Retorno

Empresas retornam aos poucos enquanto bombeiros ainda atuam na Innova

Vazamento de produto químico exalou cheiro forte para vários bairros de Manaus e levou trabalhadores a procurar atendimento hospitalar

Lucas dos Santos
17/07/2026 às 13:52.
Atualizado em 17/07/2026 às 13:52

(Foto: Junio Matos/A CRÍTICA)

As empresas próximas à unidade da Innova afetada pelo vazamento de monômero de estireno vem retomando suas atividades gradualmente enquanto o Corpo Militar de Bombeiros do Amazonas (CBMAM) segue no processo de resfriar o tanque da Innova que superaqueceu na tarde de quarta-feira (15). O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, informou que as indústrias vêm “retornando aos poucos e mensurando os riscos”.

Segundo ele, 70% da situação já estava sob controle. Questionado sobre os impactos financeiros de praticamente dois dias de paralisação nas indústrias próximas à Innova, o presidente da Fieam afirmou que se tratava de uma questão muito interna das empresas, que ainda devem contabilizar o prejuízo.

“Ainda não temos essa numerologia, é muito interno por conta de ter de mensurar as paralisias, principalmente no caso da Honda”, disse.

Na manhã dessa quinta-feira (16), dez empresas haviam liberado os trabalhadores em virtude do cheiro forte e de relatos de funcionários sentindo-se mal por conta do vapor do monômero de estireno. Pouco tempo depois, o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas (Sindmetal-AM) pressionou as empresas e o número subiu para 20. Nesta sexta, os representantes continuaram a cobrar as autoridades para emitirem um parecer técnico conclusivo sobre o vazamento.

“A orientação permanece: todo trabalhador ou trabalhadora que apresentar dor de cabeça, tontura, náusea, irritação nos olhos, dor de garganta, dificuldade para respirar, desmaio ou qualquer outra alteração no estado de saúde deve procurar imediatamente atendimento médico. É importante realizar os exames indicados e guardar atestados, laudos, receitas e demais documentos relacionados ao atendimento”, concluiu.

Atuação continua

No final da manhã, em declaração à imprensa, o comandante do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, informou que os agentes estão monitorando as empresas no entorno da Innova para verificar se ainda havia presença do gás químico. Segundo ele, já não foi detectada ocorrência nas instalações da Moto Honda e da Elgin.

“Esse gás tem o peso molecular maior que o ar, ele é muito denso. Portanto, ele caminha em blocos. É possível que uma pessoa sinta o odor aqui e uma que esteja a cinco metros dela, por exemplo, não sinta. Ele não é tão volátil e não se dispersa com muita facilidade. Então, há necessidade de um tempo para que o gás se dissipe na atmosfera”, explicou.

O coronel, no entanto, ressaltou que o alerta de evacuação para locais num raio de 300 metros do incidente ainda permanece, fazendo com que as empresas localizadas logo ao lado da Innova fiquem vazias por ora. Uma delas é o Depot da Super Terminais, onde são armazenados os contêineres vazios. Em nota divulgada nas redes sociais, a empresa ressaltou que o recebimento dos itens no local está suspenso.

“Em caráter excepcional, o recebimento de contêineres vazios será realizado em nosso Pátio 9. Durante esse período, será realizada exclusivamente a devolução de contêineres vazios (importação) por agendamento via websag. Não haverá operação de retirada de contêineres vazios para exportação. Informamos, ainda, que o Porto Super Terminais permanecerá operando normalmente”, esclareceu a nota.

O diretor-presidente do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Gustavo Picanço, informou que a autarquia cobrou da Innova a apresentação de relatórios da qualidade do ar e vem acompanhando o caso junto ao Corpo de Bombeiros. Até o momento, não foi lavrado nenhum auto de infração por parte do instituto.

“Uma das pendências que a empresa já está contribuindo são: análise da qualidade do ar e da qualidade da água. A gente também está analisando como vai ser lançado esse efluente, como vai ser tratado e descartado. Nós do Ipaam estamos lá com a nossa equipe em tempo real junto ao comitê de crise”, completou.

Controle

A empresa também foi visitada por uma comitiva da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), a qual verificou que o vazamento já estava controlado.

O diretor industrial da Innova, Christian Barg, explicou que a indústria executou o sistema de combate e agora está em fase de resfriamento final do tanque, cuja parte interna ainda permanece aquecida. O trabalho vem após a contenção dos gases, que foram liberados em grande quantidade no começo do vazamento.

“Acabei de ter uma reunião com o comando da brigada de incêndio, dos bombeiros, o que a gente está ajustando agora, a partir de recursos que a gente conseguiu mobilizar ao longo do dia de ontem permitiram agora aumentar bastante o fluxo para o resfriamento do tanque e evitando também que tenha outros tipos de problemas, como emanação de efluentes ou de gases para o ambiente”, disse.

Questionado pelo superintendente Leopoldo Montenegro quais precauções ainda deveriam ser tomadas pela população, Christian Barg reiterou as recomendações já publicadas na imprensa de não se aproximar de locais onde haja a exposição ao produto. Pessoas que tenham sentido o odor e apresentado sintomas devem buscar atendimento médico.

“Nós estamos aqui trabalhando para cessar 100% de qualquer emanação. Esse trabalho vem ocorrendo desde o evento e precisa de ajustes à medida da evolução da ocorrência. A gente espera ao longo do dia de hoje ter uma evolução mais positiva”, completou.

Dois dias

O vazamento do monômero de estireno na atmosfera vem mobilizando o poder público desde quarta-feira. Trabalhadores e moradores relataram um cheiro forte semelhante a tíner e gás de cozinha, o qual foi sentido ao longo de três zonas da capital amazonense.

Em nota no momento da ocorrência, a Innova informou que um dos tanques de monômero de estireno da unidade IV sofreu reação química. A brigada de incêndio foi imediatamente mobilizada e atua na contenção. Não há vítimas". Por conta do vazamento, aulas e serviços próximos ao local precisaram ser suspensos temporariamente.

O secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Fransuá Matos, informou durante entrevista ao programa 17 Horas, da TV A Crítica, que a petroquímica foi multada em R$ 4,5 milhões em razão da emissão dos gases.

Questionado pelo superintendente Leopoldo Montenegro quais precauções ainda deveriam ser tomadas pela população, Christian Barg reiterou as recomendações já publicadas na imprensa de não se aproximar de locais onde haja a exposição ao produto. Pessoas que tenham sentido o odor e apresentado sintomas devem buscar atendimento médico.

“Nós estamos aqui trabalhando para cessar 100% de qualquer emanação. Esse trabalho vem ocorrendo desde o evento e precisa de ajustes à medida da evolução da ocorrência. A gente espera ao longo do dia de hoje ter uma evolução mais positiva”, completou.

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