Obra no beco São Vicente implantou 1,2 km de rede aérea interligada à ETE Parque Mosaico no bairro Redenção
Ação social realizada no igarapé (Foto: Divulgação)
Pela primeira vez, a área de rip-rap cortada pelo Igarapé do Gigante alcança acesso ao sistema de esgoto. A implementação do serviço com tecnologia adaptada, feita pela concessionária Águas de Manaus no beco São Vicente, localizado no bairro Redenção, na zona Centro-Oeste de Manaus, representa novo começo e aponta para um futuro construído por saneamento, educação ambiental e a união da comunidade.
A iniciativa implementa uma rede coletora com cerca de 1,2 quilômetro, que garante o destino adequado do esgoto de 600 famílias da região até à Estação de Tratamento de Esgoto Parque Mosaico.
Obra no beco São Vicente implantou 1,2 km de rede aérea interligada à ETE Parque Mosaico no bairro Redenção (Foto: Divulgação)
O coordenador de projetos da concessionária, Hegno Silva, explicou que o local passou por mapeamento e estudo topográfico. Segundo ele, o maior diferencial do projeto é a adequação dos serviços de acordo com suas particularidades.
A implementação do sistema de esgoto em cada região de Manaus passa por mapeamento e estudo topográfico, isso porque a capital apresenta particularidades devido ao crescimento acelerado, com a presença marcante de becos e vielas às margens dos rios e igarapés.
Com uma engenharia desenvolvida para ir além das questões técnicas, os projetos funcionam como soluções sociais que levam dignidade para a população que mais precisa. Por esse motivo, outros estados brasileiros já se inspiram no modelo.
Hegno Silva destacou que o início do programa Trata Bem consolidou o sucesso da estrutura de outra área, o beco Nonato, no bairro Cachoeirinha, zona Sul.
À medida que o igarapé vai seguindo em queda, as redes também seguem a mesma topografia (Foto: Divulgação)
O coordenador de projetos informou que, graças à funcionalidade e ao empenho em alcançar a população em áreas de palafita e rip-rap, o programa se tornou conhecido nacionalmente.
“O projeto é um ‘case’ de sucesso e foi exportado para outras áreas do Brasil, como Rio de Janeiro e Pará. Na comunidade da Maré, está feito semelhante ao beco São Vicente. Lá tinha uma rampa semelhante ao rip-rap e o esgoto caía todo no mar. Alguns dos nossos profissionais foram ao Rio de Janeiro ensinar como fazer essas estruturas”.
Mesmo com a inovação em garantir os serviços em áreas complexas, ele afirma que a parte principal desse processo é a conscientização e a educação ambiental junto da comunidade.
“O programa tem diversos pilares, tanto do ponto de vista da engenharia quanto social. Pensamos em como eles conseguirão se conectar à rede de esgoto e utilizá-la. É um trabalho de várias mãos, e um deles é ensinar como utilizar e quais coisas não jogar ali, como o óleo, por exemplo. Então, nosso principal aliado é a população”, informou.
A artesã Cristina Silva, 64, é uma das moradoras que tem esperança de despoluir o igarapé. Para ela, apesar da recuperação ser um trabalho complexo, ter conseguido água tratada em 2019 e, agora, da rede de esgoto já é um avanço significativo rumo ao futuro da comunidade.
Intervenção atua aliada ao Projeto Reusa, da artesã Cristina Silva, na reciclagem e preservação do igarapé do Gigante (Foto: Divulgação)
Com a meta de recuperação do local, a artesã iniciou, em 2015, o Projeto de Restauração Ecológica e Urbanização Sustentável na Amazônia (Reusa), com principais materiais como garrafas PET, papel e CD. Tudo aquilo que a comunidade via que poderia ser reciclável passou a ser reaproveitado.
Atualmente, o projeto alcança 25 mulheres empreendedoras, que conseguem, por meio da reciclagem, do crochê, da costura e de outras técnicas artesanais, levar renda para casa.
Cristina Silva conta que a iniciativa pensa no futuro a partir das ações realizadas hoje.
O altruísmo e cuidado com o meio ambiente cresceu e, a partir dessa parceria da concessionária com a comunidade, percorreu o rip-rap e alcançou novos olhares em direção ao futuro.
A voluntária Amanda Auzier, 26, se inscreveu no site da Águas de Manaus para somar à equipe do Beco São Vicente. Ela contou que ver os igarapés de Manaus despoluídos é um sonho ainda distante, mas que quer fazer parte dessa construção.
A voluntária Amanda Auzier durante ação comunitária de conscientização e coleta seletiva de resíduos (Foto: Divulgação)
Mais do que uma obra de infraestrutura, a chegada do saneamento ao Beco São Vicente aponta um desejo comum de mudança. Com a rede implementada e o projeto de reciclagem funcionando, a área tem parcerias que prometem mudar o curso das águas da poluição.
Além do artesanato com materiais recicláveis, o local agora recebe descarte de óleo de cozinha. A cada duas garrafas PET cheias, o morador ganha um detergente.
Também há ponto de coleta seletiva implementado. E, com parcerias com a Prefeitura de Manaus, também serão instaladas duas ecobarreiras.
O beco São Vicente é um dos modelos mais atuais da busca pela universalização do tratamento de esgoto, que atualmente já atende 40% da população amazonense, deve chegar a 60% no ano que vem e alcançar 90% até 2033.
Com esse avanço, a população precisa se conectar à rede de tratamento de esgoto e voltar a sonhar com a despoluição de rios e igarapés da capital. Sonho este que só é possível com a participação de todos.
Redes aéreas nas laterais do rip-rap ao longo do curso, respeitando a topografia do igarapé
O Trata Bem prevê investimento de aproximadamente R$ 2 bilhões e cerca de 3 milhões de metros de redes coletoras, além da construção e ampliação de 70 Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). A meta é universalizar o serviço em menos de dez anos.