OPINIÃO

Fórum pela Democracia revisita a pauperização da Amazônia

Por Ivânia Vieira
22/04/2026 às 10:12.
Atualizado em 22/04/2026 às 10:12

Linhão Manaus–Boa Vista é estratégico para o futuro da região amazônica (Divulgação/MIDR)

"Um momento nobre”. Assim o Prof. Alcebíades de Oliveira definiu o primeiro encontro organizado pelo Fórum Democracia e Cidadania da Amazônia, realizado no sábado (18/abril), no Centro de Formação Maromba. Sim, o acontecimento vestiu-se de nobreza e beliscou aquilo nominado por Baruch Spinosa como “potência do ser”.

Plateia (106 participantes) e palco se debruçaram sobre o tema Futuro Sustentável da Zona Franca de Manaus a partir de três exposições. O economista e político Serafim Corrêa tratou da Economia do Amazonas: desafios e oportunidades; o pesquisador e auditor fiscal de tributos da Prefeitura de Manaus, Edson Nogueira Fernandes Júnior, percorreu os caminhos da Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) a partir do Porto Digital (são parques tecnológicos e de ambiente de inovação) que tem em Lisboa (Portugal) e em Recife (PE) referências de êxito. A Profª Drª Marilene Correia da Silva Freitas colocou em degustação o livro China: Tradição e Modernidade na Governança do País, de Evandro de Carvalho, e dialogou sobre o fator China, o Brasil e a Amazônia.

Serafim Corrêa situou o Linhão de Tucuruí (conecta o Estado de Roraima ao Sistema Interligado Nacional e Manaus a Boa Vista) como a obra mais estruturante da Amazônia Ocidental. Mostrou, graficamente, as potencialidades e as fragilidades da região. Uma das imagens de impacto foi a da Amazônia à noite, sob escuridão por falta de luz e a comparou com as de outras regiões do Brasil e do mundo, iluminadas. 

Marilene Corrêa citou um debate ocorrido entre os pesquisadores Jaime Benchimol e Ennio Candotti, quando Benchimol demonstrou que o orçamento do Amazonas, por vezes, era igual ou até superava o da California que “tem um dos maiores centros de desenvolvimento do mundo, de pesquisa e uma das maiores reservas indígenas que ninguém mexe. Na convenção política, o território é dos Navajos e o subsolo é da união”.

O que foi que não deu certo? Marilene Corrêa questionou e ela mesma respondeu: “Não deu certo o modo extrativismo, a ausência do desenvolvimento cientifico, o tipo de desenvolvimento e as escolhas que o Brasil fez fora dos eixos sul e sudeste. {...} O que a gente faz com a Amazônia, com o Nordeste?”

O Nordeste, afirma Marilene Corrêa, escolheu superar a indústria da seca, a ideologia da fome e a interiorização das velhas cidades. “Você vai a Campina Grande, ao interior de Pernambuco ou do Ceará e não verá nenhum grau de subdesenvolvimento explicito como o que se ver no interior da Amazônia brasileira. Não há quem segure mais o progresso cientifico-tecnológico de Pernambuco”.

Quanto à Amazônia, a pesquisadora é categórica: “necessitamos de gestão e de outra governança para a Amazônia, não falo de governabilidade e sim de governança policêntrica que institua novo patamar de relacionamento entre a sociedade civil, os partidos políticos, pensamento político e do controle da Amazônia brasileira”.

O fórum irá organizar outras atividades ao longo deste ano. De acordo com um dos seus articuladores, o ex-metalúrgico e ex-deputado federal Ricardo Moraes, o espaço nasceu a partir da necessidade de promover ambiente para debates sobre questões fundamentais aos trabalhadores, às instituições e à sociedade do Amazonas e da Amazônia.

Assuntos
Compartilhar
Sobre o Portal A Crítica
No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.
Portal A Crítica - Empresa de Jornais Calderaro LTDA.© Copyright 2026Todos direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por