A quantidade de sepultamentos de janeiro foi tão grande que ultrapassou a soma dos dois meses considerados como pior momento da primeira onda da pandemia, em 2020
(Foto: Junio Matos)
O número de sepultamentos em Manaus no mês de janeiro superou a soma dos meses de abril e maio de 2020 - que até então haviam sido os recordistas em enterros na história da capital amazonense. Foram 4601 sepultamentos no primeiro mês de 2021, contra 4332 na somatória de abril e maio passados.
A média mostra uma realidade ainda mais assustadora - e é mais um elemento indicativo da gravidade da pandemia no Amazonas como um todo e especialmente em Manaus, a cidade mais afetada. São 148 enterros nos cemitérios de Manaus, somando os públicos e privados, por dia, em média. Em abril, quando ocorreram 2433 sepultamentos, a média ficou em 81. Em maio, com 1899 enterros, a média diária foi de 61.
No ano passado, foram sepultadas 13279 pessoas na capital amazonense, uma média mensal de 1106 que foi muito impulsionada justamente por abril e maio - os dois únicos meses em que a média foi superada (dezembro ficou bem próximo, com 1085 enterros, o que já era um indicativo do que estava por vir nesta segunda onda). O total de enterros registrado em janeiro é o equivalente a 34% de todos os sepultamentos de Manaus no ano passado.
No dia 7 de janeiro, o prefeito David Almeida afirmou, em entrevista à CNN Brasil, que Manaus tinha vagas para dois ou três meses. A cidade vinha de uma média diária em dezembro de pouco menos de 35 sepultamentos mensais - que já era a terceira maior do ano anterior. Agora, esta média foi pulverizada. As seis mil covas que devem ser construídas em caráter emergencial são no formato vertical, para comportar a maior quantidade de caixões em um menor espaço físico.
MORTES EM CASA
Um dado que também chama atenção ao analisar os números do mês de janeiro em Manaus é o das mortes em domicílio - que tiveram um aumento significativo em um mês que uma parcela da população transformou suas casas em hospitais por falta de vagas nas unidades de saúde públicas e privadas.
Foram 648 pessoas que morreram em suas próprias casas neste mês de janeiro, o que representa 14% do total dos sepultamentos em Manaus. Além daqueles que morreram em casa enquanto buscavam tratamento da maneira que era possível, há ainda os que morreram sem sequer serem atendidos - uma cena do início da pandemia no Amazonas que voltou a ser frequente no último mês.
No total, o Amazonas tem 8266 mortes por Covid-19. Somente em Manaus, são 5693 óbitos, uma taxa de letalidade de 4,71%.