OPINIÃO

Crianças do mundo rezam pela Paz e o fim das guerras

Um milhão de crianças reunidas em oração é um momento único, especial e mobilizador que pode afetar a estrutura de ódio, dos investimentos em guerra e da produção da fome

Ivânia Vieira
08/10/2026 às 10:18.
Atualizado em 08/10/2026 às 10:18

Papa Leão XIV interage com bebê durante o giro de papamóvel na Praça São Pedro (Vatican Media)

O 7 de outubro é Dia de Nossa Senhora do Rosário. Em todo o mundo, um milhão de crianças foram mobilizadas para rezar o Terço pela Paz, pelo fim das guerras, pelo consolo das famílias em sofrimento e pela conversão dos corações. As 12h (de Brasília), o Papa Leão XIV e centenas de crianças, de diferentes regiões do mundo, se reunirão na Gruta de Lourdes, nos Jardins do Vaticano, em oração.

Em entrevista ao Vatican News, órgão oficial de notícias da Santa Sé, o Papa Leão, disse que serão 50 milhões de Ave-Marias que “sobem ao Céu de todas as partes e em todas as línguas da terra pedindo a paz, e que se unem como em uma única e grandíssima coroa do Rosário, para abraçar e unir entre si todos os continentes, as raças e as nações do planeta”.

O movimento carrega a força, a beleza e a sensação do amor das crianças como posicionamento pela justiça e paz na Terra. Um milhão de crianças reunidas em oração é um momento único, especial e mobilizador de energia que pode, em alguma medida, afetar a estrutura de ódio, dos investimentos em guerra e da produção da fome. 

O quadro global das condições de profunda precarização de vida, de ampliação dos governos autoritários, da xenofobia, do racismo e da perda de direitos fundamentais pede reação e muita oração. As crianças fazem a parte delas, expressando os valores da espiritualidade, da fraternidade, da ternura – mesmo que muitas delas sejam vítimas do ódio, da miséria e da exclusão - se colocam em alegria e amorosidade.

Para o Brasil, é um vento da esperança na luta. Um país que viveu mais de 300 anos sob regime de escravização, 21 anos na mais recente ditadura civil-militar, viu milhões de desempregados, de milhares de famintos, de elevadas taxas de mortalidade materno-infantil, crianças e adolescentes em trabalho forçado, um presidente e membros do governo zombando do sofrimento das vítimas da Covid-19 precisa ter responsabilidade e sensatez a fim de impedir que a tragédia real se realize.

O país precisa da oração das crianças e da reação dos que viveram essa história e têm as marcas em seus corpos, e dos mais novos que poderão vir a tê-las: “Eu fico com a pureza da resposta das crianças/É a vida, é bonita e é bonita”. Assim a queremos.  

  

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