OPINIÃO

O FOREEIA e a teimosia dos professores indígenas do Brasil

Movimento que nasceu em 2014 para representar 3.100 professores e professoras indígenas completa mais um ano de lutas

Ivânia Vieira
13/05/2026 às 08:26.
Atualizado em 13/05/2026 às 08:26

Menina acompanha evento que celebrou 12 anos do Foreeia, em auditório da Ufam (Ariones Alves/Makira E'ta)

No dia 8 de maio, o Fórum de Educação Escolar Indígena do Amazonas (Foreeia) festejou, na Faculdade de Educação (Faced/UFAM), 12 anos de existência. O título do card-convite era “venha comemorar” e assim os integrantes do Fórum o fizeram: rituais, mesa farta de alimentos, diálogos, denúncias e trançados para enfrentar os multiformatos do racismo sob o tema “Memória Ancestral: Reencontrar Saberes, Refazer Caminhos”.

Criado, no Amazonas, em 30 de abril de 2014, o fórum nasceu do acúmulo de debates envolvendo 180 professores e líderes indígenas. O movimento nasceu para representar 3.100 professores e professoras indígenas. Em artigo para o Instituto Humanistas (IHU), em 4 de dezembro de 2015, o indigenista Egon Heck escreveu sobre o Foreeia {...} “Tem como objetivo fomentar o debate e reunir periodicamente professores indígenas das diferentes regiões do Estado, para trocas de experiências, sugestão de estratégias e garantia de articulação e reflexões sobre a Educação Escolar diante dos grandes desafios que afrontam os povos indígenas do Amazonas”.

A professora doutora Alva Rosa Tukano, presidente do Foreeia, vê a organização como um dos instrumentos de ação para transformar o perfil das universidades brasileiras marcado pelo pensamento colonial. O Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (FNEEI) é hoje uma rede nacional com atuação de vigilância e de incidência política na defesa dos direitos educacionais, diferenciados e intercultural. O projeto da Universidade Federal Indígena (Unind) aprovado pelo Senado em 5 de maio, é uma dessas lutas e deve começar a funcionar em 2027, sem ignorar a outra face dessa luta que é assegurar aos indígenas o direito de estabelecer os fundamentos da instituição.

“É preciso superar a base de conhecimento da cultura colonial”, defende o pesquisador, escritor e professor na UnB, Gersem José dos Santos Luciano, do povo baniwa. Um modelo cultural que tem por base o racismo, a injustiça cognitiva e todas as formas de desigualdade social, cultural e econômica. Para Gersem Baniwa, ao se falar em educação intercultural, de fato, é necessário reconhecer sociedades interculturais, no plural.

O indígena, afirma o professor Gersem Baniwa, é considerado um ser inassimilável pela cultura dominante. Aquele que não adere, que não se entrega. Por isso, indesejável. Nesse sentido é que o modo de vida dos indígenas, se não servir como alternativa, ao menos é outra forma de viver.

Um dos fundadores do Foreeia e de tantas outras organizações indígenas e indigenistas, como a Frente Amazônica de Mobilização em Defesa dos Direitos Indígenas (FAMDDI), em 2018, Prof. Gersem prega há muitos anos que “é urgente romper com uma única maneira de ver o mundo, de pensar as experiências entre os seres vivos e de produzir conhecimento”, como disse em entrevista a jornalista Patrícia da Veiga, da Assessoria de Comunicação da Universidade de Goiás, após fazer uma conferência sobre o tema “A Gramática das Teorias Interculturais e o Império das Epistemologias Coloniais na Formação Superior”, em 2017.

Prof. Gersem é um dos vencedores do Prêmio Anísio Teixeira deste ano, na categoria educação básica, a bandeira que o educador esticou desde jovem e pela qual alimenta a sua luta e razão dos esforços para tornar o Foreeia realidade viva, ativa. 

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