Aquecimento no Oceano Pacífico acende alerta para estiagem e prejudica pesca e mobilidade no lago do Puraquequara
(Foto: Agência Brasil)
O início do segundo semestre traz um alerta para a região amazônica diante do risco de consolidação de um fenômeno El Niño de intensidade forte a muito forte. O cenário eleva a probabilidade de estiagem severa, calor extremo e redução no regime de chuvas, trazendo à tona impactos enfrentados pelas populações do interior em períodos recentes de vazante.
Na comunidade Menino Jesus, localizada na zona rural de Manaus, às margens do lago do Puraquequara, a diminuição das águas já altera o cotidiano de 32 famílias. Em um intervalo de apenas 20 dias, o nível do manancial recuou quase 1,20 metro, encolhendo o lago e comprometendo a pesca, que serve como principal fonte de sustento dos moradores locais.
Além da perda de renda na atividade pesqueira, o recuo do rio dificulta o deslocamento básico. Com os canais navegáveis secos, moradores precisam percorrer a pé trajetos de vários quilômetros até a estrada do Brasileirinho para conseguir transporte coletivo e adquirir mantimentos na área urbana.
O isolamento provocado pela vazante também traz reflexos na rotina escolar. O excesso de lama nas margens prejudica o trajeto das crianças até as unidades de ensino, gerando faltas que podem comprometer o cumprimento de condicionalidades de programas sociais, como o Bolsa Família. Diante das dificuldades de acesso e de captação de água potável, moradores relatam a necessidade de apoio de órgãos públicos e da abertura de poços artesianos.
Condições oceânicas e histórico das bacias
De acordo com análises climáticas, o aquecimento atípico e generalizado na faixa equatorial do Oceano Pacífico inibe a formação de nuvens sobre a Amazônia, resultando na diminuição drástica das precipitações ao longo dos meses subsequentes.
O alerta atual ocorre após sucessivas marcas negativas registradas nas bacias hidrográficas da região. Em 2024, rios como Negro, Solimões, Madeira, Purus e Amazonas registraram mínimas históricas. Levantamentos do Serviço Geológico do Brasil apontaram que 11 das 16 estações de monitoramento alcançaram as menores cotas observadas em mais de 120 anos de medições.