EXPECTATIVAS

Novo porto da Manaus Moderna anima usuários após décadas de precariedade

Passageiros, ambulantes e trabalhadores cobram acessibilidade, organização e estrutura digna no principal terminal hidroviário da capital

Omar Gusmão
20/05/2026 às 08:35.
Atualizado em 20/05/2026 às 08:35

Entre cargas, rampas improvisadas e fluxo intenso, frequentadores cobram modernização da Manaus Moderna (Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA)

Dentre os compromissos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) agendados para a sua visita a Manaus na próxima semana, um diz respeito a um benefício que afeta grande parte da população amazonense: a assinatura da ordem de serviço do Porto da Manaus Moderna.

A obra, orçada em mais de R$ 900 milhões, prevê a construção de um terminal de passageiros para atender mais de 4 mil pessoas por dia. Quem conhece a rotina diária das balsas que atualmente fazem as vezes de terminais portuários na Manaus Moderna, sabe que o cenário caótico merece atenção especial do poder público.

Em meio às milhares de pessoas que circulam diariamente pelo local – entre passageiros, vendedores, estivadores, donos de embarcações e tripulantes –, a grande maioria acredita e sabe que uma obra como a que está sendo planejada faz-se mais que necessária. Uma solução que atenue a precariedade e estado caótico do ambiente é, portanto, muito bem-vinda entre os frequentadores dos terminais portuários da Manaus Moderna.

Passageiros e trabalhadores enfrentam diariamente estrutura improvisada e dificuldades de acesso. Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA

 Para o vendedor de miudezas Marcelo Magalhães, que há 23 anos trabalha de segunda a sábado como ambulante na balsa amarela, a construção de um porto beneficiaria a todos que frequentam o local.

“Acho que vai melhorar para todo mundo. Um porto é pra trazer melhoria pro povo. As condições são as mesmas desde quando eu entrei aqui. Nada melhora, só piora”, relata o vendedor. “Se for para trazer benefícios, todo mundo é a favor, né? Se for para piorar deixa do jeito que está mesmo”, completa.

Residente em Manaus, Fabiana Maia levou os pais idosos para embarcar rumo ao município de Itacoatiara (a 268 quilômetros de Manaus) e ressaltou as dificuldades enfrentadas pelas pessoas de mais idade que precisam utilizar os atuais serviços portuários do local.

“Deus queira que esse projeto saia do papel. Essa balsa aqui para idosos é um perigo. Meu tio tem problemas de Alzheimer e também Parkinson. Para descer aí é uma luta. Maior dificuldade”, relata.

‘NÃO É DE GRAÇA’

Fabiana também reclama de taxas cobradas nas balsas, sem que um serviço de qualidade seja oferecido em troca.

“Aqui não é de graça. É pago aí pra subir e descer. Como eu vim com duas bolsas, fui cobrada a mais por isso. Mas o serviço é de péssima quantidade. Aí cai muito idoso”, reclamou.

Pessoas com deficiência também não encontram instalações adequadas nas balsas, segundo Fabiana.

“Tem que pensar nos idosos, nos cadeirantes, nas pessoas que têm dificuldade, né? O cadeirante tem muita dificuldade de descer. Pessoas carregam a cadeira pra eles descerem a rampa. Não tem uma situação adequada para cadeirante, então, esse novo porto tem que pensar em tudo isso: no cadeirante, no idoso, na dificuldade que a gente tem que descer”, reivindica.

Dentre as pessoas que circulam diariamente na atual estrutura portuária da Manaus Moderna, há quem vá ao local receber encomendas que chegam do interior. É o caso de Antônio Beckman, que foi buscar frutas enviadas por primos da comunidade Costa da Conceição e faz coro com quem acredita que Manaus merece um porto modernizado.

“Manaus é uma cidade grande que tem muito dinheiro e esse porto aqui é horrível, uma nojeira. Deveria ser um porto moderno ou pelo menos igual ao de Santarém, que é uma cidadezinha”, opina.

Para Antônio, uma das principais necessidades do novo porto seria um posto de pronto atendimento para quem vem do interior para a capital por motivos de saúde.

PRONTO ATENDIMENTO

“Olha, o principal seria ter um pronto atendimento pra quem chega do interior ser atendido aqui. Não correr lá pra Zona Leste e ao chegar lá, não ser atendido”, diz, ressaltando também que a atual estrutura prejudica a imagem da cidade.

“Sinceramente, eu vejo no verão aqui os turistas ali olhando. O pessoal mostrando. Pô, não mostra essa imundície”, reclama.

Antônio também se queixa do trânsito caótico no entorno da Manaus Moderna.

“Será que esses caras não sabem o que é gerenciamento? Por que esses caminhões não vêm de noite abastecer os barcos? E de dia ficar livre pro pessoal. Isso é falta de raciocínio”, sugere.

Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA

 ‘Vai ser melhor para os passageiros’

Proprietário da embarcação Victor Manuel, Márcio Oliveira também avalia que a construção do novo porto vai ser benéfica para todos.

“Como a gente trabalha com embarcação, é melhor para a gente porque vai melhorar a qualidade do atendimento, e vamos ter mais passageiros. Hoje em dia aqui nas balsas está muito ruim. Com novo porto, vai ter mais infraestrutura pro próprio dono da embarcação trabalhar. E vai ser melhor para os passageiros”, acredita.

Márcio encara como prioridade estabelecimentos adequados para a alimentação de quem circula na área.

“Para ser ideal, o novo porto tem que ter uma lanchonete como fosse um porto moderno. Lanchonete e restaurante que atenda a demanda e a necessidade do pessoal”, sugere. “Hoje, você não tem um restaurante, não tem nada. O passageiro tem que sair daqui para ir à feira para comprar comida”, reclama.

Carregando a neta bebê Alana no colo, Elielza Queiroz estava voltando para a Costa do Tabocal, onde mora, após estada em Manaus para fazer exames.

Mesmo desconhecendo o projeto de construção de um novo porto na Manaus Moderna, Elielza aprovou a ideia ao ser informada.

“Vai ser bem melhor, graças a Deus, né? Embargar com as coisas que a gente quer trazer é a maior dificuldade. Tendo um porto vai ser bem melhor”, comemora Elielza, que vem muitas vezes a Manaus por motivos de saúde.

“Eu venho duas vezes, três vezes no mês porque eu também faço tratamento aqui, que eu tenho problema de coração”, conta.

Promessa de novo porto reacende esperança de melhorias para passageiros e trabalhadores da Manaus Moderna. Foto: Paulo Bindá/A CRÍTICA

 Capacidade para 4 mil pessoas por dia

O novo porto deverá ser erguido em uma área de aproximadamente 38 mil metros quadrados e deve incluir melhorias urbanísticas no entorno. O empreendimento portuário será dividido em dois setores principais: a Feira da Banana e a Feira da Manaus Moderna.

O projeto prevê a elevação de uma estrutura com capacidade para receber embarcações de grande porte, como ferry boats com mais de 80 metros de comprimento. O terminal de passageiros, por sua vez, terá capacidade para atender até 4 mil pessoas por dia, com áreas adequadas para embarque e desembarque.

Além disso, também estão projetadas áreas para carga e encomendas, espaços de fiscalização, pontos de apoio, estacionamento e áreas de convivência.

Saiba mais

‘Nunca vai sair’

Há também quem não se entusiasme com o projeto do novo Porto da Manaus Moderna por não acreditar mais na promessa. O motorista Jackson da Silva, que trabalha diariamente levando tinta automotiva para embarcar nas balsas, é um desses casos.

“Ouvi falar no jornal aí que vão fazer um novo porto aqui. Isso aí a gente já ouviu muitas vezes e pra mim nunca vai sair, não”, diz.

Mesmo incrédulo, Jackson tem sugestões de melhoria que o novo porto poderia trazer.

“Melhoraria muito se tivesse lugar para estacionar. Também para carregar e descarregar mercadoria”, sugere.

Em números:

R$ 916 milhões

É o investimento orçado pelo governo federal para a execução da obra do Porto da Manaus Moderna.

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