Dados do Fórum de Segurança Pública mostra que, em 2024, 586 mulheres foram assassinadas na Amazônia; número é 21,8% superior à média nacional
Em 2024, o país registrou 3.700 homicídios de mulheres, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança (Foto: Reprodução)
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública sobre violência na Amazônia revelam que a região é um lugar letal para as mulheres. Em 2024, 586 mulheres foram assassinadas na Amazônia Legal, 21,8% superior à taxa média nacional.
Em 2024, o país registrou 3.700 homicídios de mulheres, sendo 586 dentro da Amazônia legal. Desse total, o Amazonas teve 77 homicídios femininos. Além disso, no mesmo ano, o país registrou 1.492 feminicídios, ligados à violência doméstica ou discriminação à mulher. 229 foram Amazônia e 29 no Amazonas, o segundo maior número da região norte, atrás somente do Pará, com 50 mulheres mortas.
O Amazonas registrou em 2023 um total de 103 homicídios femininos e registrou queda em 2024 com 77. No entanto, o feminicídio seguiu o caminho contrário, saindo de 23 casos para 29. Uma variação percentual de 24%.
'Patriarcado'
A ativista Luzanira Varela afirmou que esses números revelam a presença do machismo e misoginia na Amazônia.
Varela relembrou que o Amazonas demorou a deixar de “justificar” judicialmente os crimes contra às mulheres. A ativista ressaltou que durante os longos anos de sua trajetória de militância lutou para que esse privilégio masculino acabasse e a justiça fosse feita.
Ativista Luzarina Varela participa do Fórum Permanente das Mulheres de Manaus
“Eles sempre estão se utilizando de discursos para matar as mulheres. Primeiro eles falavam que era a questão da defesa da honra. Inclusive, se eu não estou enganada, o último caso aqui no Amazonas de defesa da honra foi o caso da professora Iara, que o esposo dela era do exército, ela estava em processo de separação, ele invadiu o Flat na Djalma Batista e a matou. Foi julgado e inocentado como crime de honra. Isso faz uns 30 anos e você vê que continua acontecendo”, disse.
Luzanira Varela ressaltou que o estado ainda precisa avançar na garantia concreta das políticas públicas, como ampliar as delegacias 24h e cumprimentos das ordens judiciais.
A ativista informou que os movimentos sociais iniciaram os “21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”, realizada no Brasil a partir desta quinta-feira (20), Dia da Consciência Negra, até 10/12, Dia Internacional dos Direitos Humanos. No dia 12 haverá uma vigília em frente ao Fórum Ministro Henoch Reis, na avenida. Umberto Calderaro.
Para doutora em Sociedade e Cultura da Amazônia, Ivânia Vieira, a construção da sociedade Amazônica foi baseada em cima de violência, desde os povos originários às demais classes sociais.
Professora da Ufam Ivânia Vieira afirma que crescimento do feminicídio expõe falhas estruturais do enfrentamento à violência de gênero
Falhas estruturais
A estudiosa explicou que o crescimento do feminicídio expõe falhas estruturais no enfrentamento da violência de gênero por partes do estado e dos municípios.
Ela informou que as ações continuam fragmentadas e insuficientes, refletindo a influência persistente do machismo nas prioridades governamentais.