Operação

Manaus representa Norte em piloto para censo de pessoas em situação de rua

Capital amazonense recebe projeto que direcionará pesquisa em 2028 ao lado de outras quatro cidades brasileiras

Lucas dos Santos
30/06/2026 às 15:54.
Atualizado em 30/06/2026 às 15:54

Ao todo cinco cidades brasileiras, uma de cada região do país, receberão o projeto piloto (Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA)

Manaus foi escolhida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para representar a região Norte no projeto piloto para a construção do Censo Nacional da População em Situação de Rua, que deverá ir a campo em julho de 2028. Nas demais regiões, o piloto atuará nas cidades de Goiânia (GO) no Centro-Oeste, Salvador (BA) no Nordeste, Belo Horizonte (MG) no Sudeste e Florianópolis (SC) no Sul do país.

De acordo com a autarquia, o piloto deverá ocorrer entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro deste ano para testar metodologias, tecnologias e operações de campo necessárias para a contagem oficial daqui a dois anos.

Segundo o presidente nacional do IBGE, Marcio Pochmann, o intuito da pesquisa a nível nacional, para além da contagem, é verificar a influência das diferentes cidades e biomas no contexto da população de rua.

“Manaus é representativa de uma parte importante do Brasil que convive com a realidade de uma população que vive em situação de rua e que tem, em síntese, especificidades que se associam à migração, um fenômeno importante, mas recente, que ganha dimensão no nosso país. E a realidade daqui é obviamente diferente de outras que temos no Brasil”, disse.

Marcio Pochmann, presidente nacional do IBGE

Pochmann ressaltou que o pré-teste para o Censo dará ao IBGE uma dimensão mais adequada da realidade nacional, além da forma de como abordar as pessoas em situação de rua na pesquisa oficial em 2028.

Para a gerente de Povos e Comunidades Tradicionais e Grupos Populacionais Específicos do órgão, Marta Antunes, a pesquisa tem o objetivo de tirar essa população da invisibilidade, inclusive para saber sobre a existência ou não dela nos municípios brasileiros.

“A gente organiza em zonas de coleta de acordo com o dia que iremos fazer. Estamos dividindo a coleta em quatro dias, considerando a mobilidade da população de rua. Muitos países fazem em um dia, mas sabemos que no Brasil isso não vai funcionar. A gente tenta trabalhar cada zona onde a mobilidade é mais interna, onde tem divisões naturais, para que a gente tente não duplicar tanto a pessoa recenseada. Todo esse trabalho está sendo feito pela nossa base territorial com as prefeituras, com os movimentos sociais e com a Pastoral”, disse.

Marta Antunes, gerente de Povos e Comunidades Tradicionais Grupos Populacionais Específicos do IBGE

Políticas

A assistente social Graça Prola, subsecretária de Políticas Afirmativas para as Mulheres e de Direitos Humanos na Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), informou que a Prefeitura de Manaus já é uma parceira do IBGE e continuará os trabalhos durante a realização do Censo, orientando os técnicos, por exemplo, na abordagem à população de rua, ponto em que o município possui experiência.

“Nossa base oficial de dados é o Cadastro Único. Lá, temos 1.762 pessoas autodeclaradas como população em situação de rua. Desse quantitativo, o maior número é do sexo masculino. De idosos, até a última contagem que nós fizemos em junho do ano passado, tínhamos 43 pessoas maiores de 60 anos em situação de rua, umas intermitentes entre casa e rua e outras efetivamente morando na rua, principalmente na área da Manaus Moderna”, disse.

Graça Prola, assistente social e subsecretária de Políticas Afirmativas para as Mulheres e de Direitos Humanos na Semasc

Questionada pela reportagem quais políticas são adotadas pelo município em prol da população em situação de rua, que deverão ser ampliadas após a realização do Censo, a subsecretária afirmou que Manaus já possui iniciativas públicas como o Plano Municipal de Políticas Públicas e Direitos Humanos para a População em Situação de Rua, que envolve todas as pastas da gestão e a sociedade civil.

“Na saúde, por exemplo, temos o tratamento das doenças endêmicas: tuberculose, infecções sexualmente transmissíveis e outras doenças e agravos que trazem para nós. Na parte da justiça e direitos humanos, garantir que eles possam viver sem serem violentados na rua”, explicou.

Operação

Para dar seguimento a operação, o IBGE classificou como pessoas em situação de rua aquelas que dormiram nas ruas, instituições ou ocupações não residenciais por pelo menos uma noite nos últimos sete dias, considerando a data de referência para a coleta.

O anúncio da pesquisa foi dado durante coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (30).

A prova piloto consistirá em quatro fases focadas na coleta de insumos para definir os roteiros, definição das zonas de coleta e validação das perguntas pelos parceiros locais. Os participantes do piloto incluem observadores vinculados às superintendências estaduais do IBGE, os parceiros institucionais e as equipes encarregadas da execução das atividades.

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