Artigo analisa como a falta de atenção ao escolher representantes políticos afeta a qualidade de vida, a economia e a segurança
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O saudoso professor americano Stephen Covey, referência em desenvolvimento pessoal e autor do best-seller “Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes”, costumava dizer que apenas 10% do que nos acontece não depende de nós, enquanto os outros 90% são determinados, essencialmente, pelas nossas reações.
A principal lição que se extrai dessa reflexão é que somos, em grande medida, responsáveis pelos rumos de nossas vidas. Nossas escolhas moldam nosso presente e definem nosso futuro. Desde cedo, somos influenciados pelas decisões de nossos pais, mas, com o tempo, passamos a assumir o controle. E é justamente nesse ponto que reside uma verdade muitas vezes ignorada: a maior parte dos nossos problemas, tanto no plano individual quanto no coletivo, decorrem de escolhas equivocadas.
No dia a dia, alguns de nós buscam decidir com bom senso, Escolhemos amigos, parceiros, profissão, onde viver, como investir nosso tempo e nossos recursos com cuidado. Queremos o melhor para nós e para aqueles que nos cercam. Mesmo assim, muita coisa ainda dá errado. Quando se trata, porém, de uma das escolhas mais importantes de todas, a de nossos representantes político, essa atenção muitas vezes se dissipa. E as chances do desastre se avolumam.
O Brasil, por exemplo, vive o pior momento de sua história. Enfrentamos insegurança jurídica, instabilidade política, vulnerabilidade econômica e uma preocupante apatia social. Nesse cenário, torna-se evidente que grande parte das nossa lideranças não está à altura de suas responsabilidades. Em vez de exercerem plenamente o papel para o qual foram eleitas, mostram-se frágeis, omissas ou subordinadas a forças que não passaram pelo crivo do voto popular, como ocorre, por exemplo, com a influência do Supremo Tribunal Federal (STF) em questões que extrapolam suas funções típicas.
É preciso encarar o fato incômodo, porém, de que essa realidade não surgiu por acaso. Ela é consequência direta das escolhas que fizemos ao longo do tempo, que fazemos, aliás, ano após ano. Fomos nós que, por desatenção, comodismo ou falta de senso crítico, colocamos nas posições de poder pessoas despreparadas, desonestas e que, evidentemente, jamais vão corresponder às melhores expectativas da sociedade. E, após as eleições, repetimos o ciclo conhecido da frustração, das reclamações e da indignação tardia. Sempre pagamos a conta. Vide, atualmente, a carga tributária…
O que fazer, então? Antes de tudo, reconhecer nossa responsabilidade. A mudança começa quando deixamos de terceirizar a culpa e passamos a agir com mais consciência. É fundamental que dediquemos maior atenção a quem vai nos representar nas esferas de poder. Precisamos buscar candidatos com preparo, integridade, compromisso social, coragem e capacidade real de gestão.
Essa decisão é uma das mais importantes que podemos tomar. Seus efeitos se refletem em todas as áreas, na qualidade de vida, na economia, na segurança, na educação, na saúde, no transporte e nas oportunidades de trabalho. Tudo está interligado a isso.
Não podemos mais, portanto, agir com descuido diante de algo tão relevante. A transformação que desejamos para o país não virá de forma espontânea nem será obra exclusiva de outrem. Ela passa, necessariamente, por cada um de nós, por nossas opções, nossa consciência e nossa responsabilidade. Vale lembrar, a propósito, embora pareça um truísmo, a exortação de Gandhi: “Seja a mudança que você que ver no mundo”. Se nada mudar ou piorar, acredite, é porque você não mudou ou piorou, sendo as desgraças que lhe acometem ou atingem a todos, uma consequência natural de seu comportamento. Não existiriam maus políticos se tivéssemos bons eleitores.