Especialista alerta que a fluência digital das crianças não garante segurança e ensina como os responsáveis podem desenvolver o senso crítico dos filhos no ambiente online
Segundo Levi Nóbrega, a Inteligência Artificial tornou os golpes visualmente indistinguíveis, o que torna o "modo automático" mais perigoso durante a navegação. (Foto: Divulgação)
A circulação de conteúdos manipulados por Inteligência Artificial já faz parte da rotina dos brasileiros. A pesquisa "Painel TIC – Integridade da Informação", do NIC.br e do CGI.br, mostra que 41% das pessoas com 16 anos ou mais afirmam ter contato diário com deepfakes, ou seja, áudio, imagens e vídeos falsos criados com IA. Em um cenário em que este material se torna cada vez mais convincente, crianças e adolescentes estão entre os públicos mais vulneráveis a fraudes e golpes digitais.
Para o engenheiro de computação Levi Nóbrega, CRO da Volund e CEO da Beyond, a familiaridade dos jovens com a tecnologia não significa que eles estejam preparados para reconhecer esses riscos. “Há estudos sobre o desenvolvimento do córtex pré-frontal que indicam que, antes dos 25 anos, a área do cérebro responsável pela avaliação de riscos ainda está em formação”, explica.
Nóbrega ressalta que, para muitos jovens, jogos e plataformas digitais são espaços de convivência e pertencimento. Essa conexão emocional pode reduzir a percepção de riscos e facilitar a ação de golpistas. Por isso, ele defende que a melhor estratégia de proteção é desenvolver o senso crítico e o letramento tecnológico desde cedo.
“Os jovens são extremamente fluentes em usar a tecnologia. Eles abrem aplicativos e dominam muitas interfaces, mas isso não é a mesma coisa que entender tecnologia. Eles são pilotos sem ter tido uma aula de mecânica; não sabem o que está acontecendo ali debaixo do capô. Quando o ambiente é desenhado para ser viciante e extrair dados, ser fluente no uso não é suficiente e cria uma falsa sensação de segurança”.
Para ajudar pais e responsáveis a blindarem os jovens contra a coleta predatória de dados e as fraudes impulsionadas por IA, o especialista elenca 6 dicas fundamentais.
Saber operar um celular não significa compreender o seu funcionamento. O CEO da Beyond recomenda ensinar o jovem a trocar a pergunta de "como eu uso isso?" Pela reflexão crítica de "o que isso está ganhando comigo?". Ele ainda reforça que, se um aplicativo é gratuito, o pagamento está sendo feito com os dados do próprio usuário.
Muitos jogos e redes sociais incentivam o compartilhamento de selfies, voz e impressões digitais. Os pais devem frear essa prática, pois dados biométricos são únicos. Levi explica que "Diferente de uma senha, você não pode trocar o teu rosto. Se a sua senha é exposta, você vai lá e muda. Se a sua biometria vaza, ela vazou para sempre."
O especialista aponta que a introdução a esses conceitos deve caminhar em paralelo com a alfabetização tradicional, por volta dos quatro ou cinco anos de idade, quando o contato com as telas costuma se intensificar. Em vez de aulas formais, a orientação deve ser inserida na rotina por meio de estímulos práticos e hábitos simples. "Indagar à criança se um vídeo é de verdade ou como aquela plataforma escolheu aquele conteúdo ajuda a desenvolver um filtro crítico. Esse filtro funciona como um músculo que se fortalece à medida que é exercitado”, explica.
Nóbrega argumenta que proibições e palestras formais já não surtem efeito na rotina de uma geração habituada à velocidade das telas. Para ele, o caminho mais seguro é que os pais entrem no universo dos filhos para criar um canal aberto de diálogo. "O aprendizado de tecnologia precisa ser consistente e sem julgamentos. Essa postura estimula o jovem a ter senso crítico e a usar isso como seu principal mecanismo de defesa”, completa.
Os indícios de que algo está errado no ambiente digital frequentemente aparecem fora das telas. Levi orienta que os pais devem ficar atentos a mudanças bruscas de humor após o uso de um aplicativo, excesso de segredo sobre com quem estão conversando, isolamento de amigos do convívio e alterações no padrão de sono.
A falta de transparência em plataformas populares acende um sinal de alerta para que os pais adotem uma postura mais. “Se o seu filho usa um aplicativo e você não consegue explicar em uma frase como ele funciona, é hora de investigar. Tente descobrir quem é o dono da plataforma, como ela ganha dinheiro, quais dados exige e se o controle parental oferecido é real ou apenas simbólico”, finaliza o CRO da Volund.
Fundada em 2026, no Porto Digital, em Recife (PE), a Volund é uma empresa AI-native, pioneira em “engenharia de software agêntica”, que utiliza agentes de inteligência artificial para o desenvolvimento de softwares, desde o levantamento de requisitos até o código final, com intervenção humana focada apenas na supervisão estratégica, arquitetura e qualidade.
Pertencente ao Extreme Group, ecossistema brasileiro de tecnologia e inovação, fundado em 2014, que engloba as empresas EDS, EDX, Beyond, GPSit e Pointer. A startup entrega uma produtividade até 15 vezes superior ao método tradicional, sendo capaz de entregar projetos corporativos complexos em apenas 15 dias. A empresa também utiliza sua própria tecnologia na gestão interna por meio da Vitória, uma agente de IA que atua como Chief of Staff.
Com a meta de entregar mil projetos até 2030, a Volund tem como foco os setores de saúde, serviços financeiros e governo.