EDITORIAL

Apoio aos 'invisíveis' que moram nas ruas

Neste ano, o tema da campanha é “Fraternidade e Moradia”, por meio do qual a Igreja Católica propõe reflexões e ações voltadas à solidariedade e apoio aos que sofrem por falta de um lugar para morar com dignidade.

acritica.com
11/02/2026 às 08:26.
Atualizado em 11/02/2026 às 08:26

Mais de 365 mil pessoas vivem em situação de rua no País (Foto: AC)

O tema da Campanha da Fraternidade deste ano aborda assunto que é um dos grandes problemas contemporâneos: o aumento do número de pessoas vivendo nas ruas e a necessidade urgente de acolhimento e apoio a essas famílias.

Neste ano, o tema da campanha é “Fraternidade e Moradia”, por meio do qual a Igreja Católica propõe reflexões e ações voltadas à solidariedade e apoio aos que sofrem por falta de um lugar para morar com dignidade. Igreja, poder Executivo e sociedade em geral devem unir forças para fazer frente à questão.

Mais de 365 mil pessoas vivem em situação de rua no País, segundo estimativa do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/UFMG), que utiliza dados oficiais do Cadastro Único do Governo Federal. São pessoas, frequentemente, “invisíveis”, que sobrevivem abaixo da linha da pobreza e da dignidade.

Esse contingente vem crescendo: a estimativa deste ano é 11% superior aos dados disponíveis em dezembro de 2024, quando o número era de aproximadamente 328 mil. É uma realidade presente em todo o Brasil, com maior concentração na região Sudeste, sobretudo em São Paulo.

Em Manaus, não é diferente. Em 2025, a Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) registrou 993 moradores de rua atendidos em Manaus, um crescimento de 41,8% em comparação às 700 pessoas assistidas em 2024. No entanto, o número atual de pessoas vivendo sem teto pode ser muito maior.

Dados técnicos do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) já chegaram a identificar mais de 1,6 mil pessoas em situação de rua na capital em levantamentos anteriores. Em Manaus, a rede de apoio é coordenada principalmente pela Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc) e pela Sejusc na esfera estadual.

O crescimento do número de pessoas em situação de rua no Brasil é um fenômeno complexo e multifatorial, agravado nos últimos anos por uma combinação de crises econômicas e sociais. A solução não virá da noite para o dia, e nem se espera que a Campanha da Fraternidade funcione como panaceia. Mas o fato de a Igreja colocar o problema em evidência e promover o debate público é, sem dúvida, um passo relevante.

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