Isoladas e com problemas no abastecimento de produtos alimentícios, de limpeza e higiene, combustíveis, milhares de pessoas aguardam providências mais urgentes
(Foto: Gilson Melo)
Os dois desabamentos em trechos da BR-319 são resultados das omissões acumuladas. A rodovia federal tem motivado, principalmente nos últimos três anos, mobilizações de vários segmentos, empresários, passageiros, motoristas e pequenos agricultores. Em resposta, autoridades federais e estaduais fizeram promessas em tom de compromisso assumido, inclusive como desafio de que desta vez a estrada seria recuperada e passaria a operacionalizar dentro de padrões técnicos e da normalidade.
Não concretizadas, as promessas perderam-se no tempo mais uma vez. Os desmoronamentos de parte da rodovia denunciam a deterioração da obra e demonstram, da pior maneira, as ameaças a que estão submetidos os usuários da BR. No primeiro desabamento, ocorrido em 28 de setembro, o saldo foi quatro mortes, 14 feridos, um desaparecido, perdas e muito desespero somado a dor dos que conseguiram sobreviver; no segundo, dia 8 deste mês, as consequências estão sendo sentidas pelos moradores de cidades dos estados de Roraima e do Amazonas que têm nessa estrada a única ligação por terra com as demais unidades federativas.
Isoladas e com problemas no abastecimento de produtos alimentícios, de limpeza e higiene, combustíveis, milhares de pessoas aguardam providências mais urgentes. O trabalho de recuperação nos trechos das pontes corroídas não será feito em curto prazo e, espera-se, que desta vez, os serviços sejam bem monitorados a fim de que possam ser mais duradouros e oferecer segurança aos que utilizam essa via.
Não é mais possível esconder o abandono ao qual a 319 está submetida. Se assim não fosse os sinais de que esses dois trechos apresentavam riscos e necessitavam de reparos teriam sido percebidos e considerados como inegociável as ações de manutenção. Não são os únicos e até hoje não foi informado publicamente o que está sendo feito nesse trajeto para evitar que novos desmoronamentos ocorram ou acidentes provocados pelos buracos.
A falta de importância caracteriza a relação do governo federal para com as pautas do Amazonas.
Nada foi efetivamente feito nesse período para inserir o Estado e assegurar trabalhos consistentes que pudessem ser hoje exemplos de boas ações. Os discursos e afrontamentos não podem ser entendidos como atos concretizados, são parte de um outro jogo, mas não representam a presença real do governo federal no Amazonas. A forma como os dois desabamentos foram percebidos pelos governos demonstram que nem mesmo esses acontecimentos conseguiram mudar a postura.