Capital amazonense recebe projeto que direcionará pesquisa em 2028 ao lado de outras quatro cidades brasileiras
Ao todo cinco cidades brasileiras, uma de cada região do país, receberão o projeto piloto (Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA)
Manaus foi escolhida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para representar a região Norte no projeto piloto para a construção do Censo Nacional da População em Situação de Rua, que deverá ir a campo em julho de 2028. Nas demais regiões, o piloto atuará nas cidades de Goiânia (GO) no Centro-Oeste, Salvador (BA) no Nordeste, Belo Horizonte (MG) no Sudeste e Florianópolis (SC) no Sul do país.
De acordo com a autarquia, o piloto deverá ocorrer entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro deste ano para testar metodologias, tecnologias e operações de campo necessárias para a contagem oficial daqui a dois anos.
Segundo o presidente nacional do IBGE, Marcio Pochmann, o intuito da pesquisa a nível nacional, para além da contagem, é verificar a influência das diferentes cidades e biomas no contexto da população de rua.
“Manaus é representativa de uma parte importante do Brasil que convive com a realidade de uma população que vive em situação de rua e que tem, em síntese, especificidades que se associam à migração, um fenômeno importante, mas recente, que ganha dimensão no nosso país. E a realidade daqui é obviamente diferente de outras que temos no Brasil”, disse.
Marcio Pochmann, presidente nacional do IBGE
Pochmann ressaltou que o pré-teste para o Censo dará ao IBGE uma dimensão mais adequada da realidade nacional, além da forma de como abordar as pessoas em situação de rua na pesquisa oficial em 2028.
Para a gerente de Povos e Comunidades Tradicionais e Grupos Populacionais Específicos do órgão, Marta Antunes, a pesquisa tem o objetivo de tirar essa população da invisibilidade, inclusive para saber sobre a existência ou não dela nos municípios brasileiros.
“A gente organiza em zonas de coleta de acordo com o dia que iremos fazer. Estamos dividindo a coleta em quatro dias, considerando a mobilidade da população de rua. Muitos países fazem em um dia, mas sabemos que no Brasil isso não vai funcionar. A gente tenta trabalhar cada zona onde a mobilidade é mais interna, onde tem divisões naturais, para que a gente tente não duplicar tanto a pessoa recenseada. Todo esse trabalho está sendo feito pela nossa base territorial com as prefeituras, com os movimentos sociais e com a Pastoral”, disse.
Marta Antunes, gerente de Povos e Comunidades Tradicionais Grupos Populacionais Específicos do IBGE
A assistente social Graça Prola, subsecretária de Políticas Afirmativas para as Mulheres e de Direitos Humanos na Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), informou que a Prefeitura de Manaus já é uma parceira do IBGE e continuará os trabalhos durante a realização do Censo, orientando os técnicos, por exemplo, na abordagem à população de rua, ponto em que o município possui experiência.
“Nossa base oficial de dados é o Cadastro Único. Lá, temos 1.762 pessoas autodeclaradas como população em situação de rua. Desse quantitativo, o maior número é do sexo masculino. De idosos, até a última contagem que nós fizemos em junho do ano passado, tínhamos 43 pessoas maiores de 60 anos em situação de rua, umas intermitentes entre casa e rua e outras efetivamente morando na rua, principalmente na área da Manaus Moderna”, disse.
Graça Prola, assistente social e subsecretária de Políticas Afirmativas para as Mulheres e de Direitos Humanos na Semasc
Questionada pela reportagem quais políticas são adotadas pelo município em prol da população em situação de rua, que deverão ser ampliadas após a realização do Censo, a subsecretária afirmou que Manaus já possui iniciativas públicas como o Plano Municipal de Políticas Públicas e Direitos Humanos para a População em Situação de Rua, que envolve todas as pastas da gestão e a sociedade civil.
“Na saúde, por exemplo, temos o tratamento das doenças endêmicas: tuberculose, infecções sexualmente transmissíveis e outras doenças e agravos que trazem para nós. Na parte da justiça e direitos humanos, garantir que eles possam viver sem serem violentados na rua”, explicou.
Para dar seguimento a operação, o IBGE classificou como pessoas em situação de rua aquelas que dormiram nas ruas, instituições ou ocupações não residenciais por pelo menos uma noite nos últimos sete dias, considerando a data de referência para a coleta.
O anúncio da pesquisa foi dado durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (30).
A prova piloto consistirá em quatro fases focadas na coleta de insumos para definir os roteiros, definição das zonas de coleta e validação das perguntas pelos parceiros locais. Os participantes do piloto incluem observadores vinculados às superintendências estaduais do IBGE, os parceiros institucionais e as equipes encarregadas da execução das atividades.