Editorial

A COP na Amazônia oferece chances aos governos globais

A COP30 até chegar em Belém experimentou desgastes vários.

acritica.com
11/11/2025 às 07:55.
Atualizado em 11/11/2025 às 07:55

(Foto: Agência Brasil)

A COP30, em Belém, sinaliza com algumas trilhas. Os caminhos, para os que estiverem atentos, estão sendo percorridos por diferentes povos indígenas no outro movimento, o da Cúpula dos Povos. Eles chegam de longe, em alianças com outros povos e comunidades e, ali, demonstram outras possibilidades. Rejeitam o exotismo com o qual costumam ser tratados e cada vez mais posicionam suas lutas e causas representadas pelas juventudes, pelas mulheres e pelos homens a partir da Amazônia, região detentora da maior diversidade étnica do Brasil. As representações de comunidades tradicionais, da agricultura familiar e dos artesãos espalham suas vozes e seus produtos que historicamente são parte da batalha por respeito e garantia a um modo de viver e alimentam os corpos e as sensibilidades de milhares de pessoas.

A COP30 até chegar em Belém experimentou desgastes vários. Politicamente, realizar uma conferência desse tamanho em Belém passou a ser tratado como risco de fracasso em decorrência da ausência de alguns governos; econômica e financeiramente, os preços cobrados na capital paraense passaram a ser a justificativa de invisibilidade e até de iniciativas para mudar o lugar do encontro; no item segurança, a tentativa era de demonstrar que esse lugar da Amazônia não poderia oferecer às autoridades um sistema seguro. Cada item desse foi sendo enfrentado com boas respostas, até agora.

As questões que legitimam a COP e deveriam ser o foco começam a ser percebidas em meio as questiúnculas. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, chama atenção ao pós-COP, no acompanhamento efetivo das decisões tomadas, lembra que a conferência é uma das atividades – importantes para diálogo e oficialização de acordos – mas é o dia seguinte, enfim viver o processo, que terá o algo novo capaz de estabelecer elementos novos no enfrentamento da mudança do clima.

O fundo internacional para as florestas tropicais e a criação de uma autoridade climática global são alguns dos passos que poderão ser confirmados até o fim da conferência. O tipo de disposição demonstrada pelos participantes oficiais em relação à mudança climática é outro indicador aguardado. O fato, inaugural, de ser na Amazônia permite aos presentes nessa conferência perceber e sentir, dentro de um pedaço da maior floresta tropical do mundo, os desafios e a necessidade de posicionamentos responsáveis por parte dos governos globais.

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