O advogado e voluntário do Mosaico, Francisco Patrick Chagas, contou com exclusividade ao A Crítica sobre a participação no estudo global
(Foto: Reprodução/Internet)
"Por Cazuza. Por Fred Mercury. Por Renato Russo. Por todos os gays, as travestis e os bissexuais que foram estigmatizados como os portadores da praga da AIDS, principalmente nos anos 80 e 90. Por todas as pessoas, heterossexuais e homossexuais, que morreram com AIDS. Pelos profissionais da ciência que se dedicam em salvar vidas e pelas gerações vindouras, eu decidi ser voluntário da pesquisa #mosaico", publicou o advogado amazonense, Francisco Patrick Chagas, de 28 anos, ao receber dose da vacina em teste contra HIV-1, em Manaus.
Ele faz parte de um dos mais sérios estudos dos últimos 200 anos na ciência, que projeta eficácia da vacina contra o vírus HIV-1. Francisco Patrick, contou com exclusividade ao A Crítica sobre participação no Mosaico. Pesquisa que começou nos Estados Unidos, em 2019, e agora está sendo realizada em oito países de três continentes: Europa, América do Norte e do Sul.
"Eu decidi participar da pesquisa Mosaico pois vislumbrei uma fresta de esperança nesse marasmo de negação e omissão que vivemos. Para mim, dói saber que muitos partiram sem a mínima esperança de cura ou tratamento, tendo em vista que a AIDS era ignorada por ser tida como uma praga dos homossexuais", conta Patrick.
Foto: voluntário recebe dose da vacina em teste contra HIV em Manaus
A pesquisa reúne 3.800 homens que possuem relações com parceiros e pessoas transgênero com idade entre 18 e 60 anos. Esses grupos foram selecionados porque são os mais afetados pelo HIV no Brasil. O regime de vacina experimental sendo testado no estudo foi desenvolvido pela Janssen Pharmaceutical Companies da Johnson & Johnson e seu consórcio de parceiros globais.
Segundo o estudo, atualmente, 38 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com HIV e em 2019 houve 1,7 milhões de novas infecções por HIV-1. No Brasil, foram 41.909 novos casos. Os dados do ano passado ainda estão sendo reunidos, mas a tendência de de aumento de novas infecções em escala mundial.
Para participar, os participantes do estudo precisam estar sem a presença do vírus, ou com resultado negativo em testes. Não participam pessoas que fazem uso da "Profilaxia Pré-Exposição". Se o Mosaico conseguir mostrar que o regime de vacinas do estudo funciona, será um passo muito importante no caminho para encontrar uma vacina segura e eficaz para a prevenção do HIV.
"A epidemia da AIDS já perdura por 4 décadas e muitas pessoas se foram ou perderam seus amados. Ao saber da possibilidade de uma vacina preventiva, me senti na obrigação de me voluntariar em prol de uma saúde mais digna para todos, os presentes e as gerações futuras", explica Patrick.
De acordo com a plataforma Mosaico, os participantes serão acompanhados nos próximos passos, que incluem assistência médica e acompanhamento da saúde mental dos voluntários.
HIV no Amazonas
Conform o Ministério da Saúde, o Amazonas apresentou redução no número de diagnósticos de HIV nos oito primeiros meses de 2020, de acordo O governo considera que a redução ocorreu em razão da pandemia de Covid-19, que pode ter afastado pessoas dos postos de saúde, que realizam testes grautitos.
Até agosto de 2020 foram diagnosticados 632 casos de HIV no estado. No mesmo período de 2019, foram 1.630 casos.
"Atualmente, as pessoas que vivem com HIV já tem uma vida saudável e normal, porém o ideal é a cura, e a cada dia estamos mais próximos", finaliza Francisco Patrick.
*Colaborou Amariles Gama