Polícia Civil tem registros de que milicianos do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, estariam vendendo armas para a facção Primeiro Comando da Capital (PCC), comprometendo a segurança do Estado
(Foto: Gilson Melo/Freelancer)
O contrabando de armas de grosso calibre, como o fuzil AK-47 da Venezuela, pela facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) preocupa delegados da Polícia Civil do Amazonas que atuam na repressão ao crime organizado e ao tráfico de drogas no Estado. Há registro e informações confirmadas de que milicianos do presidente venezuelano, Nícolás Maduro, estão vendendo armas para o crime organizado, especialmente para o PCC.
Conforme o diretor do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), delegado Guilherme Torres, não era esperado que a crise na Venezuela atingisse o Amazonas no quesito segurança pública. Mas o que se vê neste momento é um cenário diferente: a polícia amazonense tem o conhecimento de que o presidente do país vizinho treinou 500 mil milicianos com a justificativa de proteger a soberania da Venezuela contra os Estado Unidos da América (EUA), e deu para eles fuzis AK-47. Segundo a polícia, Maduro tem a pretensão de treinar mais 500 mil milicianos.
De acordo com Torres, a maioria dos milicianos de Maduro são pessoas muito pobres que, para não passarem fome, preferem vender essas armas para o crime organizado por um bom preço. O delegado não descarta a possibilidade de que o Amazonas se torne rota para o contrabando de armas, já que elas podem chegar ao Estado por via terrestre pela BR 174, que liga Manaus a Boa Vista (RR).
Guilherme Torres explicou que a Venezuela tem o trânsito aberto por Roraima e que não só elas podem passar por aqui como também podem ficar no Amazonas.
Artilharia pesada das Farc
A preocupação, segundo o delegado Guilherme Torres, é porque dessa forma as facções vão ficar mais armadas. De acordo com a polícia, os fuzis apreendidos nos últimos meses no Amazonas serviam para fazer a segurança de remessas de droga que entram pela tríplice fronteira. A maioria deles eram de guerrilheiros das Forças revolucionárias da Colômbia (Farc), que ao invés de entregá-las ao governo colombiano, conforme acordo firmado, preferem vender para os narcotraficantes.
“O PCC atua com artilharia pesada, armas de grosso calibre, com explosivo, e fazem roubos a bancos”, afirmou Torres, destacando que os fuzis usados pelas milícias venezuelanas são novos e modernos. Na semana passada, dois homens foram presos com um fuzil AK-47 no bairro Jorge Teixeira, na Zona Leste. Mas conforme o delegado, a arma é antiga e não pertenceria à Venezuela.
PCC sem ‘expressão’ no AM
Conforme Guilherme Torres, no Amazonas os membros da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) ainda são poucos e diminuiu mais depois do massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) em janeiro do ano passado, quando 56 detentos foram mortos, grande parte do PCC.
Ainda conforme o delegado, a facção tem uma liderança sem expressão já que o líder Ismale Reis de Sena, 29, foi preso no mês passado em cumprimento a mandado de prisão por tráfico de drogas. De acordo com investigações, ele comanda uma área de tráfico no bairro Nossa Senhora de Fátima, na Zona Norte.
O delegado do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), Paulo Mavignier disse que o PCC não tem força no Amazonas. Mas de acordo com ele, há informações confirmadas de que o PCC quer se firmar no tráfico recrutando os “piratas” que atuam no rio Solimões, entre os municípios de Coari e Tefé. “Isso é preocupante. Não podemos deixar que a facção tome conta das nossas fronteiras”, afirmou o delegado do Denarc.
O delegado Paulo Mavignier disse que a polícia tem conhecimento de que o PCC tem interesse em crescer na região, semelhante ao que está fazendo hoje na fronteira com o Paraguai, dominando a entrada de armas e de maconha, mas que o tráfico está sendo combatido.