Tarifaço

Tarifaço dos EUA deve ter impacto marginal na Zona Franca de Manaus

Para a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), o impacto do tarifaço de Trump sobre a ZFM é “marginal”.

Lucas dos Santos
18/07/2026 às 09:24.
Atualizado em 18/07/2026 às 09:24

(Foto: Agência Brasil)

Representantes do setor produtivo amazonense avaliaram que o novo tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos embaraça a economia brasileira e pode gerar impactos apenas indiretos à Zona Franca de Manaus (ZFM).

A gestão do presidente norte-americano Donald Trump decidiu sobretaxar uma série de produtos importados do Brasil em 25%, mas com uma lista de exceções de 2,1 mil itens, incluindo carne, café, laranja e peças para fabricação de aviões.

Para a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), o impacto do tarifaço de Trump sobre a ZFM é “marginal”.

Dados divulgados pela Sedecti mostram que a balança comercial entre a ZFM e os EUA é amplamente favorável aos americanos: “importamos deles quase 17 vezes mais do que exportamos”, ressaltou a secretaria em nota técnica.

Até junho deste ano foram 625 milhões de dólares em importações. E apenas 35,3 milhões de dólares de exportações para o país norte-americano.

“Ou seja, os EUA mantêm um superávit expressivo no comércio bilateral com a ZFM, o que significa que uma “guerra comercial” tende a ser mais desfavorável a eles e relativiza ainda mais qualquer efeito negativo à economia amazonense", disse a Sedecti.

MERCADO INTERNO

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, enfatizou que o modelo ZFM é historicamente direcionado para o abastecimento do mercado interno, de modo que exportações para os Estados Unidos “representam uma parcela reduzida do faturamento total do polo industrial”.

“Dessa forma, a nossa cadeia produtiva encontra-se protegida da taxação direta não por força intrínseca dos nossos incentivos fiscais, mas sim pela própria dinâmica de nossa balança comercial com aquele país. O modelo de isenção da ZFM atua rigorosamente na desoneração da nossa cadeia produtiva e na importação de componentes, não possuindo qualquer alcance jurídico para blindar produtos de tarifas alfandegárias aplicadas soberanamente no destino”, disse.

No entanto, Antonio Silva destacou que o principal risco está relacionado aos reflexos indiretos no restante do país diante da instabilidade geopolítica e na volatilidade cambial, “visto que uma eventual e contínua valorização do dólar, impulsionada pelo risco-país e pelas tensões diplomáticas, encarece diretamente a aquisição de insumos estrangeiros que sustentam o nosso modelo de produção”.

Sendo assim, o impacto sobre o Polo Industrial de Manaus (PIM) dependerá de como o Brasil reagirá ao tarifaço.

Presidente Donald Trump durante o anúncio do primeiro tarifaço ao Brasil que atingiu, em 2025, produtos como o café e a carne bovina depois recuou por conta da pressão inflacionária nos EUA

 Fecomércio aponta dificuldades

O diretor-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-AM), Aderson Frota, avaliou que a administração de Donald Trump tem se tornado algoz da economia brasileira, além de apresentar um comportamento instável: “ao mesmo tempo que quer ser aliado, depois quer ser algoz. Uma hora parte para agressão, depois recua”.

“O certo é que nós, brasileiros, nós temos um viés de responsabilidade, mas temos que ser criativos, porque esse tarifaço de 25% vai criar, em alguns setores da economia, grandes embaraços e dificuldades. Nós temos que ver o que repercute isso: aumento de custos e de preço, atinge a população. É realmente e inexplicavelmente injusto”, pontuou.

Segundo Frota, o segmento comercial está focado em fazer com que a economia não deixe de funcionar e não haja desemprego por conta das dificuldades criadas pelo tarifaço. Na avaliação do presidente, o setor deverá equilibrar custos e se esforçar para manter a empregabilidade.

Suframa acompanha desdobramentos

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) disse que acompanha com atenção os desdobramentos do anúncio do governo dos Estados Unidos sobre a aplicação de novas tarifas de importação a produtos brasileiros e seus possíveis reflexos para a economia nacional e, em especial, para a ZFM.

Disse que ainda é prematuro afirmar quais serão os impactos efetivos da medida sobre o Polo Industrial de Manaus (PIM). “A extensão dos efeitos dependerá da regulamentação definitiva das tarifas, da lista de produtos alcançados, das exceções previstas, do comportamento do mercado internacional e das eventuais medidas que venham a ser adotadas pelos governos brasileiro e norte-americano”.

A Suframa ressaltou que parte significativa da produção do PIM é destinada ao mercado interno brasileiro. Ainda assim, segmentos industriais integrados a cadeias globais de fornecimento ou empresas que mantêm relações comerciais com o mercado norte-americano poderão sentir efeitos indiretos, seja pela alteração nos custos de insumos, pela reorganização de fluxos comerciais ou por mudanças nas estratégias de investimento.

E afirmou manterá o monitoramento permanente do cenário, em diálogo com representantes do setor produtivo, entidades empresariais e órgãos do Governo Federal, buscando identificar eventuais impactos sobre a competitividade da Zona Franca de Manaus e contribuir tecnicamente para a avaliação de medidas que preservem o ambiente de negócios e o desenvolvimento regional.

Assuntos
Compartilhar
Sobre o Portal A Crítica
No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.
Portal A Crítica - Empresa de Jornais Calderaro LTDA.© Copyright 2026Todos direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por