Senador se reuniu com apoiadores e aliados em Manaus para divulgar documento e também fez críticas a Wilson Lima e Roberto Cidade
Omar Aziz apresentou a segunda etapa do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas ao lado de aliados, entre eles o senador Eduardo Braga e a deputada estadual Alessandra Campêlo (Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA)
O senador Omar Aziz (PSD) divulgou nesta segunda-feira (6) a segunda parte do seu Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas, que contém promessas e planejamentos voltados para as áreas da saúde, segurança pública e assistência social. O primeiro eixo era focado em propostas para a economia, enquanto o terceiro deve ser voltado para a educação. O parlamentar se reuniu com apoiadores e aliados no Teatro Manauara, na zona Sul de Manaus.
Dentre os destaques na área da segurança está a recriação do programa Ronda no Bairro, que deverá ser renomeado para Ronda Amazonas. O novo plano divide a segurança em cinco frentes: policiamento contínuo nos bairros de Manaus; interiorização do programa com apoio e estruturação das guardas municipais; combate à pirataria e ao narcotráfico nos rios; integração do policiamento com políticas de assistência, saúde e educação; e a criação de uma plataforma inteligente que unifique dados, ocorrências e comunicação.
Publicação reúne o segundo eixo do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas, com propostas voltadas à saúde, segurança pública e assistência social. Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA
Na saúde, o senador propõe expandir a telessaúde avançada nos 62 municípios do estado, buscando a descentralização e a melhoria do atendimento especializado nas calhas dos rios, evitando que a população do interior precise se deslocar até a capital, contando com o apoio dos gestores municipais.
Durante o evento, o senador Omar Aziz apresentou propostas para as áreas de segurança pública, saúde e assistência social e defendeu a recriação do programa Ronda no Bairro. Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA
O plano prevê também a criação dos Centros Integrados de Atendimento à População, apelidados de Fábrica Cidadã, que funcionarão como polos reunindo serviços de segurança, assistência social e saúde, incluindo delegacias e atenção básica. Os centros também deverão contar com qualificação profissional em parceria com o Sistema S e orientações jurídicas.
Críticas
Omar Aziz, junto do senador Eduardo Braga (MDB), aproveitou o evento também para direcionar críticas às gestões do governador Wilson Lima (União) e do presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, Roberto Cidade (União). Os dois afirmaram que a situação da saúde e da segurança pública era “desesperadora” e que os problemas não são mais graves devido ao trabalho das bancadas federal e estadual, que enviam emendas para atender as prefeituras do interior.
“Ontem eu recebi 12 profissionais de saúde na minha casa. Não vou citar o nome para não os comprometer. O retrato que eles me deram, Eduardo, das unidades construídas por ti, por mim e pelo Amazonino é o pior possível que vocês possam imaginar. E não é falta de dinheiro. Eu pensei que o Estado tinha arrecadado, em oito anos, R$ 248 bilhões. Eu recebi um documento de que foram R$ 270 bilhões”, disse Aziz.
Já Eduardo Braga disse que viu falta de investimentos na saúde e na segurança em suas viagens pelo estado e que “se não fossem as emendas dos deputados estaduais, dos deputados federais e dos senadores, o nosso povo, tanto da capital quanto do interior, estaria numa situação de calamidade”, ponto que foi corroborado por Omar Aziz, que afirmou que são os parlamentares que estão “pagando essa conta”.
O senador Eduardo Braga participou do evento e criticou a situação da saúde e da segurança pública no Amazonas durante seu discurso. Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA
Questionado por jornalistas sobre como lidaria, durante a campanha, com acusações sobre a gestão da saúde em seu último governo, em referência à investigação da Operação Maus Caminhos, Omar afirmou que nunca foi denunciado e que não havia provas contra ele. O senador emendou criticando situações ocorridas no mandato do ex-governador Wilson Lima e questionou a falta de cobertura sobre os casos.
“Eu vejo muita gente fazendo de conta que não está acontecendo nada, mas está acontecendo com vocês, com as famílias de vocês. Deixaram pessoas morrendo sem oxigênio, compraram respiradores em loja de vinhos, fora o que está acontecendo na saúde hoje em relação aos hospitais”, citou.
Ambos são pré-candidatos nas eleições previstas para 4 de outubro de 2026. Omar busca retornar ao governo do Estado, enquanto Braga almeja a reeleição para o cargo de senador.
Apoiadores, aliados políticos e convidados acompanharam a apresentação da segunda etapa do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas, realizada no Teatro Manauara, na zona Sul de Manaus. Foto: Jeiza Russo/A CRÍTICA
BR-319 e FMPES
Omar Aziz aproveitou a oportunidade para dizer que as obras da rodovia BR-319 estão acontecendo, apesar de reconhecer que o processo seria demorado. O senador voltou a criticar a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), dizendo que “nós vamos ter o direito de passear” na estrada e associou, de forma equivocada, o Observatório do Clima, que moveu uma ação contra o licenciamento da estrada, a ela.
“Nós tivemos que fazer tudo para isso acontecer. Primeiro, tivemos que mudar a lei ambiental. O Eduardo fez uma emenda na lei em que coloca que estradas que já foram pavimentadas um dia não precisariam de licença ambiental, no que cabia corretamente à BR-319. Mesmo assim, veio uma ONG ligada à Marina Silva, veio o Ministério Público Federal e entraram com ação. Apanharam tanto aqui como no TRF, perderam nas duas instâncias e a obra está sendo feita. Se Deus quiser, neste verão, vai avançar bastante”, disse.
O senador também criticou a mensagem governamental enviada pelo Governo do Amazonas para alterar a Constituição do Estado e permitir que os recursos do Fundo de Apoio às Micro e Pequenas Empresas e ao Desenvolvimento Social do Estado do Amazonas (FMPES) sejam utilizados em despesas correntes, ressaltando que “teve deputados e deputadas que não permitiram que essa imoralidade fosse cometida”.
“Quem defende isso está contra o trabalhador, contra o empreendedor, o pequeno e microempresário. Esse fundo foi criado pelo Eduardo em 1989, quando foi relator da Constituição do Estado, e foi implantado em 2003, quando eu era vice-governador do Eduardo Braga. Financiamos muita gente com esse fundo, sem mexer em um real para qualquer outro tipo de atividade”, completou.