EXPANSÃO

Zona Franca de Manaus precisa de terras para 200 novas indústrias

Problema de regularização de área para a expansão do Polo Industrial foi levantada por Bosco Saraiva antes de deixar o cargo

Lucas dos Santos
28/03/2026 às 11:27.
Atualizado em 28/03/2026 às 11:27

Após encerrar 2025 com o faturamento recorde de R$ 227 bilhões, a Zona Franca de Manaus (ZFM) deverá receber cerca de 200 fábricas que estão em processo de instalação no Polo Industrial de Manaus (PIM). No entanto, um entrave destacado pelo agora ex-superintendente Bosco Saraiva é a questão da disponibilidade de terras para garantir a presença dessas empresas na capital amazonense, um tema que deverá ocupar a gestão do novo superintendente Leopoldo Montenegro.

Questionado pela reportagem durante a abertura da ExpoPIM 4.0, na semana passada, Bosco Saraiva informou que, ainda em 2024, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) se reuniu com Carlos Valente, diretor do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), para entregar à prefeitura todas as necessidades da indústria sobre essa questão.

"Nós já fomos levar esse assunto à Câmara Municipal de Manaus e apelar para que se faça imediatamente uma revisão no plano diretor da cidade, de forma que possa oferecer nas áreas que não são permitidas atividades industriais, que elas passem a ser permitidas. No início da ZFM, estabeleceram uma região geográfica como Distrito Industrial localizado na zona Sul da cidade. Mais a sul é o rio, não tem para onde crescer, então a área norte precisa contemplar", disse.

O ex-superintendente ressaltou que a pauta também é de interesse dos próprios trabalhadores das empresas sediadas no Polo Industrial de Manaus (PIM), já que a instalação de fábricas na zona Norte permitiria uma proximidade maior com o local de trabalho. Hoje, segundo ele, um morador do conjunto Viver Melhor perde quatro horas do dia somente no deslocamento para o trabalho, além das 8 horas de função que precisa exercer.

Articulação

"Esse é um problema que todos nós precisamos nos reunir nas três instâncias de governo, com rapidez para resolver a vida do nosso povo e a do investidor que está chegando", disse.

A necessidade de expandir as áreas úteis para empresas já havia sido destacada pelo secretário Serafim Correa durante uma das reuniões do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam) em 2025. O titular da Secretaria de Estado de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) afirmou que o Distrito Industrial está crescendo e não cabe mais nos limites concebidos originalmente. Na época, já havia ocorrido uma reunião com o Implurb para tratar da ampliação do uso do espaço destinado à atividade industrial.

"Está havendo um entendimento da Suframa, Sedecti e Implurb nessa direção para que, na revisão do Plano Diretor, nós possamos ampliar as áreas onde é possível implantar as indústrias tipo 4 e tipo 5, que são as indústrias do Polo Industrial de Manaus. Estamos tratando disso porque essa é uma preocupação das empresas que vêm a Manaus", disse, à época.

Serafim Corrêa ressaltou que algumas empresas chegavam a solicitar áreas de 120 mil metros quadrados e o polo industrial atualmente não possui essa área disponível. As categorias 4 e 5 citadas por ele se tratam das localidades onde as indústrias podem se instalar de acordo com o plano diretor. A última atualização ocorreu ainda no primeiro mandato do ex-prefeito Arthur Virgílio Neto.

Prioridade

Em entrevista para A CRÍTICA, o superintendente Leopoldo Montenegro destacou que a expansão da área útil do PIM será uma das prioridades de sua gestão, informando que a Suframa já enviou propostas para a Prefeitura de Manaus sobre a questão.

"A gente iniciou um trabalho de alteração do plano diretor, encaminhamos essa proposta à prefeitura, porque isso precisa primeiro ser mudado por ela para depois a Suframa aderir", explicou.

'É imprescindível sinergia'

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, disse que o setor reconhece o desafio da falta de terras como um entrave para o avanço da indústria, uma vez que o Distrito lida com a escassez de lotes prontos para construção e abriga áreas que ainda carecem de regularização.

"Para acomodar as novas operações físicas de maneira eficiente, é imprescindível promovermos uma sinergia profunda que una a União, na figura da Suframa como gestora e indutora do desenvolvimento, e a Prefeitura de Manaus, que detém a competência constitucional sobre o ordenamento e a expansão da malha urbana", disse.

Antonio Silva ressaltou que a Fieam tem participado das discussões e defende que a "expansão industrial e a destinação de novos lotes devem ser amparadas por total segurança jurídica e planejamento de infraestrutura", assim garantindo a implementação plena do volume de empreendimentos citados pela Suframa.

Corredores na BR-174 e AM-010

Em entrevista para A CRÍTICA, o diretor do Implurb Carlos Valente afirmou que o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), pediu alternativas para implementação de novas áreas industriais na capital, já que as existentes hoje estão praticamente exauridas.

Uma das propostas estudadas é a criação de corredores industriais ao longo das rodovias BR-174 e AM-010, a exemplo do que ocorre no estado de São Paulo. "O que são os corredores industriais: são áreas definidas no plano diretor onde a 1 quilômetro a partir da margem das estradas têm o uso industrial e de apoio às indústrias, e o uso do solo já pré-autorizado. É como se fossem áreas eminentemente industriais nas formas dos distritos", disse.

Segundo Valente, esses corredores poderão ser criados na revisão do plano diretor municipal, mas já há um debate conjunto com a Suframa e a Sedecti para iniciar o processo de flexibilização desses corredores a partir de uma resolução do Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano (CMDU), o qual está sendo construído pelos conselheiros e pelos técnicos.

"Esses são os dois encaminhamentos que o Implurb e o prefeito David Almeida estão tratando para disponibilizar novas áreas industriais na cidade de Manaus. E por que essas duas estradas? Porque elas têm infraestrutura energética e de gás que podem atender imediatamente novas indústrias que estão buscando se instalar em Manaus", concluiu.

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