Poder público e sociedade precisam se adaptar. Não se pode mais argumentar surpresa quando as ruas estiverem alagadas e comunidades, isoladas
(Foto: Arquivo A CRÍTICA)
É praticamente certa a ocorrência de uma grande cheia no Amazonas neste ano, com rios devendo superar a cota de inundação em municípios importantes, como Manaus e Manacapuru. É o que indicou o 1º Alerta de Cheias de 2026, divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) em 31 de março.
Diante disso, cabe ao poder público tomar as providências necessárias para mitigar o sofrimento da população. É o que está fazendo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), por meio da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVSRCP). Ontem, o órgão divulgou Nota Técnica Conjunta, orientando gestores municipais e autoridades de saúde a respeito da inundação.
O documento plano de contingência para assegurar a continuidade da assistência à saúde, atualização do sistema vacinal para doenças como hepatite, tétano e raiva, comuns em período de inundação, e distribuição de hipoclorito de sódio para o tratamento da água em situações emergenciais.
A Defesa Civil também já está se mobilizando, enviando kits de purificação de água e outros materiais para comunidades afetadas.
A enchente já é realidade em algumas cidades. Neste mês, 12 municípios, incluindo Atalaia do Norte, Benjamin Constant e Itacoatiara, já decretaram situação de emergência. Não se trata de uma situação nova; nas últimas décadas, o Amazonas tem enfrentado cheias recordes com uma frequência alarmantemente maior. O fenômeno raro que ocorria uma vez em décadas, agora ocorre, em média, a cada quatro anos. É o novo normal.
Poder público e sociedade precisam se adaptar. Não se pode mais argumentar surpresa quando as ruas estiverem alagadas e comunidades, isoladas. É um desafio para ser superado em todas as frentes. Cabe às prefeituras identificar as áreas mais vulneráveis e avaliar providências para proteger a população.
O ideal é que o planejamento seja realizado de maneira integrada, com cada ente adotando medidas complementares e articuladas. Com união, organização e preparo antecipado, o Amazonas pode passar por mais esta nova enchente com menos danos e sofrimento atenuado, resguardando a saúde e a segurança da população.