Casa Conectada apresentada durante a Eletrolar Show All Connected na última semana mostra a integração das residências com a inteligência artificial como uma evolução da automação atual
Renato Oliveira e Cris Paola (Lucas dos Santos)
São Paulo (SP) - O engenheiro e gestor de projetos Renato Oliveira e a arquiteta Cris Paola afirmaram que a integração das casas com a inteligência artificial é o futuro das residências, indo além da automação que existe atualmente. Segundo eles, a presença da IA na chamada “Casa Inteligente” difere da automação conhecida hoje, com a própria residência passando a interagir com o morador ao longo da rotina.
Além de engenheiro, Renato Oliveira é sócio-fundador da empresa HJEM Tecnologia, empresa especializada em automação residencial e soluções para casas conectadas. A marca foca em integrar tecnologia à rotina doméstica, oferecendo mais praticidade. Cris Paola é neuroarquiteta, especialização que aplica os conhecimentos da neurociência na arquitetura e no design de interiores.
Os dois participaram da Eletrolar Show All Connected 2026 no final de junho apresentando o espaço Casa All Connected, que levou aos participantes uma experiência imersiva conectando tecnologia, automação residencial e design contemporâneo em ambientes concebidos a partir da jornada do usuário. O evento contou com cobertura da reportagem de A CRÍTICA, que viajou a convite da organização.
O que é exatamente essa casa inteligente que vocês trouxeram para a Eletrolar?
Renato: A gente trouxe a primeira casa com inteligência artificial generativa no Brasil. Então, a gente traz para cá uma inteligência que cuida das pessoas, que facilita, traz conforto, melhora a qualidade de vida das pessoas. Ela aprende com as suas rotinas e com os seus hábitos e passa, após uma etapa de aprendizado num período de 30 a 60 dias, a fazer sugestões de eficiência de consumo, de melhoria de conforto para você. Você interage com ela simplesmente tomando decisões. Vou dar um exemplo: você costuma acender a luz da varanda e ligar o ar-condicionado da sala às 19h e, de repente, o ar-condicionado do quarto está ligado. Através de um sensor, ela notifica e fala: “não tem ninguém no quarto, posso desligar o ar-condicionado e manter essas luzes ligadas todos os dias às 19h?”. Você pode falar sim ou não, ela aprende conforme a tua resposta. A partir do momento em que ela entende que aquilo é uma rotina, começa a fazer automaticamente. Vira uma casa autônoma que não depende de controle.
Isso é muito diferente das casas conectadas que eram divulgadas antes?
Cris: É uma mudança completamente diferente do que a gente está acostumado a ver. Isso foi o que me maravilhou de a gente trazer aqui para dentro da Eletrolar. Ter um ambiente construído é muito legal, mas ter um ambiente conduzido por inteligência artificial é inédito. Mais do que isso, o que gente via até hoje nessas automações que a gente tem em casa? Tinha os cenários, você definia a televisão que você gosta de usar sempre, luzes desse jeito ou daquele jeito, e você ia apertando os botões para que isso acontecesse. Com a IA, o que eu aprendi aqui é que ela embarcada na casa, leva uns 40 dias para entender seus hábitos e, a partir dali ela começa a interagir com você. É como se ela fosse uma funcionária te ajudando a administrar aquela casa.
Como essa casa inteligente pode impactar na autonomia das pessoas, que estão ficando cada vez mais idosas?
Renato: Ela ajuda a monitorar e cuidar dessas pessoas sem que seja invasiva. Antigamente você tinha câmeras instaladas, a gente brinca que era um Big Brother, e ninguém quer isso. Nesses sensores, você estipula que entre 21h até 11h da manhã, se não tiver nenhum movimento naquele quarto, você recebe um alerta. Através desse alerta, você como filho, cuidador, pode fazer um contato e falar “pai, mãe, está tudo bem?”. Tem ainda um caminho noturno para evitar quedas.
Cris: Eu acho que a neuroarquitetura já é uma nova visão do “morar”. Ela muda da arquitetura tradicional, onde você só projetava espaços para essa função, pela estética. Hoje, a neuroarquitetura se preocupa com a pessoa, integra com a vida da pessoa. E ela ter agregado a inteligência artificial é fundamental. Imagine que você trabalha de manhã até de noite e tem um filho pequeno que em algum momento chega em casa, você tem alguns colaboradores que ajudam com a criança, mas ela saiu ou está em algum lugar que ninguém está vendo-a. A inteligência artificial vai mandar um recado. O pet também, saiu para o jardim e não voltou tem mais de uma hora e a rotina dele é sair em meia hora e voltar, ou está sem comida e tem comedores automáticos que você aciona à distância.
Que outros itens integrados à IA podem auxiliar na rotina das pessoas?
Cris: Você vai ter a geladeira que vai te ajudar a ter listas de compras. A IA ajuda também numa dispensa para você não comprar 200 vezes a mesma coisa. Você chega em casa, passa naquela loucura no supermercado em cinco minutos, pega três coisas e as três você já tinha na dispensa. Ela consegue te ajudar no estoque, a organizar. Do mesmo jeito que ela organiza quando a gente está trabalhando nossos arquivos, nossos textos ou o que seja, ela vai nos ajudar na organização da casa.
A casa inteligente pode se adaptar não só à pessoa, mas também ao local em que ela vive?
Renato: Qualquer situação. Ela faz um controle de incidência de luz na sua casa, de umidade, calor, climatização. Se ela percebeu que a temperatura ultrapassou, por exemplo, 25 ºC, ela liga um ar-condicionado automático para manter aquela temperatura. Hoje estamos a 10 ºC lá fora, o que ela faz? Sobe essa temperatura para você ficar no ambiente controlado. Às vezes as pessoas tem dificuldade com o clima muito seco, então ela melhora a umidificação. Controla a intensidade de luz, que também ajuda na eficiência energética. Mais luz solar? Menos luz na casa. A luz solar está invadindo a casa? Fecha as cortinas.
Cris: O aspirador que limpa sozinho, você costuma botar todos os dias às 14h, só que aquele dia não tem ninguém na sua casa desde o meio-dia. O que a IA faz? Pergunta: “posso ligar o aspirador agora que não tem ninguém?”. Cada dia mais a tecnologia está sendo desenvolvida nos materiais, nos produtos, nos equipamentos. A gente já vê lá fora em feiras a máquina de lavar roupa, máquina de lavar louça, aspirador integrados ao sistema. Se você chegou estressado com um relógio que mede seu batimento cardíaco, ela percebe e vai falar assim: “posso preparar a casa para você?”, e diminui a luz, põe uma música, televisão, e assim vai conduzindo a casa invisivelmente.
Sobre acessibilidade, há uma tendência que esse tipo de casa seja barateado para que a maioria possar acessá-la no futuro?
Cris: Isso é o futuro. Do mesmo jeito que a gente tem aquecimento solar, sustentabilidade, preocupação, porque a casa acaba sendo sustentável, ela te ajuda a equilibrar o seu gasto de energia. A gente já tem uma placa solar de uma unidade de chuveiro que é possível qualquer um ter.
Renato: Outra coisa importante é que ela pode ser implementada de maneira gradativa, conforme a tua necessidade. Ela vai muito do perfil do uso também. Com baixo investimento, de repente faz apenas um ambiente que você precisa ter o seu autocontrole, depois aos poucos você vai implementando, trocando, colocando novas funcionalidades.
Cris: Isso está chegando agora. A gente já foi chamado numa incorporadora lá no Sul para apresentar o processo e como funciona.
O poder público já demonstrou interesse nessa iniciativa?
Cris: Não que eu tenha sido informada, mas também estamos lançando o Tudo Conectado aqui, então a gente ainda não sabe no que isso vai desdobrar de oportunidades. O poder público ainda não se manifestou, mas o privado, as incorporadoras, quem quer inovação e novidades com certeza.