É cada dia mais frequente que pais entreguem celulares a crianças que mal conseguem segurá-los com a intenção de entretê-los, contribuindo para uma dependência que poderá se estender por toda a vida.
(Foto: Agência Brasil)
Há pouco mais de uma década, a humanidade entrou em uma nova era, a Era das Telas, quando os telefones celulares deixaram de ser meras ferramentas de comunicação e passaram a centralizar quase todas as atividades cotidianas. É cada dia mais frequente que pais entreguem celulares a crianças que mal conseguem segurá-los com a intenção de entretê-los, contribuindo para uma dependência que poderá se estender por toda a vida. Tal dependência já é uma realidade, tanto que oito em cada dez escolas brasileiras incluíram na agenda o debate sobre os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes.
A pesquisa TIC Educação revela que o tema tem sido discutido na maioria das escolas, porém, de maneira desigual, com maior ênfase nas cidades, expondo as carências das zonas rurais. Trata-se, sem dúvida, de uma questão da mais alta relevância, que precisa integrar as discussões em ambiente escolar, inclusive com a participação dos pais, no sentido de estimular o uso seguro, crítico e responsável das tecnologias digitais.
É fato que a saúde mental das pessoas tem sido duramente impactada pela dependência das telas. Um dos reflexos desse fenômeno é a epidemia de vício em bets – plataformas online de jogos e casas de apostas. Para fazer frente ao problema, o Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou para até 100 mil o número de teleatendimentos mensais a pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos e apostas online. O motivo é a altíssima procura por esse serviço.
A mobilização espontânea que já ocorre nas escolas é muito positiva, pois tem como público alvo exatamente os mais vulneráveis ao problema das telas: as crianças e adolescentes. As iniciativas precisam ser fortalecidas, o que só pode ocorrer com apoio do poder público. As escolas precisam de estrutura, materiais e recursos educacionais de apoio. Ressalte-se: a inclusão do tema nas discussões em sala de aula não faz parte de uma política vertical, pensada e aplicada de cima para baixo. É algo que nasce da necessidade vivenciada todos os dias por educadores e gestores escolares. As diferentes esferas governamentais também precisam fazer sua parte.