Tradição que começou na Copa de 1982 transforma vizinhos em grande equipe e promove reencontros familiares
Título de rua da Copa foi dado por Galvão Bueno, durante transmissão de jogo da Seleção Brasileira pela televisão (Foto: Junio Matos)
Quando o relógio marcou 18h de quarta-feira (10), a tão esperada cerimônia de inauguração dos enfeites, pinturas e bandeiras teve início. A benção do padre Chicão ecoou na área tomada por torcedores apaixonados, curiosos e famílias. Entre esse último grupo, uma muito especial estava reunida em frente de casa relembrando o início dessa tradição, há 44 anos.
Entre as várias memórias, ela destacou aquela que “deu o título” de rua da copa. É que durante uma das edições do mundial, o então narrador de futebol da Rede Globo, Galvão Bueno, a batizou com esse apelido durante uma transmissão. Mas se perguntar para a Taynah qual é o maior título da Santa Izabel, ela responde que é o de mantenedora, aquela que tem a função de manter os laços familiares.
“Para mim, o sentimento da copa é diferente. A copa une e aqui eu tenho uma sensação de reunião de família, de encontrar parentes que não vejo há tempos. Esse é um dos momentos que eu mais gosto”, destacou.
Familia é uma palavra forte na Santa Isabel, o conceito parecer significar algo que é construído dentro do lar e ofertado para quem está do outro lado da porta de casa, dos portões, das janelas. Foi assim que surgiu um dos pontos turísticos da rua, um fusca amarelo, mas que em tempos de copa fica também verde, azul e totalmente estilizado. Quem tira foto com o veículo nem sempre conhece o tamanho da história do professor aposentado Aldemir Câmara.
Câmara conta que a ideia partiu da esposa que, depois de se mudar do interior para a capital, usava o carro como “modelo” para técnicas de artesanato que estava aprendendo. A decoração variava de acordo com a festa e começou com adereços da quadrilha junina. Logo veio um período de Copa e então sobrinhos, netos e filhos perceberam que o ato já fazia parte da família.
“Em 2014 fizemos uma pintura boa, mas em 2018 foi que a cor pegou. O fusca tem 51 anos e faz parte da rua, é patrimônio, pelo menos me dizem aqui. É um prazer nosso, a rua tem muitas atrações e ele é uma delas. Me sinto feliz, tô aqui desde 1970”, disse.
Família de Taynah dos Reis está entre primeiras patrocinadoras da decoração (Foto: Lucas Motta)
E esse espírito que torna todo mundo meio que membro da mesma família segue se renovando. Flávia Marinho é exemplo. Formada em Marketing, ela mora há 12 anos no local e, nesta Copa, se tornou a porta-voz oficial da comunidade.
Sempre que aparece uma demanda nova, é ela que está “no jogo” com carisma e a ciência do peso de representar uma tradição de 44 anos. O desejo de tornar ela ainda maior já estava vibrando de verde e amarelo na Flávia: para atrair mais e mais pessoas, os jogos do Brasil vão ser transmitidos de forma gratuita na Santa Isabel. A programação pode ser acompanhada pela @ruasantaisabel2026.