Comissão de Direitos Humanos visita Humaitá e Manicoré após relatos de violações; operações contra o garimpo já resultaram em destruição de dragas e confrontos na região
(Foto: Divulgação)
A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado iniciou na última quinta-feira (25) uma diligência nos municípios de Humaitá e Manicoré, no Amazonas, para apurar denúncias de abusos contra famílias ribeirinhas durante operações da Polícia Federal contra o garimpo ilegal.
De acordo com a Agência Senado, o pedido foi feito pelo senador Plínio Valério (PSDB-AM), que acompanha a missão ao lado da presidente da comissão, senadora Damares Alves (Republicanos-DF). A diligência busca verificar se houve excessos por parte dos agentes federais, como a destruição de embarcações utilizadas por famílias e impactos em crianças e adolescentes.
“Não respeitaram os direitos das crianças, dos adolescentes e de outros cidadãos. Vamos elaborar um relatório e encaminhar inclusive a organismos internacionais”, afirmou Damares, após ouvir relatos de conselheiros tutelares sobre violações de direitos durante as ações.
O tema tem gerado repercussão desde que operações da Polícia Federal no Sul do Amazonas - já noticiadas por A CRÍTICA - resultaram na destruição de dragas e balsas e em confrontos diretos com moradores.
Em Humaitá, moradores relataram o uso de gás lacrimogêneo e balas de borracha durante a queima de dragas em uma das operações (https://www.acritica.com/geral/operac-o-da-pf-contra-garimpo-ilegal-em-humaita-queima-dragas-e-gera-confronto-com-moradores-1.383735). Já em outra ofensiva no Rio Madeira, a PF destruiu 277 dragas, em uma ação estimada em R$ 38 milhões em prejuízos ao garimpo ilegal.
Prefeitos de municípios afetados também criticaram as operações, afirmando que as cidades foram “atacadas” durante a ação policial (https://www.acritica.com/politica/prefeitos-repudiam-ac-o-da-pf-no-amazonas-atacaram-a-cidade-1.383752). Outras reportagens já mostraram ainda como o garimpo ilegal se conecta a redes de tráfico e corrupção na região.
A diligência da CDH seguirá até esta sexta-feira (26), com reuniões em comunidades ribeirinhas e encontros com lideranças locais. Um relatório deve ser produzido e encaminhado a órgãos federais e internacionais.