Bombeiros contam com reforço de São Paulo e tecnologia subaquática para varrer a região
Em média, 14 lanchas e 80 agentes são mobilizados diariamente na operação (Divulgação)
Uma semana após o naufrágio da lancha Lima de Abreu XV, completada nessa sexta-feira (20), cinco pessoas seguem desaparecidas e as buscas continuam sem prazo para encerramento pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas.
A operação está concentrada nas proximidades do Encontro das Águas, onde os rios Negro e Solimões se encontram — região de forte correnteza e profundidade elevada.
Todas as manhãs, na Base Fluvial dos Bombeiros, na orla de Manaus, embarcações são abastecidas e equipes recebem orientações antes de seguir para a área de busca. A média diária é de 14 lanchas de pequeno e médio porte e cerca de 80 agentes mobilizados.
Entre eles, uma equipe especializada chama atenção: mergulhadores de grandes profundidades vindos de Guarulhos. Coordenados pelo capitão Nishihara, com quase duas décadas de experiência em operações pelo país, os profissionais atuam em profundidades que chegam a 60 metros.Mas mesmo para especialistas, o cenário amazônico impõe limites.
“Aqui temos uma correnteza muito forte que atrapalha completamente esse tipo de ação e visibilidade zero. Para realizar um mergulho profundo, precisamos monitorar o tempo todo a absorção de nitrogênio, o tempo e a velocidade de retorno à superfície. Mas, com visibilidade zero, não conseguimos enxergar o computador de mergulho”, explicou o capitão.
Equipe especializada de Guarulhos atua em profundidades de até 60 metros na região do Encontro das Águas
Além da experiência técnica, o chamado “time Guarulhos” trouxe equipamentos de alta precisão, como o side scanner — que capta imagens do relevo submerso — e detector de metais capaz de identificar motores de embarcações. Ainda assim, a força da água interfere nos resultados e torna o trabalho mais lento.
Até o momento, mais de 228 quilômetros já foram vasculhados a partir do ponto-base do naufrágio.
O comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, afirmou que os métodos utilizados possuem reconhecimento internacional e seguem protocolos técnicos atualizados.
“Temos todos os equipamentos para o mergulho autônomo, com cilindro independente, mas também o narguilê, que é o cabo de oxigênio ligado a um compressor embarcado. De acordo com a profundidade, escolhemos o equipamento adequado”, explicou.
Ele também destacou que as condições climáticas impactam diretamente na operação.
“Quando a chuva torrencial está caindo, interrompemos as atividades por questões de segurança.”
Familiares de vítimas relataram que realizam buscas por conta própria e cobram apoio da empresa responsável pela embarcação. O Corpo de Bombeiros informou que a empresa participa da operação com fornecimento de lanchas e tripulação.
O comandante fez um alerta sobre os riscos das buscas independentes:
“Cinco ou seis pessoas em uma pequena embarcação, sem coletes e sem equipamentos, é um cenário propício para outro acidente. E teríamos que deslocar recursos para uma nova ocorrência.”
Busca retangular: varredura por quadrantes, ampliados gradualmente.
Busca em linha: deslocamento em linha reta, com retorno paralelo.
Equipamentos utilizados:
Cilindro autônomo
Sistema narguilê (oxigênio por compressor embarcado)
Side scanner
Detector de metais
Drones
Helicóptero
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde, três mortes foram confirmadas. Permanecem desaparecidos:
Ana Carla Izel, 40 anos
Apoliana Oliveira, 36 anos
Patrícia Barroso da Silva, 33 anos
Renato Alan Melo Basto, 40 anos
Romualdo Marcião de Almeida, 80 anos