Operação Erga Omnes aponta infiltração no Judiciário, lavagem de dinheiro e atuação de organização criminosa ligada ao tráfico interestadual
Policiais civis durante cumprimento de mandados da Operação Erga Omnes, que investiga organização criminosa ligada ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e infiltração no Judiciário no Amazonas (Foto: Arquivo/Mauro Neto/Secom)
O Ministério Público do Amazonas (MPAM) denunciou 16 pessoas investigadas por organização criminosa, tráfico e associação para o tráfico interestadual, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e violação de sigilo funcional no âmbito da Operação Erga Omnes, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) em fevereiro deste ano.
Segundo o MPAM, a investigação identificou uma organização criminosa apontada como braço operacional da facção Comando Vermelho em Manaus, com atuação no tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e infiltração em estruturas públicas para obtenção de informações sigilosas de processos judiciais.
As denúncias foram apresentadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPAM) à Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes (Vecute), do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
Entre os denunciados estão Allan Kleber Bezerra Lima, apontado como líder da organização criminosa, além de Bruno Alexandre da Silva Candeira, Messias Daniel da Silva Alves, Antonia Fabiane Silva Pinho, Patricia Chagas Bezerra, Lucila Meireles Costa, Nubia Rafaela Silva de Oliveira, Izadir Moreno Barros, Adriana Almeida Lima, Josafa de Figueiredo Silva, Osimar Vieira Nascimento, Luana Ferreira Tavares, Bruno Renato Gatinho Araújo, Ronilson Xisto Jordão, Daniel da Silva Sansereth e Carlos Victor Vieira da Silva.
(Foto: Divulgação)
A organização criminosa
De acordo com as investigações, a estrutura do grupo foi identificada após a prisão em flagrante de Bruno Alexandre da Silva Candeira e da colaboração de Messias Daniel da Silva Alves, que apontaram Allan Kleber Bezerra Lima como líder da organização criminosa.
Segundo o MPAM, Allan Kleber mantinha, com apoio da advogada Nubia Rafaela Silva de Oliveira e de Lucila Meireles Costa, um esquema de pagamento de propina ao servidor Izadir Moreno Barros para obtenção de informações sigilosas de processos que tramitavam em segredo de Justiça.
Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também apontaram movimentações financeiras consideradas atípicas em empresas ligadas a Allan Kleber. Conforme a investigação, as empresas eram utilizadas para movimentação de recursos ilícitos, transferências bancárias para traficantes de outros estados e pagamento de propina a servidores públicos.
Ainda conforme o MPAM, Antonia Fabiane Silva Pinho e Patricia Chagas Bezerra, respectivamente esposa e mãe de Allan Kleber, também integravam o esquema investigado.
O órgão afirma ainda que o grupo mantinha uma “rede multifacetada que transcendia a traficância ordinária”, envolvendo corrupção de advogados e agentes públicos, violação de sigilo funcional e lavagem de dinheiro.
Estrutura da organização
Outros investigados
Entre os investigados que ainda não foram denunciados estão Anabela Cardoso Freitas, Alcir Queiroga Teixeira Júnior, Sander Galdencio Candido de Brito, Cristiano Luan da Silva Cacau e José Edmilson de Vasconcelos Júnior.
Em relação a eles, o MPAM solicitou a substituição das prisões preventivas por medidas cautelares diversas.
Anabela Cardoso Freitas foi solta na manhã desta sexta-feira (15), no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), na avenida Coronel Teixeira, bairro Santo Agostinho, zona Oeste de Manaus, após habeas corpus concedido pelo ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na noite de quinta-feira (14).
Ex-chefe de gabinete do ex-prefeito de Manaus, David Almeida, Anabela foi presa em fevereiro deste ano durante a Operação Erga Omnes, que apura a atuação de um suposto núcleo político e financeiro ligado ao crime organizado no Amazonas.
Deflagrada em 20 de fevereiro deste ano, a Operação Erga Omnes resultou no cumprimento de 13 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão.
Segundo a Polícia Civil, a investigação apura a atuação de uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional.
A operação contou com apoio integrado das forças de segurança dos estados do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí.