Operações da plataforma movimentaram R$ 1,1 bilhão no estado em 2025, equivalente a 0,58% do PIB amazonense, segundo pesquisa da Fipe
Entrega de comida durante a madrugada: pedidos feitos entre meia-noite e 5h tiveram alta de 31% no Amazonas em 2025 (Foto: Reprodução)
A movimentação de R$ 1,1 bilhão gerada pelas operações do iFood no Amazonas em 2025 correspondeu a 0,58% do PIB estadual. É o que revela a pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que também identificou mais de 17 mil empregos diretos e indiretos associados à atividade da plataforma no estado.
Segundo o levantamento, esse percentual representa um crescimento em relação aos anos anteriores. Em 2024, a participação do iFood no PIB amazonense havia sido de 0,52%. Em 2023, ficou em 0,43%, mesmo índice registrado em 2020. Já em 2022, a participação era de 0,39%.
Como Manaus concentra boa parte da atividade econômica do Amazonas e da operação da própria plataforma, o levantamento também levanta uma questão sobre a distribuição desse impacto pelo estado. A pesquisa da Fipe, no entanto, não detalha quanto dos R$ 1,1 bilhão movimentados em 2025 ficou na capital e quanto foi gerado pelos demais municípios.
Segundo a diretora de Economia e Políticas Públicas do iFood, Débora Gershon, a metodologia utilizada pela Fipe permite medir o impacto no estado, mas não fazer esse recorte por cidade. Débora explicou que o levantamento utiliza uma metodologia baseada na matriz insumo-produto, que permite identificar como a movimentação em uma cadeia específica repercute em diferentes setores da economia.
“Essa movimentação econômica acontece no estado como um todo. A gente ainda não consegue chegar a esse nível de detalhamento. A metodologia parte de uma matriz insumo-produto no Brasil e, como não existe um setor específico de delivery de alimentos nessa matriz, a gente faz uma customização da cadeia de valor. Com os nossos dados e dados públicos, é possível identificar, por exemplo, quais setores são mobilizados a partir de um pedido de hambúrguer e de uma Coca-Cola e como eles se interligam”, explicou.
Débora destacou, no entanto, que Manaus concentra uma parcela expressiva da movimentação por suas características econômicas e pelo tamanho da operação na capital. Ao mesmo tempo, segundo ela, o crescimento da plataforma em cidades do interior começa a ampliar a participação desses municípios na cadeia em todo o Brasil.
“Pelas características de desenvolvimento local, certamente existe uma movimentação significativa puxada pela capital. Eu não posso te dizer quanto, porque a Fipe não dá esse dado para nós. A gente está em 2 mil cidades brasileiras hoje e em 27 capitais. Então, quanto mais a gente se interioriza, maior é a chance de os resultados estarem sendo produzidos fora da capital. Hoje, a gente tem um resultado certamente produzido muito maior do que antes. A gente só sabe que essa tendência existe, que o interior está começando a produzir mais e a movimentar mais”, explicou Débora, em referência ao impacto nacional calculado pela pesquisa.
Os dados da Fipe foram apresentados durante a terceira edição do iFood Move, realizada em São Paulo.
Outro levantamento do iFood também mostrou que os amazonenses estão pedindo mais comida por aplicativo no período da madrugada. Segundo dados da própria plataforma, pedidos realizados entre meia-noite e 5h cresceram 31% no Amazonas em 2025, maior avanço registrado entre as faixas de horário analisadas.
O crescimento acompanha uma alta de 20% no consumo pelo aplicativo no estado durante o ano. Os dados fazem parte de um levantamento do iFood sobre os hábitos de consumo no Amazonas.
O hambúrguer foi o item mais pedido no estado e teve expansão de mais de 34% no período, segundo o levantamento de consumo do iFood. Açaí, lanches, comida brasileira e culinária japonesa aparecem na sequência entre as categorias com maior volume de pedidos.
Além dos dados de consumo, outro indicador apresentado pelo iFood foi o acesso a crédito disponibilizado pela plataforma. Entre agosto de 2025 e agosto de 2026, o iFood Pago concedeu R$ 45,6 milhões em crédito a restaurantes do Amazonas. O volume de recursos pré-aprovados chegou a R$ 87,3 milhões, segundo os dados apresentados.
No cenário nacional, a pesquisa da Fipe aponta que o ecossistema do iFood movimentou R$ 167 bilhões em 2025, equivalente a 0,70% do PIB brasileiro, e esteve associado a 1,18 milhão de postos de trabalho diretos e indiretos.