Jesem Orellana, da Fiocruz/Amazônia, alerta para agravamento da fumaça no Amazonas e destaca riscos para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças preexistentes.
(Foto: Junio Matos/Arquivo AC)
“A qualidade do ar é péssima e muito preocupante, pois começa a impactar negativa e massivamente na saúde humana e animal”, afirmou o epidemiologista Jesem Orellana, da Fundação Oswaldo Cruz/Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz/Amazônia), ao comentar os níveis críticos de poluição atmosférica no Amazonas. O pesquisador alerta que nos próximos dias a situação do ar tende a piorar.
Segundo o pesquisador, a combinação dos efeitos da anomalia climática provocada pelas mudanças climáticas com a ação humana contribui para o agravamento da situação. Ele alerta que os impactos da fumaça podem se estender no Estado.
Entre os efeitos de curto e médio prazo da exposição à fumaça estão irritação nos olhos e na pele, rouquidão, dores de cabeça, além de sintomas de ansiedade e preocupação.
(Foto: Junio Matos/Arquivo AC)
A poluição também pode agravar doenças preexistentes, como asma, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e enfermidades cardiovasculares e cerebrovasculares. Em casos mais graves, essas complicações podem resultar em internações e até mortes evitáveis.
De acordo com o epidemiologista, os casos graves são excepcionais e geralmente estão associados ao agravamento de doenças preexistentes. Para a maioria dos demais efeitos da exposição, são necessários cuidados domésticos com orientação profissional qualificada ou atendimento ambulatorial, principalmente quando os sintomas prejudicam atividades cotidianas, como estudar e trabalhar.
Crianças, idosos, gestantes e seus fetos, além de pessoas com doenças preexistentes ou comorbidades, estão entre os grupos que exigem atenção especial.
Orellana também destaca a vulnerabilidade de indígenas, moradores em situação de rua, ribeirinhos e quilombolas. Trabalhadores que exercem atividades ao ar livre, especialmente em ruas com maior tráfego de veículos, também estão mais expostos à poluição.
Conforme o pesquisador, a procura por atendimento hospitalar deve ocorrer principalmente em casos graves, geralmente relacionados ao agravamento de doenças preexistentes.
“Neste sentido, a maioria dos demais efeitos negativos da exposição à fumaça tóxica demanda cuidados domésticos, sob qualificada orientação profissional, ou mesmo ambulatorial para atendimento e tratamento sintomático de casos que impactam sobre a rotina do dia a dia, como na escola e trabalho, por exemplo”, frisou Orellana.
Nesta quinta-feira (24), o aplicativo do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva) registrava de forma variável qualidade do ar como “ruim” nos bairros Coroado (58,5 µg/m³), Zona Leste de Manaus e Mauazinho (51,1 µg/m³), Zona Sul. Nos municípios de Boa Vista do Ramos (122,8 µg/m³), Urucurituba (85,1 µg/m³), Silves (106,9 µg/m³) e Careiro da Várzea (77,4 µg/m³) foram classificados pelo aplicativo como muito ruim. Em Careiro Castanho (253, µg/m³) os níveis do ar chegaram a nível crítico de péssimo, segundo o Selva.