Editorial

A sólida parceria entre Brasil e Argentina será mantida

A Argentina é o terceiro maior destino das exportações brasileiras, posicionando-se atrás apenas da China e dos Estados Unidos.

acritica.com
29/07/2026 às 07:48.
Atualizado em 29/07/2026 às 07:48

(Foto: Agência Brasil)

A despeito das rusgas atuais entre os governos de Brasil e Argentina, as duas nações mantêm, historicamente, uma relação bilateral considerada estratégica, pacífica e de profunda cooperação.

Na verdade, rivalidades pontuais sempre fizeram parte de tal relação, mas nunca a ponto de estremecer os laços que unem os dois países. É verdade que o episódio mais recente, em que o presidente Javier Milei disparou duras críticas ao governo brasileiro e a ministro do Supremo Tribunal Federal, é grave, mas a própria reação de autoridades argentinas mostra que a manifestação de Milei não pode ser confundida com um posicionamento de estado, o que não reduz a gravidade do fato, afinal, um presidente estrangeiro, em pleno território nacional, proferiu ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas e ao Poder Judiciário.

Certamente, o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, que foi convocado pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, argumentará que o episódio, por si só, não é capaz de abalar de maneira significativa a sólida parceria baseada na integração econômica, na consolidação da democracia e na liderança regional.

De fato, após a superação de certas disputas fronteiriças e a concorrência geopolítica e nuclear nas décadas de 1970 e 1980, Brasil e Argentina construíram uma forte aliança. Apenas a título de ilustração, o Brasil apoiou a Argentina na Guerra das Malvinas (1982), ainda que de forma indireta, tanto que, por aqui, o arquipélago é chamado de Ilhas Malvinas, e não de Folkland, como o chamam os britânicos.

Embora a relação passe por oscilações e distanciamentos diplomáticos dependendo da orientação ideológica dos governantes de turno – como ocorre hoje -, a interdependência comercial e os laços institucionais permanecem robustos. Vale lembrar que os dois países estão entre os fundadores do Mercosul.

A Argentina é o terceiro maior destino das exportações brasileiras, posicionando-se atrás apenas da China e dos Estados Unidos. E é uma via de mão dupla: o Brasil também importa produtos argentinos em larga escala, com destaque para trigo, petróleo bruto e veículos de transporte de carga.

O fortalecimento dessa corrente de comércio traz benefícios mútuos. Não será a verborragia de um presidente que porá fim a uma cooperação de tantas décadas.

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