Acampamento Terra Livre (ATL), encerrado no dia 14, com participação de milhares de indígenas representando mais de cem povos (Foto: Reuters)
Os indígenas do Brasil vêm organizando uma série de manifestações em nível nacional, como o recente Acampamento Terra Livre (ATL), encerrado no dia 14, com participação de milhares de indígenas representando mais de cem povos. Em nível local, o Fórum de Educação Escolar Indígena (FOREEIA) e organizações parceiras realizaram três dias de mobilização em Manaus na retomada coletiva das lutas desses povos.
Hoje, 19 de abril, oficialmente o Dia do Índio, instituído pelo governo de Getúlio Vargas em 1943 após a realização, em 1940, do 1º Congresso Indigenista Interamericano, no México. Vargas, três anos depois, criou a data. Marcado por muitos debates e conflitos, o Dia do Índio passou a ser capturado por movimentos indígenas como espaço para denunciar a situação dos povos originários no Brasil, questionar literaturas e eventos que tratam dessa data e apresentar reivindicações.
De um dia para o mês todo, o movimento indígena tornou abril o período de mobilizações e protestos em todo o território nacional. O ‘abril indígena’ não encerra a movimentação das organizações e de líderes em interfaces nacional/internacional, criou um espaço histórico para chamar atenção sobre as ameaças das quais são vítimas esses povos e também questionar as políticas governamentais nessa área.
Infelizmente, não há trégua aos indígenas. Por parte dos governos e de segmentos da sociedade, como ora ocorre, os atos de agressão aos povos originários permanecem ocorrendo e em escala veloz. Garimpagem, extração de madeiras, invasão de áreas indígenas e atraso no processo de demarcação dos territórios compõem o cenário de ataques que aumentaram as mortes, as doenças e a desestruturação das formas de vida das etnias. Nesse momento, o PL nº 191/2020 que institui a mineração nas terras indígenas é uma das ameaças em tramitação na Câmara dos Deputados.
Na quarta-feira, em Manaus, mulheres indígenas irão participar de um encontro para relatar suas lutas e seus sonhos. As mulheres indígenas são responsáveis por parte expressiva da mobilização e das caminhadas indígenas no País. Neste dia 19, lamentavelmente, o governo do Brasil tem mais um déficit apresentar, com elevado nível de violência recorrente a esses povos e seus direitos, constitucionalmente garantidos, estão sendo ignorados por uma série de ações governamentais.