Editorial

El Niño: medidas de enfrentamento e ausência de autoridades

Ausência de parlamentares em reunião na capital reforça críticas sobre ações paliativas e falta de prevenção

Jornal A Crítica
22/08/2026 às 09:30.
Atualizado em 22/08/2026 às 09:30

Representantes de ministérios e institutos de pesquisa apresentam a Sala de Situação no Amazonas (Paulo Bindá/A CRÍTICA)

O encontro para debater ações de enfrentamento aos efeitos do El Niño, realizado na sexta-feira (21), em Manaus responde a algumas questões sobre a falta de programa e ações efetivas em períodos de calor extremo.

Matéria de acrítica.com mostrou a ausência de autoridades políticas, o que repete um dado, a falta de interesse pelo tema embora o mesmo seja utilizado em tantos discursos como palavras soltas ao vento. Veio da sociedade a apresentação de proposições importantes que, se espera, o governo federal - promotor do evento – leve adiante.

São elas, ir além da doação de cestas básicas para os povos indígenas, vencer o estruturalismo e implementar planejamento estrutural, como propôs o antropólogo Jaime Dessana, representante da Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Apiam).

A representante da Rede de Trabalho Amazônico (GTA), Helena Dantas, elogiou a iniciativa do encontro e defendeu avanços nas propostas de soluções. A ausência de parlamentares foi um dos pontos que Helena Dantas chamou atenção situando a responsabilidade desses servidores públicos.

Da parte do governo federal, decisões tomadas são a instituição da Sala de Situação que tem a finalidade de atualizar cenários, organizar medidas que respondam pelos efeitos do El Niño nesses meses seguintes quando a situar deve se agravar, de acordo com estudos científicos. O valor orçado para essa atividade é de R$ 1,33 bilhão.

No âmbito do governo federal, estão envolvidos 24 ministérios, institutos de monitoramento e pesquisa entre eles o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A proposta prevê, como parte importante, o envolvimento das prefeituras. São os governos municipais que deverão apresentar os planos locais e deliberar sobre as medidas que considerarem necessárias.

A pouca importância dos gestores e dos parlamentares para com o encontro sinaliza para a dificuldade em planejar estruturalmente como minimizar os efeitos do El Niño.

Tende a prevalecer o assistencialismo imediato que mantém a conduta viciada e paliativa. Cria a sensação de que os grupos vulneráveis estão sendo atendidos em nível de superar as dificuldades criadas pelo agravamento da crise climática, mas não efetiva medidas duradouras como exige planejamento estruturado.

Outro aspecto é do início tardio de ações apesar de pesquisas cientificas apresentarem há algum tempo estudos informando que o fenômeno climático seria severo este ano.

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