Presidente diz que ofensiva militar foi histórica, anuncia controle do petróleo e permanência americana até transição “justa” de poder e não descarta nova onda de ataques
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3) que os ataques lançados contra a Venezuela tiveram como objetivo central a captura do presidente Nicolás Maduro e a imposição direta do poder militar americano sobre o que classificou como uma “ditadura ilegal”. As declarações foram feitas durante coletiva de imprensa, a primeira do republicano após a ofensiva militar realizada durante a madrugada em Caracas.
Trump descreveu a operação como uma das maiores demonstrações de força dos Estados Unidos em décadas e afirmou que o ataque neutralizou completamente a capacidade militar venezuelana. Segundo ele, não houve baixas entre militares americanos nem perda de equipamentos.
De acordo com Trump, a ofensiva utilizou forças “por ar, terra e mar” e teve como alvo uma área fortemente protegida no coração da capital venezuelana. “Foi um ataque que acho que as pessoas não viam desde a Segunda Guerra Mundial”, declarou. “Uma das exibições mais eficazes, surpreendentes e poderosas do poder americano e da competência dos nossos militares na história americana.”
O presidente afirmou que Maduro foi capturado “no escuro da madrugada”, com as luzes apagadas, graças ao que chamou de expertise das forças americanas. “Nenhuma nação no mundo poderia fazer o que os Estados Unidos fizeram ontem”, disse, ao elogiar a atuação conjunta das Forças Armadas e de agências policiais do país.
Durante a coletiva, Trump afirmou que Maduro e a esposa, Cilia Flores, já foram formalmente acusados no Distrito Sul de Nova York por crimes relacionados ao narcotráfico. “Maduro e sua esposa irão agora encarar o poder total da justiça americana”, afirmou. Segundo ele, o casal estaria a caminho dos Estados Unidos, com destino final a Nova York ou Miami, onde será definido o local do julgamento.
O presidente voltou a associar o governo venezuelano a organizações criminosas e acusou Maduro de comandar uma rede de “narcoterrorismo” responsável pela morte de milhares de pessoas. “A ditadura ilegal de Maduro foi um reinado de uma rede criminosa imensa”, disse. “Ele nunca mais vai ameaçar um cidadão americano ou o povo da Venezuela.”
Trump declarou que os Estados Unidos permanecerão na Venezuela até que haja uma “transição adequada” de poder. Segundo ele, o país será administrado provisoriamente para garantir estabilidade, segurança e justiça. “Nós estamos lá agora e ficaremos até que uma transição apropriada aconteça”, afirmou, ao defender a reconstrução do setor petrolífero venezuelano com investimentos de empresas americanas.
O presidente também deixou claro que a possibilidade de novos ataques não está descartada. “Estamos preparados para lançar uma segunda onda de ataques, uma muito maior, se for necessário”, disse. Trump reforçou que o embargo ao petróleo venezuelano segue em vigor e alertou líderes políticos e militares do país. “O que aconteceu com Maduro pode acontecer com eles”, afirmou.
Ao encerrar o discurso, Trump declarou que a ofensiva representa um marco na política externa americana. “A dominância americana no hemisfério ocidental nunca mais será questionada”, disse. Para ele, a operação torna os Estados Unidos e a região “mais seguros” e serve como um aviso a qualquer governo que ameace interesses ou cidadãos americanos.
Leia mais >>> Lula condena ataques dos EUA à Venezuela e classifica ação como violação do direito internacional