Neste Dia do Diagramador (28/03), conheça a trajetória dos profissionais que vencem a corrida contra o relógio para transformar textos, fotos e artes em experiências de leitura memoráveis
Equipe de diagramação precisa lidar com alterações editoriais até os minutos finais do prazo (Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA)
Nos bastidores do jornal, são eles que transformam textos, fotos e ideias em páginas organizadas, definindo o que ganha destaque e como a informação chega até o leitor. Neste sábado (28), no Dia do Diagramador, a reportagem conta um pouco da rotina, desafios e a trajetória destes grandes profissionais de A CRÍTICA.
Com quase três décadas de profissão, o diagramador Edivan Viana resume o ritmo da função que exerce no Jornal A CRÍTICA desde 1999.
Viana conta que a pressão do tempo é constante e muitas vezes invisível para quem lê. E, às vezes, é preciso decisões rápidas para equilibrar estética e clareza.
Se há algo que define o trabalho do diagramador, é a imprevisibilidade. Para Fábio Barros, que atua há 26 anos na área, nenhuma edição é totalmente previsível, especialmente nos momentos finais
Ele lembra de um dos momentos mais desafiadores da carreira foi reorganizar uma capa inteira por conta de uma notícia de última hora.
“Já tivemos que mudar completamente a capa minutos antes do fechamento por causa de uma notícia urgente. Foi preciso reorganizar páginas internas e refazer toda a hierarquia visual em pouquíssimo tempo”, relembra.
Edivan Viana (esquerda) atua na linha de frente do fechamento de A CRÍTICA há 27 anos. Fábio Barro (direita) comanda a equipe de diagramação do jornal A CRÍTICA, onde atua há 26 anos
Além da organização do conteúdo, a diagramação também se cruza com o trabalho visual, especialmente em edições especiais.
Ilustrador e diagramador do jornal, Helinaldo Mascarenhas, que atua há 17 anos na redação e há cerca de quatro na diagramação, destaca que o desafio muitas vezes vai além da montagem da página.
Helinaldo destaca o desafio de unir ilustrações e esquemas táticos
Segundo ele, esse equilíbrio fica ainda mais evidente em projetos que exigem maior elaboração gráfica.
“Já tive que diagramar páginas que precisavam de arte junto, então era necessário alinhar a ilustração com a diagramação”, conta o ilustrador.
Entre os trabalhos que mais marcaram sua trajetória estão edições esportivas especiais, com forte apelo visual.
“Gostei muito de diagramar especiais de Copa do Mundo e do Campeonato Brasileiro, com infográficos, esquemas táticos e ilustrações”, pontua Mascarenhas.
Se o editor define o conteúdo, é o diagramador quem transforma essa ideia em algo concreto e, muitas vezes, melhora o que foi imaginado inicialmente.
A diretora de conteúdo de A CRÍTICA, Aruana Brianezi, explica como funciona essa relação no dia a dia: “A gente tem uma ideia de como quer a página e o diagramador executa, muitas vezes aprimorando. É um trabalho em parceria.”
Segundo Brianezi, tudo começa com a definição do espaço disponível, muitas vezes limitado pelos anúncios.
A diretora de conteúdo do Jornal A Crítica, Aruana Brianezi, destaca que a diagramação é uma extensão do pensamento editorial. Foto: Daniel Brandão
Brianezi ressalta ainda que esse processo envolve diálogo constante entre o editor e o diagramador.
Leitura e clareza
Embora o impacto visual seja evidente, a função da diagramação vai além da estética, como afirma Fábio: “Nada está ali por acaso. Existe um trabalho invisível de organização que facilita a leitura.”
Para os profissionais, o objetivo final não é chamar atenção para o design, mas facilitar a compreensão do leitor ao ler uma notícia. Aruana reforça essa lógica: “A ideia é deixar a leitura mais clara, com as informações bem destacadas, facilitando o trabalho de quem está lendo.”
Técnica, criatividade e adaptação
Ao longo dos anos, ainda que a profissão tenha mudado com a evolução da tecnologia, os desafios de construir uma página permanecem.
Fábio também aponta que a velocidade aumentou a cobrança. “Hoje tudo é mais rápido. O desafio é manter a clareza e não poluir a página, mesmo com tantas possibilidades visuais.”
Apesar da rotina intensa, há momentos em que o trabalho ganha mais espaço para criatividade, especialmente em edições especiais e de fim de semana.
Edivan lembra dos cadernos do Festival de Parintins e a edição dos 100 Mil Exemplares de A CRÍTICA como alguns dos mais desafiadores e memoráveis da carreira.
Fábio também destaca edições comemorativas como as que exigiram maior cuidado estético.
“A edição especial comemorativa de 75 anos do Jornal exigiu um cuidado visual muito maior, com uso de elementos gráficos diferenciados e uma estética mais elaborada. Foi marcante porque exigiu criatividade além da técnica, e o resultado final teve um retorno muito positivo”, destaca Barros.
Mascarenhas relembra o caderno especial da Copa do Mundo de 2014 que inclusive concorreu a um prêmio internacional.
Já para Aruana, esse é o momento em que o trabalho do diagramador mais aparece. “Durante a semana, o jornal segue um formato mais padrão. No fim de semana, com mais espaço e tempo, dá para ousar mais e aí o trabalho do diagramador se sobressai.”
A diretora de conteúdo relembra a edição especial de 20 mil exemplares como uma das diagramações mais marcantes do Jornal A CRÍTICA.
“Um especial que eu gostei bastante foi da edição número 20 mil do Jornal. Quando o Jornal chegou na edição 20 mil, a gente fez uma super pesquisa histórica para mostrar as principais notícias nesse tempo, nessas 20 mil edições. E ficou bem bonito. Você percebia que ali tinha um trabalho especial”, relembra Aruana.
Para quem está dentro da redação, o papel do diagramador é, segundo Edivan, transformar informação em experiência de leitura.
O que chega às mãos do público parece simples, mas de acordo com Aruana Brianezi, é resultado de decisões rápidas, técnica apurada e um trabalho coletivo que acontece nos bastidores.
“O Jornal A CRÍTICA e vários outros jornais pelo mundo têm um projeto gráfico. O trabalho do diagramador é mais difícil ainda porque ele não vai criar do zero. Ele precisa criar e diferenciar as outras páginas, tornar aquela página atrativa, conseguir um destaque para aquela foto, ou para aquela frase ou para aquela informação mas não pode ser livremente, é seguindo um manual. Ele são os guardiões dessa identidade gráfica do jornal”, pontua Brianezi.