queda de 26,6%, sendo que o segmento já havia registrado uma variação negativa de 2,8% em julho.
Completam a lista de resultados negativos: fabricação de máquinas e equipamentos (-19,9%), fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-11%), fabricação de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (-4,1%) e indústrias extrativas (-1,9%). Por outro lado, registraram resultados positivos em agosto os setores de fabricação de bebidas (41,5%), fabricação de produtos químicos (12,6%), fabricação de outros equipamentos de transporte, exceto veículos automotores (11,5%), fabricação de produtos diversos (2,3%) e fabricação de produtos de borracha e de material plástico (1,4%).
Apesar dos números aparentemente negativos, os principais segmentos do Polo Industrial de Manaus (PIM) apresentaram forte crescimento. Embora tenha sido afetado pela crise dos compressores para fabricação de ar-condicionados, o setor Eletroeletrônico registrou resultados positivos de produção em comparação com o ano passado.
Dados disponibilizados pela Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) mostram que a fabricação de ar-condicionados split até agosto deste ano já superou o mesmo período em 2024. De acordo com os números, foram produzidos 3,24 milhões de aparelhos até agosto do ano passado, enquanto neste ano foram 3,71 milhões.
A saída (venda) dos produtos também aumentou de 3,31 milhões para 3,65 milhões. Na linha de TICs, como monitores e tablets, foram vendidos 979,5 mil em 2024 e mais de 1 milhão em 2025. Até o momento, a Linha Marrom, composta por eletrônicos como TVs, sistemas de som, leitores de DVD e videogames, foi a única a estar estagnada em relação ao ano passado. Em 2024 foram vendidos 6,58 milhões de produtos até agosto. Já em 2025, o número ainda estava em 6,56 milhões.
Derivados de petróleo puxam queda
O superintendente da ZFM, Bosco Saraiva, esclareceu que os resultados distintos da produção e do faturamento registrados até agora “retratam dimensões diferentes” do desempenho do polo industrial.
Enquanto o faturamento diz respeito “ao valor monetário das vendas da produção”, a pesquisa do IBGE “revela o desempenho da quantidade física produzida, inclusive segmentos não contabilizados pela Suframa”, como o coque, produtos derivados do petróleo e refino, que foram os que mais contribuíram para a queda na produção.
“Em relação aos aparelhos de ar condicionado do tipo Split system, o aumento de unidades produzidas entre janeiro a agosto de 2025, foi de 10,25% em relação ao mesmo período do ano anterior, embora se reconheça que as falhas de suprimento de bens intermediários como as relatadas pelos fabricantes, possa impactar os próximos resultados dos dados de faturamento e produção do referido produto”, disse.
Volatilidade da cadeia de suprimentos
Apesar dos recuos apresentados pelo IBGE, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antônio Silva, avaliou que eles não invalidam os recordes simultâneos de faturamento e emprego divulgados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), mas evidenciam um “desacoplamento temporário entre a produção física e os indicadores financeiros”.
“A queda na produção física é, em grande medida, atribuída à volatilidade da cadeia de suprimentos e à alta dependência do PIM de insumos importados. A crise no fornecimento de compressores de ar-condicionado, essenciais para o setor de Eletroeletrônicos, configura-se como um fator limitante de produção. A indisponibilidade de um único componente crítico gera um gargalo na linha de montagem, resultando na queda imediata do volume produzido, independentemente da demanda de mercado”, disse.
Silva aponta que o crescimento do faturamento mesmo em meio à queda da produção industrial pode ser um reflexo de outros fatores, como aumento do preço das matérias-primas e o custo logístico, que são repassados para o consumidor final e aumentam o valor dos produtos. Dessa forma, empresas podem “registrar recordes nominais de faturamento ao vender um volume menor”.
“Em relação ao emprego, sua estabilidade e atingimento de recordes devem ser interpretados como um indicador de longo prazo e de confiança estrutural no modelo. Diferentemente da produção, que é um indicador de curtíssimo prazo, o emprego possui inércia: as empresas evitam demissões imediatas após um mês de baixa produtividade devido aos altos custos de rescisão, treinamento e recrutamento”, avaliou.
O presidente da Fieam ressalta ainda que essa postura indica que o empresariado encara a queda de agosto como um evento pontual, não como uma crise sustentada, sinalizando boas expectativas de produção e vendas para os próximos meses.