Apesar de caudalosos, os rios amazônicos apresentam trechos complexos, com os famosos pedrais ou com profundidade relativa reduzida a ponto de dificultar o trânsito de embarcações.
(Foto: Divulgação Governo Federal)
Qualquer empresário atuante na logística de transporte da Amazônia certamente apontará a necessidade urgente de dragagem em trechos específicos dos rios da região. Não se trata de uma mera opinião: o fato foi constatado durante as entrevistas com empresários para elaboração do livro “História do Transporte na Amazônia”, da historiadora Etelvina Garcia, lançado recentemente. É, na verdade, absurdo que, em pleno século XXI, estejamos falando de algo que se constatou há mais de 400 anos, quando os primeiros navegadores observaram as vicissitudes e fragilidades da navegação regional. Agora, diante da ameaça real de um fenômeno extremo que pode resultar em uma seca histórica e atroz, o DNIT anuncia que as dragagens previstas para os rios do Amazonas devem começar em agosto.
Apesar de caudalosos, os rios amazônicos apresentam trechos complexos, com os famosos pedrais ou com profundidade relativa reduzida a ponto de dificultar o trânsito de embarcações. Em face de uma seca extrema, o risco de que a navegação fique inviável é grande. Não foram divulgados maiores detalhes a respeito do trabalho de dragagem que será realizado, mas sua eficácia será posta à prova nos meses da estiagem.
Aqui é importante destacar duas situações: as dragagens de rotina, programadas pelo DNIT para assegurar a plena navegabilidade; e as dragagens definitivas, obras complexas com objetivo de remover obstáculos permanentemente visando facilitar e tornar perenemente mais seguro o transporte fluvial. Este último é algo muito necessário, mas extremamente raro. Como exemplo, podemos citar o projeto de dragagem do rio Tapajós, no trecho entre Itaituba e Santarém, no Pará. A motivação do empreendimento está na iniciativa privada – a ideia é aprofundar o leito do rio para criar um canal navegável contínuo, facilitando a passagem de comboios e navios para o escoamento de grãos e minérios.
Nada que se relacione à questão do Amazonas, que precisa manter a navegabilidade, não apenas para atender interesses econômicos, mas, principalmente, para evitar o isolamento de populações inteiras. O País precisa rever a prioridade e função do serviço de dragagem de rios amazônicos e colocar a urgência social em lugar de destaque.