Sindicância do Conselho Regional de Medicina do Amazonas aponta irregularidades em diferentes etapas do atendimento que resultou na morte do menino de 6 anos
O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Creman) concluiu a sindicância sobre a conduta dos médicos envolvidos no atendimento que resultou na morte de Benício Xavier, de 6 anos, e apontou indícios de irregularidades e falhas que levarão os profissionais a responder a processo ético-profissional.
A informação foi detalhada pelo advogado de defesa da família Xavier, Ricardo Albuquerque, em entrevista à repórter Graziela Pinheiro, no programa Alô Cidade, da TV A CRÍTICA. De acordo com Albuquerque, o Creman julgou a sindicância e verificou a existência de indícios de irregularidades e falhas médicas em todas as fases do atendimento de Benício Xavier.
Em maio deste mês, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) concluiu o Inquérito Policial (IP) que investiga a morte de Benício Xavier, de 6 anos, e pediu o indiciamento da médica Juliana Brasil, da técnica em enfermagem Rayza Bentes e de outros dois diretores do Hospital e Pronto-Socorro Santa Júlia.
“Estamos pedindo ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) para sermos assistentes da acusação e estamos confiantes de que ainda neste mês tenhamos a denúncia por parte do MPAM, dada a gravidade do caso e as diligências do órgão”, salientou o advogado.
O inquérito apontou que houve uma sucessão de erros, desde a equipe médica e assistencial até a administração hospitalar, que resultaram na morte de Benício Xavier. Novos laudos periciais revelaram também tentativas de adulteração de provas, intensificando a pressão da família por justiça e pela conclusão do inquérito policial.
A reportagem de A CRÍTICA entrou em contato com o Conselho Regional de Medicina do Amazonas para solicitar nota de imprensa sobre a sindicância e o processo ético-profissional de outros médicos envolvidos na morte de Benício Xavier. No entanto, até o fechamento desta reportagem, não obteve retorno.
Benício Xavier, de 6 anos, deu entrada no Hospital e Pronto-Socorro Santa Júlia no dia 22 de dezembro com sintomas de tosse seca e suspeita de laringite. Durante o atendimento, ele recebeu a prescrição médica com lavagem nasal, soro e xarope, além de três doses de adrenalina intravenosa de 3 ml a serem aplicadas no intervalo de 30 minutos entre cada uma, totalizando 9 ml.
Após receber a medicação, o quadro de Benício se deteriorou rapidamente, sendo encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após sofrer diversas paradas cardíacas. No entanto, ele não resistiu aos danos causados pela medicação e morreu.