Histórias de famílias amazonenses mostram como carinho, ensinamentos e acolhimento deixam marcas
Hugueth Frota encontrou na criação da neta Jasmine um novo sentido na vida (Foto: Nilton Ricardo/AC)
Há quem ensine a pintar, goste de contar histórias da juventude ou passe adiante ensinamentos capazes de atravessar gerações. Para algumas famílias, ser avó é compartilhar experiências. Para outras, é recomeçar a maternidade quando a vida muda de rumo. Neste Dia dos Avós, celebrado neste domingo (26), histórias de famílias amazonenses mostram que esse vínculo vai muito além do carinho e se transforma em aprendizado, legado e acolhimento.
Foi entre telas, tintas e peças de cerâmica que a estudante de Psicologia Ada Manuela Bandeira, de 23 anos, cresceu observando a avó, a artista plástica Ada Assante, de 76 anos. Batizada em homenagem à avó, ela aprendeu, desde pequena, técnicas de pintura e cerâmica. Hoje, os papéis se invertem, e a neta também assume, de vez em quando, o papel de "professora", ajudando a avó a acompanhar as novidades da tecnologia e até temas ligados à psicologia.
Ada Assante diz que a neta sempre esteve muito próxima dela e, por isso, foi natural despertar o interesse pela arte. Sobre a homenagem de dividir o mesmo nome, ela conta que a notícia foi uma surpresa e motivo de muita felicidade. Aos 76 anos, afirma que continua aprendendo tanto quanto ensina.
A arte aproximou avó e neta desde a infância. Hoje, as duas seguem aprendendo uma com a outra (Foto: Daniel Brandão)
O legado também pode ser medido pelas vidas que uma avó ajuda a transformar. Aos 89 anos, Elisa Guimarães Ferreira é lembrada pela família não apenas pelo carinho dedicado aos netos, mas também pela atuação como parteira na comunidade Vila Feliz Nazaré, em Nova Olinda do Norte, interior do Amazonas.
O jornalista Jonathan Ferreira, de 28 anos, conta que a avó ajudou a trazer ao mundo inúmeras crianças em uma época em que o acesso aos serviços de saúde era escasso.
Em algumas famílias, ser avó significa assumir novamente a maternidade. Foi o que aconteceu com a assistente social Hugueth Frota, de 54 anos. Em 2021, durante a pandemia, ela perdeu a filha caçula, Dayna Kate, aos 26 anos. Desde então, passou a criar a neta Jasmine Estela, que tinha apenas um ano e cinco meses e hoje está com 7 anos.
Elisa Guimarães ajudou a trazer ao mundo gerações de amazonenses (Foto: Arquivo Pessoal)
Apesar da dor da perda nunca deixar de existir, Hugueth afirma que foi na missão de criar a neta que encontrou forças para seguir em frente.
Neste Dia dos Avós, a homenagem é para todos aqueles que, de diferentes formas, marcaram a vida de suas famílias. Para os que ainda podem ser abraçados e para os que vivem apenas na saudade. Porque algumas lembranças nunca se apagam.
Esta repórter, por exemplo, ainda se lembra da avó Maria Suzana pelos vestidos floridos de cetim, pelo perfume que ficava neles e pelo amor que o tempo não levou.
Os avós têm papel cada vez mais importante na dinâmica das famílias brasileiras. Embora o IBGE não tenha um levantamento específico sobre avós que criam os netos, pesquisas mostram mudanças na composição dos lares e no cuidado entre gerações.
A data homenageia Santa Ana e São Joaquim, considerados pela tradição cristã os pais de Maria e avós de Jesus Cristo.
Com o tempo, o 26 de julho passou a ser celebrado em diversos países como uma homenagem aos avós, reconhecendo o papel que desempenham na transmissão de valores, tradições, histórias e no fortalecimento dos vínculos familiares.
Mais do que cuidar dos netos, os avós ajudam a preservar a memória das famílias e a conectar diferentes gerações.