Após medidas anunciadas pelos Estados Unidos contra o Brasil, governo amplia discurso de defesa dos interesses nacionais e vê impacto nas pesquisas e nas redes sociais
A foto de Flávio Bolsonaro com Donald Trump, vendida por sua pré-campanha à Presidência como ativo internacional, virou passivo. Dias após o encontro, os EUA anunciaram a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas e, em seguida, avançaram na ofensiva comercial contra o Brasil. No pacote, crime organizado, tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e pressões sobre o Pix. O “combo” passou a ser explorado por Lula como uma agenda contra os interesses nacionais. O efeito foi imediato.
Números
As pesquisas já mostravam Flávio perdendo tração antes mesmo do novo tarifaço. Depois do caso “Dark Horse”, o Datafolha apontou queda do senador de 35% para 31% no primeiro turno, enquanto Lula subiu de 38% para 40%. No segundo turno, o petista abriu 47% a 43%.
Baque
Uma sondagem da Real Time Big Data, divulgada em 1º de junho, mostrou Lula abrindo vantagem sobre Flávio no segundo turno: 45% a 40%. Em maio, Flávio aparecia numericamente à frente, com 44% a 43%.
Prejuízo
O novo imbróglio com Trump adiciona uma camada mais perigosa para a campanha do candidato da família Bolsonaro, porque atinge o discurso de “patriotismo”, uma das marcas mais exploradas pelo bolsonarismo.
Explosão
O levantamento mais forte é da AtivaWeb DataLab. Segundo a Folha de S. Paulo, o embate entre Trump, Brasil e os Bolsonaros passou de 15 milhões de interações nas redes.
Dano
No recorte das interações sobre Flávio e Eduardo Bolsonaro, 69% tinham sentimento negativo, contra 18% positivo e 14% neutro. A consultoria identificou rejeição à percepção de “conspiração e traição aos interesses nacionais”.
Repúdio
Outro recorte do mesmo monitoramento apontou 78% de sentimento negativo contra Trump e a família Bolsonaro, com apenas 11,7% positivo e 10,3% neutro. Quando o foco era especificamente o tarifaço, a rejeição chegou a 81%.
Na ilha
O governador Roberto Cidade desembarcou em Parintins, ontem, com um pacote sob medida para o calendário que mais chama a atenção na cultura amazonense.
Reforço
Cidade assinou convênio de R$ 12 milhões com a Prefeitura para bancar estrutura do festival, reforma do aeroporto e asfaltamento, além de oficializar R$ 10 milhões em patrocínio aos bois Caprichoso e Garantido.
Aposta
A conta política do Festival de Parintins também passa pela economia: a expectativa do governo é que o evento movimente mais de R$ 200 milhões este ano.
Mostra
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente deu início, no Vasco Vasques, à 2ª edição da EcoAmazônia. Até esta sexta-feira, o evento reunirá feira de bioeconomia, oficinas, painéis, exposições e mais de 70 estandes, conectando conservação ambiental, inovação e desenvolvimento sustentável.
Sustento
Empreendedores de 13 Unidades de Conservação ganharam vitrine na EcoAmazônia com artesanato, cestarias, biojoias, biocosméticos e produtos da sociobiodiversidade.