Cibersegurança

Riscos digitais: 6 dicas para pais protegerem os jovens contra fraudes invisíveis e golpes de IA

Especialista alerta que a fluência digital das crianças não garante segurança e ensina como os responsáveis podem desenvolver o senso crítico dos filhos no ambiente online

acritica.com
14/08/2026 às 10:08.
Atualizado em 14/08/2026 às 10:08

Segundo Levi Nóbrega, a Inteligência Artificial tornou os golpes visualmente indistinguíveis, o que torna o "modo automático" mais perigoso durante a navegação. (Foto: Divulgação)

A circulação de conteúdos manipulados por Inteligência Artificial já faz parte da rotina dos brasileiros. A pesquisa "Painel TIC – Integridade da Informação", do NIC.br e do CGI.br, mostra que 41% das pessoas com 16 anos ou mais afirmam ter contato diário com deepfakes, ou seja, áudio, imagens e vídeos falsos criados com IA. Em um cenário em que este material se torna cada vez mais convincente, crianças e adolescentes estão entre os públicos mais vulneráveis a fraudes e golpes digitais.

Para o engenheiro de computação Levi Nóbrega, CRO da Volund e CEO da Beyond, a familiaridade dos jovens com a tecnologia não significa que eles estejam preparados para reconhecer esses riscos. “Há estudos sobre o desenvolvimento do córtex pré-frontal que indicam que, antes dos 25 anos, a área do cérebro responsável pela avaliação de riscos ainda está em formação”, explica.

Nóbrega ressalta que, para muitos jovens, jogos e plataformas digitais são espaços de convivência e pertencimento. Essa conexão emocional pode reduzir a percepção de riscos e facilitar a ação de golpistas. Por isso, ele defende que a melhor estratégia de proteção é desenvolver o senso crítico e o letramento tecnológico  desde cedo.

“Os jovens são extremamente fluentes em usar a tecnologia. Eles abrem aplicativos e dominam muitas interfaces, mas isso não é a mesma coisa que entender tecnologia. Eles são pilotos sem ter tido uma aula de mecânica; não sabem o que está acontecendo ali debaixo do capô. Quando o ambiente é desenhado para ser viciante e extrair dados, ser fluente no uso não é suficiente e cria uma falsa sensação de segurança”.

Para ajudar pais e responsáveis a blindarem os jovens contra a coleta predatória de dados e as fraudes impulsionadas por IA, o especialista elenca 6 dicas fundamentais.

1. Entenda a diferença entre fluência e conhecimento

Saber operar um celular não significa compreender o seu funcionamento. O CEO da Beyond recomenda ensinar o jovem a trocar a pergunta de "como eu uso isso?" Pela reflexão crítica de "o que isso está ganhando comigo?". Ele ainda reforça que, se um aplicativo é gratuito, o pagamento está sendo feito com os dados do próprio usuário.

2. Cuidado redobrado com a biometria

Muitos jogos e redes sociais incentivam o compartilhamento de selfies, voz e impressões digitais. Os pais devem frear essa prática, pois dados biométricos são únicos. Levi explica que "Diferente de uma senha, você não pode trocar o teu rosto. Se a sua senha é exposta, você vai lá e muda. Se a sua biometria vaza, ela vazou para sempre."

3. Comece a educação digital cedo

O especialista aponta que a introdução a esses conceitos deve caminhar em paralelo com a alfabetização tradicional, por volta dos quatro ou cinco anos de idade, quando o contato com as telas costuma se intensificar. Em vez de aulas formais, a orientação deve ser inserida na rotina por meio de estímulos práticos e hábitos simples. "Indagar à criança se um vídeo é de verdade ou como aquela plataforma escolheu aquele conteúdo ajuda a desenvolver um filtro crítico. Esse filtro funciona como um músculo que se fortalece à medida que é exercitado”, explica.

4. Entre no mundo deles (sem julgamentos)

Nóbrega argumenta que proibições e palestras formais já não surtem efeito na rotina de uma geração habituada à velocidade das telas. Para ele, o caminho mais seguro é que os pais entrem no universo dos filhos para criar um canal aberto de diálogo. "O aprendizado de tecnologia precisa ser consistente e sem julgamentos. Essa postura estimula o jovem a ter senso crítico e a usar isso como seu principal mecanismo de defesa”, completa.

5. Observe os sinais comportamentais off-line

Os indícios de que algo está errado no ambiente digital frequentemente aparecem fora das telas. Levi orienta que os pais devem ficar atentos a mudanças bruscas de humor após o uso de um aplicativo, excesso de segredo sobre com quem estão conversando, isolamento de amigos do convívio e alterações no padrão de sono.

6. Investigue os ambientes digitais que eles frequentam

A falta de transparência em plataformas populares acende um sinal de alerta para que os pais adotem uma postura mais. “Se o seu filho usa um aplicativo e você não consegue explicar em uma frase como ele funciona, é hora de investigar. Tente descobrir quem é o dono da plataforma, como ela ganha dinheiro, quais dados exige e se o controle parental oferecido é real ou apenas simbólico”, finaliza o CRO da Volund.

Sobre a Volund

Fundada em 2026, no Porto Digital, em Recife (PE), a Volund é uma empresa AI-native, pioneira em “engenharia de software agêntica”, que utiliza agentes de inteligência artificial para o desenvolvimento de softwares, desde o levantamento de requisitos até o código final, com intervenção humana focada apenas na supervisão estratégica, arquitetura e qualidade.

Pertencente ao Extreme Group, ecossistema brasileiro de tecnologia e inovação, fundado em 2014, que engloba as empresas EDS, EDX, Beyond, GPSit e Pointer. A startup entrega uma produtividade até 15 vezes superior ao método tradicional, sendo capaz de entregar projetos corporativos complexos em apenas 15 dias. A empresa também utiliza sua própria tecnologia na gestão interna por meio da Vitória, uma agente de IA que atua como Chief of Staff.

Com a meta de entregar mil projetos até 2030, a Volund tem como foco os setores de saúde, serviços financeiros e governo.

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