O desenvolvimento do Amazonas passa pela superação das enormes dificuldades logísticas impostas pela imensidão da floresta e das distâncias. O modal aéreo, em muitos municípios do Estado é a única opção para sair do isolamento geográfico e garantir à população acesso emergencial a recursos básicos como atendimento médico-hospitalar. Quem vive no interior e já precisou de atendimento médico de emergência conhece a corrida contra o tempo para chegar a um município que disponha de aeroporto e ser transferido para a capital ou para outra cidade melhor estruturada. Essa situação está no radar do Ministério da Infraestrutura (MInfra), que estima investimentos de quase R$ 1 bilhão até o final do ano em equipamentos de navegação aérea, além da reforma e construção de novos aeroportos nas cinco regiões do País.
Por conta de suas peculiaridades, a região Norte é uma das prioridades da pasta. A boa notícia para o Amazonas é que oito aeroportos devem ser estruturados com esses recursos. A partir de 2022, as cidades de Parintins, Carauari, Coari, Eirunepé, São Gabriel da Cachoeira, Barcelos, Lábrea e Maués devem receber R$ 380 milhões em investimentos a partir de parcerias público-privadas. Parte dos investimentos já vem ocorrendo desde 2019, mas o projeto deve ser acelerado após a concessão dos terminais. Os aeródromos do Amazonas estão inclusos na sexta rodada de concessões, que está marcada para ocorrer em abril.
Pelo menos no papel, o plano é muito interessante e promissor. Resta saber se haverá interesse da iniciativa privada em gerir aeroportos no Norte. Devido aos elevados custos, a demanda de passageiros pelo transporte aéreo na região é baixa, e este acaba se restringindo às equipes de empresas específicas do setor privado e ao suporte às atividades do poder público. Estado e prefeituras precisam aproveitar a disposição do Ministério da Infraestrutura e tomar parte no projeto, que talvez precise ser ajustado para viabilizar a atuação da iniciativa privada nos aeródromos. O fato é que a situação dos aeroportos do interior não pode ficar como está. Governo federal, estadual, prefeituras, iniciativa privada... é preciso formatar um plano exequível para, finalmente, integrar o interior pela via áerea.