CONDUTA DOS MÉDICOS

Caso Benício: Creman vê indícios de falhas e abre processo contra médicos

Sindicância do Conselho Regional de Medicina do Amazonas aponta irregularidades em diferentes etapas do atendimento que resultou na morte do menino de 6 anos

Daniel Brandão
29/05/2026 às 13:53.
Atualizado em 29/05/2026 às 13:53

O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Creman) concluiu a sindicância sobre a conduta dos médicos envolvidos no atendimento que resultou na morte de Benício Xavier, de 6 anos, e apontou indícios de irregularidades e falhas que levarão os profissionais a responder a processo ético-profissional.

A informação foi detalhada pelo advogado de defesa da família Xavier, Ricardo Albuquerque, em entrevista à repórter Graziela Pinheiro, no programa Alô Cidade, da TV A CRÍTICA. De acordo com Albuquerque, o Creman julgou a sindicância e verificou a existência de indícios de irregularidades e falhas médicas em todas as fases do atendimento de Benício Xavier.

“Há indícios e há diversos médicos indiciados. Não apenas a doutora Juliana, mas médicos que participaram do atendimento do Benício durante a fase assistencial inicial e depois durante a UTI. Até mesmo médicos com função de coordenação. O Creman entendeu que há indícios e vão responder a processo ético-profissional”, explicou o advogado.

Em maio deste mês, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) concluiu o Inquérito Policial (IP) que investiga a morte de Benício Xavier, de 6 anos, e pediu o indiciamento da médica Juliana Brasil, da técnica em enfermagem Rayza Bentes e de outros dois diretores do Hospital e Pronto-Socorro Santa Júlia.

“Estamos pedindo ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) para sermos assistentes da acusação e estamos confiantes de que ainda neste mês tenhamos a denúncia por parte do MPAM, dada a gravidade do caso e as diligências do órgão”, salientou o advogado.

O inquérito apontou que houve uma sucessão de erros, desde a equipe médica e assistencial até a administração hospitalar, que resultaram na morte de Benício Xavier. Novos laudos periciais revelaram também tentativas de adulteração de provas, intensificando a pressão da família por justiça e pela conclusão do inquérito policial.

A reportagem de A CRÍTICA entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina do Amazonas para solicitar nota de imprensa sobre a sindicância e o processo ético-profissional de outros médicos envolvidos na morte de Benício Xavier. No entanto, até o fechamento desta reportagem, não obteve retorno.

Sobre o Caso Benício

Benício Xavier, de 6 anos, deu entrada no Hospital e Pronto-Socorro Santa Júlia no dia 22 de dezembro com sintomas de tosse seca e suspeita de laringite. Durante o atendimento, ele recebeu a prescrição médica com lavagem nasal, soro e xarope, além de três doses de adrenalina intravenosa de 3 ml a serem aplicadas no intervalo de 30 minutos entre cada uma, totalizando 9 ml.

Após receber a medicação, o quadro de Benício se deteriorou rapidamente, sendo encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após sofrer diversas paradas cardíacas. No entanto, ele não resistiu aos danos causados pela medicação e morreu.

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