ARTIGO

IA e o homem desnecessário?

A inteligência artificial já está transformando profundamente a maneira como produzimos

Júlio Antonio Lopes
julioajlopes24@gmail.com
25/07/2026 às 11:33.
Atualizado em 25/07/2026 às 11:33

Imagem gerada por Inteligência Artificial (Imagem: IA)

Segundo a narrativa bíblica Deus, o Grande Arquiteto do Universo, trabalhou durante seis dias para criar o mundo e descansou no sétimo. A Adão foi dito que ganharia o sustento com o suor do próprio rosto. Por trás desse simbolismo, encontra-se uma antiga sabedoria, segundo a qual é o trabalho que confere sentido e propósito aos feitos humanos, contribuindo para nossa evolução e dignidade.

Se alguém deseja alcançar o sucesso, receba o trabalho como uma bênção, honre-o com todas as suas forças e exerça-o com absoluta integridade. Muitos deles se acham no limite do game over para nós.

É que vivemos a maior revolução tecnológica da história. A inteligência artificial já está transformando profundamente a maneira como produzimos, consumimos e interagimos uns com os outros. Diversas tarefas e profissões já começam a ser substituídas ou radicalmente modificadas por sistemas capazes de executar atividades com velocidade, precisão e custo muito melhores do que aquelas resultantes da ação humana. Os exemplos são muitos. Caixas de bancos e supermercados cedem espaço ao autoatendimento; tradutores, revisores, designers gráficos e redatores convivem cada vez mais com ferramentas capazes de produzir textos e imagens em segundos. Na área jurídica, softwares analisam milhares de documentos em poucos minutos, fazem petições e até sentenças. Na medicina, sistemas de IA auxiliam diagnósticos com elevado grau de precisão. Na engenharia, na arquitetura, na programação, na contabilidade e até nas atividades criativas, a inteligência artificial assumiu a dianteira.

Grandes pensadores, investidores, sociólogos, economistas e futurólogos alertam que essa avassaladora onda tornará milhões de pessoas despreparadas para as novas exigências do mercado. A preocupação não decorre apenas da automação, mas da enorme distância entre a velocidade da inovação tecnológica e a capacidade dos sistemas educacionais de formar trabalhadores aptos para essa realidade. Por isso, cresce no mundo o debate sobre a adoção de uma renda básica universal, destinada a garantir condições mínimas de sobrevivência para aqueles que não conseguirem se reinserir no mercado de trabalho. Trata-se de uma hipótese, trágica, diga-se de passagem, cada vez mais discutida...

É impossível não refletir sobre as consequências desse cenário. O planeta já abriga mais de oito bilhões de habitantes (e nascem duas pessoas por segundo, já descontados os óbitos), muitos vivendo em condições de extrema pobreza. Imaginem o vai que ocorrer quando os outros, maioria absoluta dessas pessoas, perderem não apenas sua fonte de renda, mas também a sensação de utilidade, pertencimento e protagonismo social. A irrelevância, a exclusão, as carências materiais e afetivas e a inevitável revolta trarão o caos e será sem dúvida nenhuma o maior de todos os desafios enfrentados pela humanidade ao longo da história.

O que fazer, então, diante da rapidez e da inevitabilidade dessas mudanças? A resposta talvez esteja menos na resistência à tecnologia e mais na transformação pessoal. É urgente investir no aperfeiçoamento intelectual, profissional e espiritual. É preciso estudar continuamente, desenvolver novas competências, cultivar disciplina, responsabilidade, honestidade e capacidade de adaptação. Afinal, fomos nós que criamos as máquinas; elas devem ser nossas ferramentas, jamais nossos senhores. Quem dominar a tecnologia terá enorme vantagem sobre quem insistir em ignorá-la. É preciso acordar! O relógio não para...

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