OPINIÃO

Mulheres da Floresta em atos de teimosias na ilha de Parintins

Ivânia Vieira
05/06/2026 às 09:55.
Atualizado em 05/06/2026 às 09:55

O 9º Encontro de Estudos sobre Mulheres da Floresta (EmFlor) quer chegar em 2027 quando completa uma década com muitas histórias de atrevimentos e teimosias do conhecimento a partir da Amazônia. Uma delas está sendo concretizada desde o dia 3 de junho até o dia 5, com a realização do primeiro EmFlor fora de Manaus.

Parintins foi a cidade escolhida. Na ilha, estão pesquisadores/as, professores/as, estudantes de instituições de ensino e pesquisa dos Estados de Tocantins, Maranhão, São Paulo, Pará, Amazonas entre outros. São 11 grupos de trabalhos, com 136 estudos inscritos, cinco minicursos, quatro mesas, duas rodas de conversa, dois painéis, exposição de banners e de fotografia, atividades artístico-culturais.

A conferência de abertura – “As Mulheres, as ancestralidades e a crise climática” – ocorreu na noite de quarta-feira (3), pela professora doutora e escritora Sony Ferseck, da Universidade Federal de Roraima (UFRR).  O EmFlor é realizado anualmente pelo Grupo de Estudo, Pesquisa e Observatório Social- Gênero, Política e Poder (Gepos), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). 0 9º EmFlor tem como tema central “As mulheres, os Feminismos e a Questão Climática”.

São objetivos do encontro a promoção e divulgação de pesquisas nos temas de gênero (mulheres e masculinidades), produzidas no Brasil e na Amazônia; reunir pesquisadoras/es  do campo e da cidade em torno dos debates sobre impactos da crise  climática e ambiental na vida das mulheres; debater as questões climáticas e ambientais com ênfase nos períodos de seca e enchente dos rios, dos riscos à vida das mulheres ribeirinhas; e facilitar a troca de intercâmbio entre universidades brasileiras no âmbito de temática de gênero, e de grupos de pesquisa.

Criadora e coordenadora do Gepos e do EmFlor, a professora doutora e escritora Iraíldes Caldas, disse que realizar um encontro de grande porte como o é o Emflor fora de Manaus é um desafio. “Está sendo uma experiência muito interessante”, observou.      

Para Iraildes Caldas, em nove anos o Emflor se tornou uma referência e influenciou muito a região a pesquisar a temática de gênero, nucleou a Amazônia polinizando a ideia de retirar as mulheres da invisibilidade; conseguiu ampliar o gênero nos programas de pós-graduação e até em alguns currículos de graduação.

"Hoje tem mais mulheres estudando gênero, tem homens estudando gênero. O EmFlor ampliou o objeto de estudo nessa temática e, nós, as pesquisadoras de gênero passamos a ser mais respeitadas na Universidade. Passa pelo Emflor a divulgação de pesquisas em gênero e sobre mulheres. Os anais contendo a publicação das pesquisas em forma de e-book, têm um enorme alcance social e de leitura em várias partes dos países, enumera Iraildes Caldas.

Nesses nove anos, o encontro contribuiu à implementação de políticas públicas, principalmente para as mulheres da floresta como por exemplo o Ater/Mulher, dentro do MDA que dispõe de benefício para empoderar mulheres agricultoras, existência de editais para aquisição de alimentos para a merenda escolar, contemplando as mulheres das comunidades dentre outras políticas. A Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Amazonas (Fapeam) é apoiadora do congresso.

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