Iniciativa da Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) teve aula-piloto realizada em uma escola na zona Sul da cidade
Sementes do Amazonas (Foto: Divulgação/Lucas Silva/DPE-AM)
Calor intenso, descida rápida dos rios, isolamento geográfico de cidades e comunidades no interior e dificuldade de acesso a serviços básicos. Esses são alguns impactos causados pela seca, que podem ser agravados com a possibilidade do pior El Niño dos últimos anos, segundo agências climáticas globais.
É nesse contexto que a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) lançou o projeto “Sementes do Amazonas”, nesta sexta-feira (24), na Escola Estadual Sant’Ana, localizada no bairro Petrópolis, com a proposta de conscientização ambiental e social em escolas públicas e privadas e espaços comunitários.
A iniciativa atuará com palestras e dinâmicas de conscientização na capital e no interior, tornando alunos e gestores das unidades de ensino instrumentos de transformação social, além de mapear, em todos os municípios do Amazonas, a existência ou a ausência de legislação que torne obrigatória a educação ambiental escolar.
Em Manaus, cidade escolhida para sediar a abertura, a aula-piloto foi ministrada pela defensora pública e diretora da Escola Superior da Defensoria (Esudpam), Karoline Santos, que destacou, durante a apresentação, o papel da Instituição na proteção do meio ambiente e das populações vulneráveis, bem como a importância da participação da sociedade nessa causa.
Defensora pública, Sarah Lobo (Foto: Divulgação/Lucas Silva/DPE-AM)
Letícia Rezende, de 19 anos, entende bem essa dificuldade. Uma parte da família da estudante mora em Tapauá, município distante 449 quilômetros da capital, na Calha do Purus. Segundo a adolescente, as mudanças climáticas já são um grande problema na cidade, que, durante períodos de seca, sofre com as queimadas e com a dificuldade de locomoção devido à baixa do rio.
Em junho deste ano, o Governo do Amazonas decretou estado de emergência climática e ambiental em todos os 62 municípios. O decreto foi instituído de maneira preventiva, diante das previsões meteorológicas do avanço do El Niño para o ano de 2026, que pode se estender até o início de 2027.
De acordo com a 2ª subdefensora pública geral, Sarah Lobo, o projeto tem o objetivo de introduzir o tema meio ambiente nas escolas e leva em consideração o cenário ambiental crítico pelo qual o mundo todo está passando. Segundo dados do Inep, a forma mais comum de o tema aparecer nas aulas é por meio de projetos transversais e interdisciplinares (64% dos colégios), seguida de conteúdos presentes no currículo (52%); 11% relataram possuir componente curricular específico sobre o assunto e apenas 10% desenvolvem a educação ambiental como eixo principal.
Por meio da iniciativa, a Defensoria Pública atuará de maneira preventiva, utilizando a educação ambiental para conscientizar famílias, comunidades e estudantes sobre os riscos socioambientais e os meios de evitá-los, reduzindo vulnerabilidades e fortalecendo a capacidade das próprias comunidades de proteger seu território.
Sementes do Amazonas (Foto: Divulgação/Lucas Silva/DPE-AM)
No início de julho, a Defensoria promoveu um curso de educação ambiental com o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Henrique Pereira. A iniciativa abriu a programação de atividades do projeto e abordou a “Agenda 2030 nos municípios da Amazônia Legal e as desigualdades intrarregionais”, na qual o diretor e pesquisador destacou projeções e desafios para o desenvolvimento territorial e a proteção do meio ambiente.
A partir do lançamento oficial, realizado em Manaus nesta sexta-feira, o projeto será apresentado a membros e servidores da capital e do interior na terça-feira (28), com um balanço do que foi observado e discutido durante a aula-piloto do projeto e do que pode ser replicado nas próximas ações em escolas de todo o estado.