Editorial

Amazonas permanece com alto índice de gravidez na adolescência

O elevado índice de gravidez na adolescência é um problema grave e precisa ser pauta na tomada de decisão das ações a serem implementadas.

acritica.com
07/05/2026 às 07:40.
Atualizado em 07/05/2026 às 07:40

(Foto: Agência Brasil)

A gravidez na adolescência permanece como desafio no Estado do Amazonas. Em Manaus, dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), apontam redução de 53% quando comparado o período de 2015 a 2024. Foram 3.242 nascidos vivos de mães com idade abaixo de 20 anos, no prazo de janeiro a outubro do ano passado.

Manaus apresenta taxa de 14% de gravidez na adolescência, a média nacional é de 13%. Em todo o Estado do Amazonas é de 20%. Os municípios de Itacoatiara e Manacapuru apresentam altos índices de gravidez na faixa etária de 10 a 19 anos. Em Itacoatiara representa 22,56%, e Manacapuru, 21,19%.

Do total de partos no ano de 2025 – 64.847 – as adolescentes responderam por 13.513. Os números mostram a necessidade de qualificar as iniciativas que visam prevenir a gravidez na adolescência, incentivar o diálogo em ambientes como escolas, nas comunidades e avançar nos programas de educação sexual.

Interferências de ordem político-religiosa produzem impactos negativos na educação sexual de crianças e de adolescentes. Posicionamentos de autoridades locais contrários à educação sexual se constituem em obstáculos graves para que a prevenção à gravidez nesse segmento populacional funcione bem. Ao mesmo tempo, posturas de cumplicidade são alimentadas para ignorar até mesmo situações de violência sexual, de exploração sexual e estupros de crianças e adolescentes.

A condição do Amazonas nessa área exige que os governos (federal, estadual e municipais) construam políticas mais abrangentes para enfrentar o quadro estadual cuja realidade é demonstrada no local. O elevado índice de gravidez na adolescência é um problema grave e precisa ser pauta na tomada de decisão das ações a serem implementadas.

As instituições e a sociedade organizada podem ter função mais central, desde que adequadamente mobilizadas para compreender porque crianças e adolescentes precisam ter educação sexual e quais são as consequências mais recorrentes quando meninas e adolescentes engravidam e se tornam mães. Esse problema que diz respeito a todos, não apenas às meninas grávidas e a seus familiares.

São inúmeras as implicações da gravidez na adolescência, de ordem à saúde materna, aos riscos físicos que a mãe e o bebê ficam expostos, afetos psicossociais, evasão escolar e exclusão que tendem a marcar a vida dessas mães para sempre.

Assuntos
Compartilhar
Sobre o Portal A Crítica
No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.
Portal A Crítica - Empresa de Jornais Calderaro LTDA.© Copyright 2026Todos direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por